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Rancho das Cantarinhas de Buarcos |
Nas noites mansas e suaves do dealbar de Junho, erguiam-se por travessas e ruas do Monte e Vale, as primeiras fogueiras em honra e louvor dos Santos casamenteiros.
Pedinchavam-se por tanoarias, carpintarias, obras de mestres pedreiros, quanta risca de plaina ou tábua velha se pudesse conseguir. E armava-se uma dança com estalidos de dedos e cantigas com trilos de rouxinóis.
A Figueira teve ranchos populares, como nenhuma terra do país.
Nem Coimbra, a terra das fogueiras e dos descantes ao luar, lhe levou a palma.
Havia por todo o Monte, Vale e Bairro Novo – ranchos de nomeada e renome em toda a banda – de lés-a-lés do país.
Eram as Camélias jeitosas do Vale, e a as Carvoreiras, do Largo do Carvão.
Pedinchavam-se por tanoarias, carpintarias, obras de mestres pedreiros, quanta risca de plaina ou tábua velha se pudesse conseguir. E armava-se uma dança com estalidos de dedos e cantigas com trilos de rouxinóis.
A Figueira teve ranchos populares, como nenhuma terra do país.
Nem Coimbra, a terra das fogueiras e dos descantes ao luar, lhe levou a palma.
Havia por todo o Monte, Vale e Bairro Novo – ranchos de nomeada e renome em toda a banda – de lés-a-lés do país.
Eram as Camélias jeitosas do Vale, e a as Carvoreiras, do Largo do Carvão.
São tão bonitas as carvoeiras
São tão formosas as feiticeiras…
As Rosas, na rua do mesmo nome. A Chalupa, do José Carlos da Silva Pinto, o Trovador, na Rua dos Banhos, do João Simões “Padeiro” e o Vapor, o célebre Rancho do Vapor [o hino do rancho é hoje hino oficial da Figueira da Foz] – com seus figurantes fardados de oficiais de marinha, o Manuel Dias Soares (vulgo Manuel Rola, um fino temperamento de artista) a chefiá-lo e a enchê-lo de triunfo, numa visita a Lisboa que deu brado!
Ainda hoje [estávamos em 1945] as Cantarinhas de Buarcos, com seus potes enramalhetados à cabeça, o Rancho das Rosas e o das Flores de Portugal – garridas gentes moças cheias de viço de frescura, de airosa graça, rutilante donaire e alegre desembaraço – seguem a tradição gloriosa.
Maurício Pinto, in “Aspectos da Figueira da Foz”













