sábado, 13 de fevereiro de 2010

Imprensa

Face (mesmo) oculta,
ou demasiado às claras

Sinceramente não entendo, ou então o que me está a passar pela cabeça tem algum cabimento, se bem que direccionado em sentido algo tenebroso.
Em primeiro lugar tenho uma opinião formada a respeito da política e, sobretudo, dos políticos, e, no que concerne a ideias negativas, salvaguardo algumas personalidades que, segundo julgo, ainda agem no pressuposto de servir e não de servir-se.
Ora bem, ou ora mal, o que não percebo é os contornos deste apelidado processo de “Face Oculta”, que tanta celeuma levantou, parecendo que o país desabava (inclinado já está e muito) pelo facto dum jornal, na circunstância o semanário “SOL” ter publicado aprofundada matéria relacionada com as escutas que, entretanto, haviam sido consideradas nulas e de nenhum efeito.
A preocupação foi de tal grandeza que foi emitida uma providência cautelar tendente a impedir que a edição impressa daquele órgão de comunicação saísse da gráfica, mas a cujo cumprimento se furtaram, habilidosamente, direcção e jornalistas, como aconteceu, algumas vezes, nos tempos da velha senhora.
Em jogo a decisão ou decisões judiciais (que também se contradisseram) de não dar valimento às tais escutas que, ao que parece, comprometiam (ou comprometem) destacados elementos, alguns do governo, acusados de procurarem calar órgãos da comunicação social pelo facto de emitirem opiniões contrárias às altas esferas da governação.
Fala-se em segredo de justiça, mesmo quando os processos já transitaram em julgado.
Diz-se, por outro lado, que o conteúdo das escutas não compromete ninguém, e, então, a sua publicação, não teria o mínimo interesse…
Mas afinal em que ficamos?
Quem ler o contido nas páginas do “SOL”, “obrigado” a uma edição extra, fica, como eu fico, pasmado ante o recheio das mesmas não entendendo, como eu não entendo, por que se chega à conclusão de que essas mesmas conversas telefónicas são de nula importância e se optou, pura e simplesmente, pelo seu arquivamento, quando houve juízes que se pronunciaram contra essa decisão.
Por favor, expliquem-me, porque, sinceramente, sinto-me completamente a leste destes pecados ou não pecados, deste ser ou não ser.
Mas que a preocupação de suspender a tal publicação tem o condão de gerar fortes suspeitas, disso ninguém tenha dúvidas.
Diz-se que é crime a divulgação das escutas mas que não é crime o nelas contido!!!
O folhetim continua, aguardando, com uma certa ansiedade, pelo desenrolar dos próximos episódios…

AJM

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