sábado, 24 de agosto de 2013

Manuel Fernandes Tomaz

Nem todos o querem recordar...
 
 
(Estátua de Manuel Fernandes Tomaz, na Praça 8 de Maio, na Figueira da Foz - sua terra natal - , inaugurada em 24 de agosto de 1911.)
 
Na data em que se assinala a revolução, nascida do Sinédrio, que devolveu a liberdade a Portugal, penso ser oportuno reproduzir aqui as palavras de José Hermano Saraiva, no seu programa "A Alma e a Gente", que, ontem, a RTP, através do canal Memória, transmitiu em repetição:
 
“(…) a partir da Revolução [1820] [Fernandes Tomás] não tem senão cargos políticos. Ele está em Lisboa, ele dirige as cortes constituintes, é ele quem praticamente exerce o governo todo, é ele quem faz as reformas e esses cargos são gratuitos; e Fernandes Tomaz não é rico.
Para um homem que trabalha, que não ganha um real, tem mulher e tem filhos, que solução?
Deixa de comer e continua a trabalhar.
É claro que isto dura pouco tempo. A certa altura adoece, deixa de ir à Câmara dos Constituintes, está cinco dias a faltar, e a Câmara pergunta: O pai da Pátria? Porque toda a gente o reconhece como o Patriarca da Liberdade, o pai da pátria portuguesa, a maior figura, tem todo o poder nas suas mãos. Porque é que ele está doente?
Vão à casa dele [na Figueira da Foz], - era uma casinha modesta, não tinha dinheiro para outra coisa -. Veem-no na cama e veem a doença que ele tinha:  o pai da pátria estava a morre de fome.
Ainda se faz uma subscrição para comprar uma galinha para uns caldinhos, mas a subscrição não veio a tempo e o Patricarca da Liberdade morreu por falta de alimento. Esta lição é das mais impressionantes, é das mais arrepiantes que a historia de Portugal nos conta hoje. Talvez por isso ninguém a quer lembrar.”
 
Para que muitos meditem nestas palavras...

Sem comentários: