sábado, 16 de setembro de 2006

Estavam à espera de quê?

APITO DOURADO

Estou mesmo a ver que a montanha vai parir um rato.
Vem isto a propósito duma local publicada no Expresso, assinada por Ricardo Jorge Pinto, cujo título é uma premonição em que todos acreditam (ou quase todos, porque ainda há ingénuos), e é do seguinte teor: “Apito dourado ameaça ruir”.
E, para melhor elucidação, passo a citar uma ou outra passagem: “O processo Apito Dourado deve entrar em fase de instrução nos próximos dias, mas encontra-se sob três ameaças que podem fazer cair as acusações sobre os 27 arguidos (13 deles árbitros)”.
E o articulista esclarece, falando da possibilidade “de os tribunais declararem ilegais as escutas”, “inconstitucionalidade da Lei da Corrupção Desportiva” e, ainda, o facto de “estarem a ser arquivados alguns casos em tudo idênticos aos que servem de base à maioria das acusações, podendo abrir precedentes jurídicos”.
Nas, no fundo, estava-se à espera de quê?
Não se está mesmo a ver que, a coberto de se libertar das acusações a raia graúda, os mais pequenos também acabam por beneficiar desta autêntica vergonha que se passa no futebol português?
Afinal, para que serviram as investigações da Polícia Judiciária? Que motivações podem continuar a ter os seus intervenientes se, depois, o seu trabalho vai por água abaixo e tudo fica como dantes, quartel-general em Abrantes?
E atenção, que os processos a arquivar não se vão ficar apenas por aqui (digo eu).
Estão mesmo a ver a que me refiro…
E mais: ao fim e ao cabo vão ver que o Estado, com o nosso dinheiro, ainda acaba por ser condenado a pagar indemnizações aos arguídos que estiveram em prisão preventiva...

ANÍBAL JOSÉ DE MATOS

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