domingo, 18 de fevereiro de 2007

Carnaval

Carnaval


Carnaval (a outra máscara)

Desliza a mascarada impenitente
Num grotesco cortejo de figuras.
Ecoam gargalhadas de sarcasmo
Ao longo de infindável avenida.


Rasgam-se bocas em riso desmedido
E voam serpentinas de utopia.
E só da ingenuidade das crianças
Sopra forte uma alegria genuína.


E enquanto a fantasia permanece
Nos três dias de estranho carnaval,
Escondem-se verdades dolorosas
Com máscaras de morte a balançar
Em rostos que perecem pela fome!


Na outra margem
O desespero imola-se pelo fogo.


Aníbal José de Matos, no livro CONFLITOS

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