A história não se apaga

Completam-se 40 anos (1966) sobre a data da inauguração do novo porto da Figueira da Foz, acontecimento que registou a presença do presidente da República.
No local existe um marco, que teve inscritas as palavras que descreviam o acto e o seu significado, mas que alguns pseudo-democratas entenderam por bem, após o 25 de Abril de 1974, apagar completamente, retirando todas as letras que assinalavam um passo importante para o desenvolvimento da cidade.
Hoje, está ali um mamarracho, que ninguém sabe o que significa. Já foquei este tema num órgão de comunicação local, mas nada adiantou.
Já não digo que se reponha (o que seria correcto) todo o fraseado que o marco, à entrada do molhe norte delineador da entrada da barra, continha, mas, no mínimo, que ali se coloque uma placa que indique o que o mesmo representa.
Doutra forma, o melhor (?) será tirar dali aquele mono de pedra.
Mas atenção: por mais que muitos queiram, a história não se apaga mesmo que o pretendam fazer os que querem ser mais papistas do que o Papa.
Aníbal José de Matos
6 comentários:
sinceramente não estou a visualizar o marco. onde é q ele está mesmo?
Fica no início do molhe norte. Se possível, hoje ainda ou, na pior das hipóteses, amanhã, publico uma fotografia do cujo dito.
Cumprimentos.
Aníbal
desculpe mas a reposição integral do texto seria a mais aconselhada e não se trata de saudosismo ou passadismo trata-se de memória e a efeméride que evoca ( e muito BEM!) passou totalmente ao lado da população em geral,a tal ponto que nem os mais jovens sabem onde fica o memorial!
Estou perfeitamente de acordo consigo. Obrigado pela achega.
Na verdade não se trata de saudosismo barato.Penso que apagar a história é um crime até porque, quer se tenha gostado ou não do antigo regime, a juventude deve ter completo conhecimento do passado, tenha ele sido bom ou agreste.
Cumprimentos.
E já agora uma adenda:
Há cerca de 50 anos, aquando da inauguração do Estádio Municipal da Figueira da Foz, a Câmara endereçou um convite a Salazar, pedindo-lhe autorização para que fosse o patrono daquele recinto desportivo.
O então presidente do conselho de ministros, em ofício remetido à edilidade figueirense, agrdeceu a deferência mas recusou que o seu nome ali figurasse, lembrando que a Figueira da Foz tinha tido grandes desportistas, sugerindo o nome de José Bento Pessoa.
E foi assim que foi baptizado o referido estádio.
Parece que Salazar já pressentia o que um dia poderia acontecer, e, na verdade, o exemplo veio com a Ponte que tinha o seu nome e que, dum dia para o outro, passou a designar-se 25 de Abril.
Factos da história.
AJM
conheço perfeitamente o episódio que descreve, o que por um lado demonstra que desde a Avenida da Beira Mar ( salvo erro hoje tem o nome de 25 de Abril) tudo ficaria com o seu nome, nas obras que o Estado Novo desenvolveu ou mandou efectivar na Figueira da Foz. Demonstra por um lado um certo seguidismo por parte das elites mandantes figueirenses e um certo saber estar do então governante.
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