Assaltado o Banco de Portugal,
na Figueira da Foz
Palma Inácio (falecido em 14 de julho
de 2009), adversário do regime salazarista, protagonizou (foi o chefe da
missão), em 1967, o maior assalto alguma vez praticado em Portugal.
Aconteceu na Figueira da Foz, a 17 de
maio de 1967, na dependência do Banco de Portugal, situado na Praça General
Freire de Andrade.
A Figueira andou pelas bocas do
mundo. Os assaltantes cortaram "todas" as vias telefónicas,
"esquecendo-se" das do caminho de ferro, por onde eu, na altura
correspondente do Comércio do Porto, enviei pouco depois a notícia que... a
censura cortou!!!
Palma Inácio viria, mais tarde, a dar
uma conferência no pavilhão do Liceu Figueirense (atual Escola Joaquim de
Carvalho), onde deu conta dos pormenores da façanha.
Foi, na ocasião, atribuída a Salazar,
segundo o Diário de Notícia, esta frase relativa ao acontecimento:
"Ainda em 1967 bandidos
comunistas assaltam a dependência do Banco de Portugal na Figueira da Foz e
fogem com o dinheiro, que não é pouco. Mas o que é que andam a fazer a PIDE e a
GNR e a PSP? Até essas forças já me falham?"
O revolucionário e militante de base
do Partido Socialista Hermínio da Palma Inácio, que já se havia celebrizado
pelo primeiro desvio político de um avião (1961) e pelo assalto ao Banco de
Portugal, faleceu vítima de cancro.

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