Coligados no bota-abaixo
Tudo leva a crer que
o governo liderado por Passos Coelho, indigitado para o efeito pelo presidente
da República, Cavaco Silva, vai ser derrubado pelos partidos da esquerda
portuguesa, pese o facto de cada um deles, de per si, ter sido derrotado pela força
PSD/CDS nas recentes eleições legislativas.
O Partido Comunista
e o bloco de Esquerda, que durante a anterior legislatura, se atiraram com
unhas e dentes ao Partido Socialista, acusando-o de se portar como uma força da
direita, abraçam, agora, com um carinho que todos sabem soar a falso, a
liderança de António Costa, apenas com o objetivo mais do que evidente, de
deitar abaixo os que governaram Portugal nos últimos quatro anos.
O momento é de
reflexão e de alguma perplexidade, ou melhor, de forte apreensão pelos tempos
vindouros, já que uma grande parte dos portugueses teme que os enormes sacrifícios
que lhes foram exigidos, para que Portugal não caísse na bancarrota, o tenham
sido em vão.
As promessas são
muitas, a esmagadora maioria dos portugueses deseja que a vida lhes sorria de
forma duradoura, esquecendo-se que os frutos têm que ter a sua proveniência, o
dinheiro não vai cair do ar e não é com pontapés nas pedras que a riqueza vai
brotar.
A verdade é que todos
esperam por dias melhores, porque ainda há quem acredita no Pai Natal, na
varinha mágica e nos contos de fadas.
Uma coisa é certa: A
esquerda coligou-se para o bota-abaixo. Formulam-se votos para que continue
assim unida para o bem-estar dos portugueses sem que, a breve trecho, tenha de
nos ser exigido muito mais do que o foi nos anos recentes.
Que a febre do poder
não atraiçoe os que ainda acreditam em doces trilhos de promessas.
* Este artigo pode ser lido em

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