Abril cinzento
Canta-se Abril em Portugal
Ou chora-se um Abril atraiçoado?
A equidades prometidas
Assimetrias consolidadas.
Verdades transformaram-se em mentiras,
As distâncias são mais longas,
Mais tortuosos os caminhos.
Nem os cravos já disfarçam
O cinzento dos jardins da utopia,
Porque Portugal adormeceu
Na ilusão de um paraíso
Que descambou num caudal de angústias
E de expressões sem sentido.
Descolonizámos e colonizámo-nos a nós.
O clarão da liberdade
Esfumou-se nas diferenças.
A paz podre da solidão
Coloriu-se com a solidariedade dos famintos,
Dos que perderam a esperança
Numa primavera sem alcance
dum túnel sem saída.
As igualdades tombaram
Em mares de fantasia.
À ditadura que castrava
Sucede a abissal diferença
Entre os que podem,
de sorriso de escárneo,
Dominar os que deambulam pelas esquinas!
Aníbal José de Matos – 25 de abril de 2012
1 comentário:
A angústia da verdade neste poema de Abril cinzento. Lindo!...
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