sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Poesia

Esperando
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I

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Vizinha dos meus pecados,

não se abre hoje essa janela?

E eu aqui com mil cuidados!

E eu aqui de sentinela!

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Tenho os olhos estafados

já de olhar tanto para ela,

vizinha dos meus pecados!

Não se abre hoje essa janela?

.

Imóveis os cortinados;

nem um sinal me revela

os teus dedos afusados

afastando a bambinela,

vizinha dos meus pecados!

.

II

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Meio-dia e o sol encoberto,

sem no céu haver neblina!

Com o enigma não acerto,

nem vejo quem m'o defina!

.

Talvez, do azul no deserto,

com a estrada não atina...

Meio-dia e o céu encoberto,

sem no céu haver neblina!...

.

Mas agora é que eu desperto!

É a implacável cortina

assim fechada, de certo,

que faz que seja, menina,

Meio-dia e o céu encoberto!

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Acácio Antunes - 1914

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Poeta figueirense (nasceu a a 26 de Agosto de 1853 e faleceu, em Lisboa, a 2 de Abril de 1927), Acácio Graciano Antunes Brás de seu nome completo, foi jornalista e autor teatral. Faz parte da toponímia figueirense.

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