Mestre, o mar se revoltaMestre, o mar se revolta,
As ondas nos dão pavor,
O céu se reveste de trevas,
Não temos um salvador?
Não se Te dá que morramos?
Podes assim dormir,
Se a cada momento nos vemos
Já prestes a submergir?
As ondas atendem ao Meu mandar, sossegai!
Seja o encapelado mar,
A ira dos homens, o génio do mal;
Tais águas não podem a nau tragar,
Que leva o Mestre do céu e mar,
Pois todos ouvem o meu mandar;
Sossegai! Sossegai!
Convosco estou para vos salvar; sossegai!
Mestre, tão grande tristeza
Me quer hoje consumir;
E a dor que perturba minha alma
Te implora: Vem-me acudir!
De ondas do mar que me encobrem,
Quem me fará sair?
Eu pereço, pereço, ó Mestre;
Te rogo, vem-me acudir!
Mestre, chegou a bonança;
Em paz vejo o céu e o mar;
O meu coração goza calma,
Que não poderá findar,
Fica comigo, ó Mestre,
Dono da Terra e Céu,
E assim chegarei bem seguro
Ao porto, destino meu.
Manuel Camargo
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