"Serão Figueirense", na Casa das Beiras, em Lisboa, em Maio de 1941
Na noite de 4 de Maio de 1941, vão decorridos 65 anos, teve lugar na Casa das Beiras, em Lisboa, promovido pela Comissão de Propaganda da Comissão Municipal de Turismo da Figueira da Foz, um “Serão Figueirense”, em que proferiu uma conferência António Augusto Esteves, que usava o pseudónimo de Carlos Sombrio, e ficou ligado ao panorama cultural da praia da Claridade. (Nasceu a 29 de Julho de 1894 e faleceu em 25 de Março de 1949).No “Serão”, em que Carlos Sombrio falou das actividades culturais do concelho, das suas tradições, e em que actuou a Filarmónica Figueirense, sob a regência de António Campos,
A conferência foi, posteriormente, publicada numa brochura, impressa na Tipografia Nogueira e divulgada pela Papelaria Moderna, ambas sedeadas na Figueira.
Da intervenção de Carlos Sombrio, reproduzo algumas curtas passagens, apenas com o intuito de se aquilatar da veia literária do seu autor e do amor que dedicava à sua terra natal, como se pode apreciar pela exaltação que fez da sua cidade:
“A Figueira da Foz está, para quem a visita, dentro dos motivos que seduzem pelos seus encantos, - e que encantam pelas suas seduções. A chamada “Praia da Claridade” constitui um cartaz vibrante e atraente, álacre e ruidoso, turisticamente falando. Mas a vibração da sua luz espelhante, o seu “ar” de donzela formosa mas recatada, os seus múltiplos motivos de encantamento, seduzem quem a visita, de tal maneira que a saudação começa mal os olhos poisam nessa nesga de terra que o mar num louco desejo abraça, fazendo dela sua escrava – e sua senhora”.
“A praia, na curva harmoniosa e grácil da sua enseada, desenha-se no traço elegante de meia-lua, clara, luminosamente clara, semeada de barracas brancas lembrando vasto acampamento de gaivotas cansadas de voar… No ajuntamento dos telhados, o Bairro Novo, centro de turismo, onde as multidões se acotovelam, no Picadeiro, com cafés repletos de assistência; o Grande Casino Peninsular,- grande na própria Península, luxuoso transatlântico poisado neste abraço azul do Oceano”.
AJM
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