terça-feira, 24 de outubro de 2006

O estuário está mesmo vivo?


Afinal o estuário está vivo e recomenda-se

A ONU colocou o estuário do Mondego na lista das 200 zonas marítimas mortas do mundo. Cientistas e políticos afirmam que o relatório não faz sentido.
Cientistas e políticos portugueses foram apanhados de surpresa pelo relatório divulgado pela ONU em Pequim, China, durante o fim-de-semana.
O documento, elaborado pela equipa de Robert Diaz, da Universidade de Virgínia, Estado Unidos, coloca o estuário do Mondego na “lista negra” das 200 zonas marítimas mortas do planeta.
João Carlos Marques, do Instituto do Mar, não encontra argumentos científicos para sustentar o relatório do seu colega norte-americano. O cientista da Universidade de Coimbra monitoriza o estuário do Mondego há 20 anos. No seu entender, as conclusões de Robert Diaz são anacrónicas e exageradas.
“Mesmo que o relatório se baseasse em estudos feitos há 10 anos, continuaria a ser exagerado”, garante João Carlos Marques. Ora, desde então têm sido tomadas medidas que visam a protecção e revitalização da biodiversidade da zona estuarina. Em Maio último, por exemplo, foi restabelecida a ligação entre os braços norte e sul do Mondego, criando mais oxigenação na água.
No pior ponto do Estuário, reportando-nos ao passado, assegura o cientista português, nunca se poderia falar de zona morta. “Há dez anos atrás, eu diria que havia um sistema com eutrofização, mas nunca um sistema morto”, afiança João Carlos Marques. Por isso, conclui: “O relatório (da ONU) não faz qualquer sentido”.
E agora?
Duarte Silva ficou “surpreendido com as notícias”. O presidente da Câmara da Figueira também não encontra argumentos que sustentem o famigerado relatório. Mas não acredita que o mesmo possa prejudicar a imagem do concelho. Mas há, no entanto, quem pense de forma diferente.
Uma equipa da Universidade de Coimbra tem a seu cargo a elaboração do Plano de Ordenamento da Ilha da Morraceira. “Quem vai querer fazer ecoturismo numa ilha situada num estuário “morto”?”, pergunta João Carlos Marques. E agora? “Agora, a comunidade científica pode sustentar a acção diplomática do Governo, que deve contestar o relatório”, defende o cientista.
Jot'Alves, in "AS BEIRAS"
Afinal, há muito mais gente a querer tramar a Figueira. E será que têm razão para isso? Fica a pergunta.

2 comentários:

Anónimo disse...

Gostaria de saber mais sobre o dito relátório, embora esteja reconhecido com a chancela da ONU, hoje em dia, tal, não quer dizer absolutamente grande coisa, convenhamos. Que cientistas nacionais estiveram envolvidos nele? O governo da nação teve conhecimento das investigações, certamente efectuadas por alguma equipa de investigadores que no local efectivaram estudos que lhes possibilita-se chegar a semelhante conclusão? Como já estamos habituados a que os norte-americanos não saibam e não conheçam o mundo que os rodeia, seria conveniente investigar a proveniência do dito relatória e a cientificidade do mesmo.

ANÍBAL JOSÉ DE MATOS disse...

Penso que a sua argumentação, bem arquitectada, é válida.
Todavia, algo nos diz que o assunto não é, assim, não evidente.
Concordo em que se deverá aprofundar a proveniência do relatório e a sua cientificidade.
Mas, convenhamos, algo não estará tão bem como, naturalmente, desejaríamos.
A seu tempo, julgo eu, a resposta correcta surgirá.
Obrigado pela sua colaboração e este blog tem sempre as portas escancaradas para si e todos os que venham por bem.
Cumprimentos.
Aníbal