sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Para a história da Figueira - XXXVII

A história não se apaga


Completam-se 40 anos (1966) sobre a data da inauguração do novo porto da Figueira da Foz, acontecimento que registou a presença do presidente da República.
No local existe um marco, que teve inscritas as palavras que descreviam o acto e o seu significado, mas que alguns pseudo-democratas entenderam por bem, após o 25 de Abril de 1974, apagar completamente, retirando todas as letras que assinalavam um passo importante para o desenvolvimento da cidade.
Hoje, está ali um mamarracho, que ninguém sabe o que significa. Já foquei este tema num órgão de comunicação local, mas nada adiantou.
Já não digo que se reponha (o que seria correcto) todo o fraseado que o marco, à entrada do molhe norte delineador da entrada da barra, continha, mas, no mínimo, que ali se coloque uma placa que indique o que o mesmo representa.
Doutra forma, o melhor (?) será tirar dali aquele mono de pedra.
Mas atenção: por mais que muitos queiram, a história não se apaga mesmo que o pretendam fazer os que querem ser mais papistas do que o Papa.
Aníbal José de Matos

6 comentários:

Ricardo disse...

sinceramente não estou a visualizar o marco. onde é q ele está mesmo?

ANÍBAL JOSÉ DE MATOS disse...

Fica no início do molhe norte. Se possível, hoje ainda ou, na pior das hipóteses, amanhã, publico uma fotografia do cujo dito.
Cumprimentos.
Aníbal

Anónimo disse...

desculpe mas a reposição integral do texto seria a mais aconselhada e não se trata de saudosismo ou passadismo trata-se de memória e a efeméride que evoca ( e muito BEM!) passou totalmente ao lado da população em geral,a tal ponto que nem os mais jovens sabem onde fica o memorial!

ANÍBAL JOSÉ DE MATOS disse...

Estou perfeitamente de acordo consigo. Obrigado pela achega.
Na verdade não se trata de saudosismo barato.Penso que apagar a história é um crime até porque, quer se tenha gostado ou não do antigo regime, a juventude deve ter completo conhecimento do passado, tenha ele sido bom ou agreste.
Cumprimentos.

ANÍBAL JOSÉ DE MATOS disse...

E já agora uma adenda:
Há cerca de 50 anos, aquando da inauguração do Estádio Municipal da Figueira da Foz, a Câmara endereçou um convite a Salazar, pedindo-lhe autorização para que fosse o patrono daquele recinto desportivo.
O então presidente do conselho de ministros, em ofício remetido à edilidade figueirense, agrdeceu a deferência mas recusou que o seu nome ali figurasse, lembrando que a Figueira da Foz tinha tido grandes desportistas, sugerindo o nome de José Bento Pessoa.
E foi assim que foi baptizado o referido estádio.
Parece que Salazar já pressentia o que um dia poderia acontecer, e, na verdade, o exemplo veio com a Ponte que tinha o seu nome e que, dum dia para o outro, passou a designar-se 25 de Abril.
Factos da história.
AJM

Anónimo disse...

conheço perfeitamente o episódio que descreve, o que por um lado demonstra que desde a Avenida da Beira Mar ( salvo erro hoje tem o nome de 25 de Abril) tudo ficaria com o seu nome, nas obras que o Estado Novo desenvolveu ou mandou efectivar na Figueira da Foz. Demonstra por um lado um certo seguidismo por parte das elites mandantes figueirenses e um certo saber estar do então governante.