"Os vestidos singelos, mas elegantes, faziam sobressair-lhe a estatura airosa e bastante desenvolvida para a idade que ele tinha. Conhecia-se haver crescido e vigorado ao ar livre dos campos.
Enquanto eu prosseguia neste meu rápido exame, reparei por acaso em uma rosa vermelha, que Tomás trazia descuidadamente na mão.
Era em tudo semelhante à que já vira ao peito da pequena leiteira.
Seria mera coincidência? Que admirava?
Numa terra e numa estação, em que as rosas vos surgem espontâneas debaixo dos pés, que significação podia ter o facto?
Contudo, o que eu já sabia de Tomás levava-me a conceder mais algum peso à pequena circunstância que observara.
Travei com ele uma conversa banal, sobre mil coisas em que se costuma falar, quando se não quer dizer nada."
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Júlio Dinis, em "Serões da Província"
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