segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Futebol

Selecção Nacional de Futebol: Resultados ou (e) exibições?


Os anos que já levo de contacto com o mundo do futebol, quer como mero espectador, quer como profissional da comunicação social, não me deixam, evidentemente, margem para ignorar que, nem sempre, como foi o caso da actuação da selecção nacional de futebol, frente à Arménia, as más exibições correspondem a maus resultados, se bem que o inverso também seja uma realidade.
Diria mesmo mais: uma grande percentagem do público que assiste a jogos de futebol (e não só), prefere mil vezes que a sua equipa jogue mal e ganhe do que jogue bem e perca. Esta é uma verdade insofismável. Do mesmo modo que assistimos muitas vezes a espectadores que abandonam os estádios antes dos jogos chegarem ao seu termo, só porque as equipas de que são adeptos, independentemente das boas ou más actuações, já não terem tempo para dar a volta aos resultados.
A isto se poderá chamar clubite aguda e não desportivismo puro, ou seja: muitos estão-se pura e simplesmente nas tintas para o espectáculo já que apenas lhes interessa os resultados, porque esses é que dão pontos e campeonatos.
Isto a propósito do facto da apelidada “selecção de todos nós” não ter feito uma exibição de arregalar o olho frente à sua congénere da Arménia, apesar de ter triunfado e conseguido, praticamente, o passaporte para o Euro 2008.
E não se queira escamotear as coisas: muitos não gostam do Felipão e não apenas porque deu um sopapo que lhe valeu três jogos de suspensão; outros parâmetros contribuíram para a azia de uns tantos: o afastamento de Vítor Baía do seleccionado foi o ponto de partida; o seu ar de sargento, não dando confiança a ninguém (ou a muitos poucos), fazendo o que lhe dá na real gana (e que tem resultado), causou desagrados bem visíveis nuns tantos, muitos deles uns frustrados.
Um país que durante anos andou na cauda da Europa e do mundo no que respeita a futebol, perdendo com todo o bicho careta, construiu uma selecção que só nos últimos anos começou a ser falada no bom sentido, e que atingiu a final dum campeonato europeu (esta pela mão de Scolari), quer esquecer resultados e fala de exibições, prometendo, inclusivamente, tecer comentários na ponta final. Compreende-se !!!
Imaginemos que um dia conquistaríamos o Campeonato da Europa ou do Mundo, mas após um cortejo de exibições menos conseguidas. Qual seria a reacção?
Para a história ficam os resultados ou as exibições?
Para muitos, a dor é grande pelo êxito de Felipão, apenas o homem que já foi campeão do mundo como seleccionador duma das maiores potências futebolísticas de sempre e que, como exportador de craques, pulveriza todos os recordes.
Pois bem: que Portugal se qualifique e que continue na senda de bons resultados, independentemente das actuações. Claro que, se coincidirem, melhor um pouco, juntando o útil ao agradável ou, melhor dizendo, colocando ouro sobre azul.

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Aníbal José de Matos

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