Esperando.
I
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Vizinha dos meus pecados,
não se abre hoje essa janela?
E eu aqui com mil cuidados!
E eu aqui de sentinela!
.
Tenho os olhos estafados
já de olhar tanto para ela,
vizinha dos meus pecados!
Não se abre hoje essa janela?
.
Imóveis os cortinados;
nem um sinal me revela
os teus dedos afusados
afastando a bambinela,
vizinha dos meus pecados!
.
II
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Meio-dia e o sol encoberto,
sem no céu haver neblina!
Com o enigma não acerto,
nem vejo quem m'o defina!
.
Talvez, do azul no deserto,
com a estrada não atina...
Meio-dia e o céu encoberto,
sem no céu haver neblina!...
.
Mas agora é que eu desperto!
É a implacável cortina
assim fechada, de certo,
que faz que seja, menina,
Meio-dia e o céu encoberto!
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Acácio Antunes - 1914
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Poeta figueirense (nasceu a a 26 de Agosto de 1853 e faleceu, em Lisboa, a 2 de Abril de 1927), Acácio Graciano Antunes Brás de seu nome completo, foi jornalista e autor teatral. Faz parte da toponímia figueirense.
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