O estágio evolutivo em que se encontra a humanidade, o da civilização, mostra que, no processo, o regime da força, dos instintos animalescos, foi substituído pelo da astúcia.
Procura-se a vitória utilizando-se máscaras, que escondem a verdadeira personalidade do seu utilizador.
Assim se porta a maioria da nossa sociedade e o exemplo mais enfático é o da nossa classe política.
Com honrosas excepções, o que se esconde por trás da beleza das máscaras com que se apresentam os nossos políticos?
A arte de se mascarar, historicamente marcante no carnaval de Veneza, pode ser tomada como emblema para a astúcia do actual estágio evolutivo do homem civilizado.
A máscara tem sido a sua principal arma para a conquista dos seus objectivos nem sempre confessáveis.
Na sociedade tem sido apenas mais uma arma para esconder fragilidades de personalidade.
A evolução, através da espiritualização, vai mostrar-nos por inteiro, como de facto somos.
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Carlos Drummond de Andrade
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