“A gargalhada nem é um
raciocínio, nem uma ideia, nem um sentimento, nem uma crítica: nem é o desdém,
nem é a indignação; nem julga, nem repele, nem pensa; não cria nada, destrói
tudo, não responde por coisa alguma! E no entanto é o único inventário do mundo
político em Portugal.
Um governo decreta? Gargalhada. Fala? Gargalhada. Reprime? Gargalhada. Cai? Gargalhada. E sempre a política, aqui, ou pensando, ou criando, ou liberal ou opressiva, terá em redor dela, diante dela, sobre ela, envolvendo-a, como a palpitação de asas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente, vibrante, cruel, implacável – a gargalhada!”
Um governo decreta? Gargalhada. Fala? Gargalhada. Reprime? Gargalhada. Cai? Gargalhada. E sempre a política, aqui, ou pensando, ou criando, ou liberal ou opressiva, terá em redor dela, diante dela, sobre ela, envolvendo-a, como a palpitação de asas de uma ave monstruosa, sempre, perpetuamente, vibrante, cruel, implacável – a gargalhada!”
Eça de Queiroz (1845 - 1900)
Escritor português.
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