“Os partidos da oposição
tradicional são uma ficção de oposição, pois nunca constituíram (por vontade
própria ou por incapacidade política) uma efetiva alternativa de governo. O PSD
sucede impreterivelmente ao PS e este substitui inexoravelmente aquele, seja
qual for a gravidade dos erros ou os crimes que cada um deles tenha cometido no
governo. O PCP, vigiado pela extrema-esquerda (primeiro a UDP e depois o BE),
faz sempre aquilo que melhor sabe fazer: organizar greves e manifestações.
Todos sabem que, na altura da prestação de contas (eleições), o partido que
está de saída voltará depois de o seu sucessor mostrar que é igual a si, ou
seja, depois de fazer o mesmo ou pior do que o anterior. A situação atingiu,
pois, a mesma viscosidade política que o Partido Progressista e o Partido
Regenerador criaram no final do século XIX.”
António Marinho e Pinto (eurodeputado), ao "CORREIO DA MANHÃ"
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