quarta-feira, 28 de outubro de 2009

CAIM

José Saramago e a Bíblia


"UMA FARSA

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O problema com o furor que provocaram os comentários de Saramago sobrea Bíblia (mais precisamente sobre o Antigo Testamento) é que não devia ter existido furor algum. Saramago não disse mais do que se dizia nas folhas anticlericais do século XIX ou nas tabernas republicanas no tempo de Afonso Costa. São ideias de trolha ou de tipógrafo semianalfabeto, zangado com os padres por razões de política e de inveja. Já não vêm a propósito. Claro que Saramago tem 80 e tal anos, coisa que não costuma acompanhar uma cabeça clara, e que, ainda por cima, não estudou o que devia estudar, muito provavelmente contra a vontade dele. Mas, se há desculpa para Saramago, não há desculpa para o país, que se resolveu escandalizar inutilmente com meia dúzia de patetices.
Claro que Saramago ganhou o Prémio Nobel, como vários "camaradas" que não valiam nada, e vendeu milhões de livros, como muita gente acéfala e feliz que não sabia, ou sabe, distinguir a mão esquerda da mão direita. E claro que o saloiice portuguesa delirou com a façanha. Só que daí não se segue que seja obrigatório levar a criatura a sério.

Não assiste a Saramago a mais remota autoridade para dar a sua opinião sobre a Bíblia ou sobre qualquer outro assunto, excepto sobre os produtos que ele fabrica, à maneira latino-americana, de acordo com a tradição epigonal indígena. Depois do que fez no PREC, Saramago está mesmo entre as pessoas que nenhum indivíduo inteligente em princípio ouve.
O regime de liberdade, aliás relativa, em que vivemos permite ao primeiro transeunte evacuar o espírito de toda a espécie de tralha. É um privilégio que devemos intransigentemente defender. O Estado autoriza Saramago a contribuir para o dislate nacional, mas não encomendou a ninguém - principalmente a dignitários da Igreja como o bispo do Porto - a tarefa de honrar o dislate com a sua preocupação e a sua crítica. Nem por caridade cristã. D. Manuel Clemente conhece com certeza a dificuldade de explicar a mediocridade a um medíocre e a impossibilidade prática de suprir, sobre o tarde, certos dotes de nascença e de educação. O que, finalmente, espanta neste ridículo episódio não é Saramago, de quem - suponho - não se esperava melhor. É a extraordinária importância que lhe deram criaturas com bom senso e a escolaridade obrigatória
."

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Vasco Pulido Valente, in PÚBLICO

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Nota: Vasco Pulido Valente, pseudónimo de Vasco Valente Correia Guedes, nasceu em Lisboa a 21 de Novembro de 1941). Ensaísta, escritor e comentador político.

1 comentário:

Olímpio disse...

Sem falsas modéstias nunca tive a mania que escrevia bem,mesmo no tempo que me chamavam jornalista,ainda estou por saber qual a razão...Depois leio Pulido Valente e fico assim a pensar se devo meter a colherada,mas vou meter sim senhor,porque são homens de saber e tem paciência para os ignorantes.Mas porque não vão os nossos comunistas fazer um estagio de costumes e consumo para Cuba?Acho que Saramago um dia colocou Fidel nas alturas,mas como é possivel esta afronta á dignidade das pessoas.Porque não vai Saramago viver uns tempos para Cuba,é o vais!!!O comunismo tal como é praticado tem os dias contados ,apesar dos cubanos terem a saude e o ensino assegurado,é uma factura paga com lingua de palmo.Estou a prepara um modesto texto sobre o que me chocou em Cuba e gostaria de estar na linha da frente em qualquer manifestação a favor dos direitos humanos do povo cubano.O Sr Saramago que tenha juizo,ou então que faça uma cura em Havana.Olimpio