ACONTECEU... ONTEM!
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Acho mesmo que foi ontem!
O calor do jogo
a desfazer de quando em vez
a velha bola de trapos.
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A baliza era o portão,
o grande estádio era o beco
das nossas competições.
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Uma lágrima furtivarespondia por instinto
à dor duma canelada.
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O golo era o lenitivo
para mazelas sofridas
no ardor da finalíssima.
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Soam vidros a quebrar em casa velha
e a fuga desordenada
responde aos gritos de quem
não suporta a garotada.
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Ameaças com polícia
(mesmo à mão de semear)
olhares reprovadores
e a um tempo tolerantes.
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O perigo já passou
e o desafio recomeça
alguns minutos depois.
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Regressam gritos ao beco
e não foi o último vidro a estilhaçar-se.
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Parece mesmo que foi ontem.
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Aníbal José de Matos
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