Figueirenses esquecidos !!!



Da obra de Maria da Conceição Vilhena, intitulada GUNGUNHANA NO SEU TEMPO, destaca-se a figura dum figueirense, Diocleciano Fernandes das Neves, “, homem justo, austero, íntegro, que manteve sempre boas relações com os negros e o muito que teve a sofrer foi da parte dos governadores portugueses.”.
Diocleciano nasceu na Figueira da Foz em 1829, falecendo em Serranine, Moçambique, a 24 de Fevereiro de 1883.
Conforme pode ler-se em FIGUEIRENSES DE ONTEM E DE HOJE, de Fausto Caniceiro da Costa, “rumou a África e em 5 de Outubro de 1855 desembarca em Lourenço Marque (hoje Maputo)”.
Ainda segundo Maria da Conceição Vilhena, “Na sua correspondência, não só se queixa das injustiças de que foi vítima, ao exigirem-lhe impostos sobre as terras que Muzila lhe havia concedido, como se revolta contra os roubos praticados pelos seus compatriotas. Não admira, pois, que também Muzila tenha tido decepções a respeito dos portugueses, como se depreende das palavras do missionário Frei Sadeleer, na sua carta de l-II-1881, publicada em Trois ans dans 1'Afrique Australe:
"Je crains bien que nous ne puissions continuer à résider dans lê pays d'Umzila. Ce chef ne veut pás que nous ayons dês rapports avec lês Portugais; or, Ia voie Ia plus courte pour nous approvisionner, c'est évidemment Ia cote de Sofala. Umzila deteste lês Portugais, parce que, dit-il, lês hommes de cette nation, (c'est-à-dire, lês métis qui trafiquent à 1'intérieur), lui enlèvent sés boeufs et quelquefois même sés esclaves."
Recorde-se que Muzila Muzila ou Mzila, foi rei do Império de Gaza, no território do actual Moçambique, entre 1861 e 1884 e era pai de Ngungunhane (Gungunhana)
Ainda, citando a obra, “Vários escritores da época afirmam que Muzila enviou dois regimentos para prestar honras fúnebres aquando da morte de Diocleciano. Todavia nada consta no Relatório do alferes Albino Augusto Pinto de Magalhães, especialmente enviado ao Bembe, em Fevereiro - Março de 1883,"a fim de sepultar o cadáver do finado Diocleciano das Neves e arrecadar o seu espólio".
Embora respeitado e estimado por todos os indígenas, Diocleciano morreu na maior solidão e foi enterrado já em estado de putrefacção, no dia 9 de Março, quando o seu falecimento se havia dado em 24 de Fevereiro. O relator refere que ao seu enterro "não houve um só indígena que deixasse de comparecer", não fazendo a menor alusão às impis do Muzila.
Na margem sul do rio Limpopo, a poucos quilómetros da foz, existe uma campa com uma enorme cruz (na imagem) que se avista a grande distância e se destaca no meio da planície ribeirinha. O local não fica longe do Zongoene Lodg e os barcos de recreio deste hotel, que levam os turistas em passeio pelo rio, passam frequentemente ao lado desta campa cuja história é para muitos desconhecida.
Mas a população da zona, sobretudo os mais velhos, ainda se recordam da sua história. Ali está enterrado o Mafambacheca, nome pelo qual era conhecido em todo o sul do Save o negociante
de marfi m português, Diocleciano Fernandes das Neves. Ele foi amigo pessoal de Muzila, e desempenhou um papel importante na luta entre este e o seu irmão Mawewe, pela sucessão ao trono do Reino de Gaza, após a morte de Sochangane em 1858.
Diocleciano, em 1859, abandonou a função pública para se dedicar ao negócio do marfi m, que passara a ser a principal actividade comercial no sul de Moçambique na segunda metade do século XIX, após o declínio do tráfico de escravos.
Diocleciano nasceu na Figueira da Foz em 1829, falecendo em Serranine, Moçambique, a 24 de Fevereiro de 1883.
Conforme pode ler-se em FIGUEIRENSES DE ONTEM E DE HOJE, de Fausto Caniceiro da Costa, “rumou a África e em 5 de Outubro de 1855 desembarca em Lourenço Marque (hoje Maputo)”.
Ainda segundo Maria da Conceição Vilhena, “Na sua correspondência, não só se queixa das injustiças de que foi vítima, ao exigirem-lhe impostos sobre as terras que Muzila lhe havia concedido, como se revolta contra os roubos praticados pelos seus compatriotas. Não admira, pois, que também Muzila tenha tido decepções a respeito dos portugueses, como se depreende das palavras do missionário Frei Sadeleer, na sua carta de l-II-1881, publicada em Trois ans dans 1'Afrique Australe:
"Je crains bien que nous ne puissions continuer à résider dans lê pays d'Umzila. Ce chef ne veut pás que nous ayons dês rapports avec lês Portugais; or, Ia voie Ia plus courte pour nous approvisionner, c'est évidemment Ia cote de Sofala. Umzila deteste lês Portugais, parce que, dit-il, lês hommes de cette nation, (c'est-à-dire, lês métis qui trafiquent à 1'intérieur), lui enlèvent sés boeufs et quelquefois même sés esclaves."
Recorde-se que Muzila Muzila ou Mzila, foi rei do Império de Gaza, no território do actual Moçambique, entre 1861 e 1884 e era pai de Ngungunhane (Gungunhana)
Ainda, citando a obra, “Vários escritores da época afirmam que Muzila enviou dois regimentos para prestar honras fúnebres aquando da morte de Diocleciano. Todavia nada consta no Relatório do alferes Albino Augusto Pinto de Magalhães, especialmente enviado ao Bembe, em Fevereiro - Março de 1883,"a fim de sepultar o cadáver do finado Diocleciano das Neves e arrecadar o seu espólio".
Embora respeitado e estimado por todos os indígenas, Diocleciano morreu na maior solidão e foi enterrado já em estado de putrefacção, no dia 9 de Março, quando o seu falecimento se havia dado em 24 de Fevereiro. O relator refere que ao seu enterro "não houve um só indígena que deixasse de comparecer", não fazendo a menor alusão às impis do Muzila.
Na margem sul do rio Limpopo, a poucos quilómetros da foz, existe uma campa com uma enorme cruz (na imagem) que se avista a grande distância e se destaca no meio da planície ribeirinha. O local não fica longe do Zongoene Lodg e os barcos de recreio deste hotel, que levam os turistas em passeio pelo rio, passam frequentemente ao lado desta campa cuja história é para muitos desconhecida.
Mas a população da zona, sobretudo os mais velhos, ainda se recordam da sua história. Ali está enterrado o Mafambacheca, nome pelo qual era conhecido em todo o sul do Save o negociante
de marfi m português, Diocleciano Fernandes das Neves. Ele foi amigo pessoal de Muzila, e desempenhou um papel importante na luta entre este e o seu irmão Mawewe, pela sucessão ao trono do Reino de Gaza, após a morte de Sochangane em 1858.
Diocleciano, em 1859, abandonou a função pública para se dedicar ao negócio do marfi m, que passara a ser a principal actividade comercial no sul de Moçambique na segunda metade do século XIX, após o declínio do tráfico de escravos.
Mafambacheca (ou Mafambahleca) significa, nas línguas Ronga e Changane, “aquele que caminha
rindo” e Diocleciano recebeu esta alcunha por ser um homem alegre, bem disposto e com um apurado sentido de humor. Ele falava Ronga, Changane e Zulu fluentemente e foi talvez o primeiro português a escrever em línguas Bantu, como se pode ver no livro que publicou em Lisboa em 1878, “Itinerário de Uma Viagem à Caça dos Elefantes”.
rindo” e Diocleciano recebeu esta alcunha por ser um homem alegre, bem disposto e com um apurado sentido de humor. Ele falava Ronga, Changane e Zulu fluentemente e foi talvez o primeiro português a escrever em línguas Bantu, como se pode ver no livro que publicou em Lisboa em 1878, “Itinerário de Uma Viagem à Caça dos Elefantes”.
Entre os falantes de língua Zulu ou Ngúni ele era conhecido como Maambatabil, que tem o mesmo significado que Mafambacheca.
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