
Quadras a S. João
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No dia de S. João
Há fogueiras e folias
Gozam uns e outros não
Tal como nos outros dias.
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Aqui tens meu coração
Decide da sua sorte
Mas olha que S. João
É contra a pena de morte.
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Quando as saias arregaça
Para bailar livremente
Maria, cheia de graça
Faz a desgraça da gente.
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Teus lindos olhos cravaste
Nas fogueiras, com ciúme
E de novo incendiaste
As próprias cinzas do lume
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.Da imensa cascata erguida
Sobre este monte bizarro
Apenas somos, na vida,
Pobres bonecos de barro.
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Trocaste um passo na roda
E desse passo mal dado
Houve arroz doce na boda
Que sabia a baptizado.
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Ficar sem festa e sozinha
É tudo quanto me resta
Porque os foguetes que tinha
Deitei-os antes da festa.
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Povo! Na tua fé louca
Cantavas pra não chorar!...
Hoje sem cravos na boca
Choras de poder cantar.
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Com certas moças não brinco
Em noite de S. João
São como porta sem trinco
Que faz de um homem ladrão.
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Tenho o salário em atraso
Mas vou pra rusga contente
Hoje o meu contrato a prazo
É de amor a toda a gente.
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Acabada a reinação
Vim da festa acompanhado.
Quis passar por gavião,
Acabei pombo anilhado.
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Estas algumas das quadras publicadas ao longo dos anos no Jornal de Notícias, alusivas às Festas em honra de S. João.
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A propósito, vêm-me à memória duas quadras, publicadas no extinto jornal OS RIDÍCULOS.
A primeira, premiada, da autoria do poeta figueirense Emanuel Cruz, é assim:
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Tenho por ti S. João,
uma fé que não disfarço.
Deste-me um balão em Junho
que andou no ar até Março.
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O jornal, achando a maior graça à quadra, respondeu desta maneira:
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Tenha cuidado que as contas
saem erradas às vezes,
assim como há de nove
também há de sete meses...
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As festas de S. João, na Figueira da Foz, têm alguma tradição.
A esse respeito, transcrevo o que consta do livro ASPECTOS DA FIGUEIRA DA FOZ, publicado em 1945, numa edição da Comissão Municipal de Turismo, e assinado por Maurício Pinto e Raimundo Esteves:
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"Pelo S. João queimavam-se as alcachofras. Abriam-se ovos sobre água que enchia terrinas e copos - a saber dos místeres de futuros maridos. E na madrugada benta, ofertava-se uma moeda de cinco reis ao primeiro pobre que se topava e inquiria-se de seu nome - que seria o do homem que S. João lhes destinava."
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"Ao pontual bater da meia-noite, era o Banho Santo - que curava de maleitas, quartãs, febres e de toda a doença e mal-querer.
Vinham das terras morenas das Beiras, dos campos verdes e viçosos de Coimbra à beira-rio, dos pinhais de Leiria, alfombrado de macias sombras - com seus farnéis em taleigas e pipos ao tiracolo, gentes sortidas com seus trajos garridos - chalezinho no braço das beiroas, chinelinho de verniz das moças de Taveiro e Formoselha, caçoilinho redondo de feltro das cachopas das terras semeadas a pinhal, pelo Senhor Rei D. Diniz."



































