Aprovado o novo Acordo Ortográfico
.
"O CDS foi assim o partido mais 'inquieto', com Nuno Melo a marcar a posição do 'não', porque "este acordo nem era preciso nem resolve coisa alguma" e Mota Soares pelo 'sim', lembrando o apelo de Timor para que "enfim, o ensino de português seja uma realidade" e sublinhando que "se o português é factor da nossa soberania, a soberania portuguesa não é dona da língua".
.
In Expresso on line
.
Esta uma nota de reportagem entre os vários considerandos ali contidos, a respeito da aprovação do novo Acordo Ortográfico.
.
A propósito, não se pode deixar de recordar o Acordo Ortográfico Luso-Brasileiro, de 1945, que, tal como agora, levantou farta polémica, sendo, todavia o que, até agora, e sem grande discussão, se tem vindo a utilizar.
Por exemplo, numa entrevista concedida por Rebelo Gonçalves, que foi o relator do citado Acordo de 45, pode ler-se: "A questão da grafia luso-brasileira, com foros já de verdadeiro drama internacional, continua a despertar muitas paixões e violentas polémicas.
Suponho descabido tanto ímpeto a respeito de assunto meramente convencional e que, se uma vez por outra serve para demonstrar os conhecimentos linguísticos de alguns dos raros contendores de calma sensatez, quase sempre demonstra apenas vaidades feridas, ignorância da matéria ou exagerado individualismo nada compatível com as características essenciais de um acordo internacional."
.
Duma acta de sessão plenária da Academia das Ciências de Lisboa, consta: " (...) Que efusivamente se saúde a Academia Brasileira de Letras pela sua obra notável e pelo seu esforço benemérito no sentido da unidade do idioma comum."
.
Os idiomas, como as grafias, têm natural tendência a evoluir, adaptando-se a outras épocas e a outras exigências.
Não podemos estar eternamente agarrados a um princípio que os tempos se encarregam de mostrar obsoleto.
Basta pegar num livro de Eça de Queiroz ou de Ramalho Ortigão, por exemplo, para constatarmos a evolução que o nosso idioma desenvolveu, sem podermos, de forma alguma, condenar a escrita elaborada desses ou dos novos tempos.
Não vem qualquer mal ao mundo por este novo Acordo Ortográfico. E daqui a uns bons pares de anos, já as pessoas se esqueceram da grafia anterior, acompanhando o reflexo dos estudos desenvolvidos.
E já agora, se no Brasil, "fato" é um "facto", porque lá a vestimenta é "terno", fomos nós que ensinámos as primeiras letras ao país irmão.
Meus Amigos: Esqueçam o fato e procurem encarar os novos fatos. E que os vossos fatos vos assentem como uma luva.
.
Aníbal José de Matos