sexta-feira, 20 de abril de 2007

Poesia

Tua frieza aumenta o meu desejo.
Fecho os meus olhos para te esquecer,
e quanto mais procuro não te ver,
quanto mais fecho os olhos, mais te vejo.

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Humildemente atrás de ti rastejo,
humildemente, sem te convencer,
enquanto sinto para mim crescer
dos teus desdéns o frígido cortejo.

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Sei que jamais hei-de possuir-te. Sei
que outro, feliz, ditoso como um rei,
enlaçará teu virgem corpo em flor.

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O meu amor, no entanto, não se cansa:
amam metade os que amam com esperança,
amar sem esperança é o verdadeiro amor.

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Eugénio de Castro

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