terça-feira, 10 de agosto de 2010

Figueira da Foz (Portugal)




- Certa noite feiticeira,
- Uma sereia, a cantar,
- Fez-se - Praia da Figueira –
- A linda noiva do Mar.

“Pintor’s do meu país, vinde pintar”,
Com tintas que vos deu a Natureza,
O verde dos pinhais, a cor do Mar,
Desta formosa terra portuguesa.

É todo doiro o Sol, que vem secar
A fina areia pelo Mar beijada.
E, à noite, pela Praia, tem o Luar
A cor da antiga prata cinzelada.

Tendes barcos e redes, alegria
Dos pescador’s que vêm do Mar cantando,
Ao pôr do Sol, já quando morre o dia,
E há ‘spumas nos rochedos, marulhando.

Que linda cor que têm as camisas
Riscadas, ou tecidas em xadrez,
Par’cendo ser, nas ondas, as balizas
A distinguir o povo português!

Entrai dentro das casas. Aguarelas!
Fateixas, e retratos, corações,
Nossa Senhora à doce luz das velas…
Pintai esse murmúrio de orações!

Pintai a esteira do Luar na água,
Lá quando o Mar, cansado, adormeceu.
Em cada estrela, sentireis a mágoa
Dalgum naufrágio que no Mar se deu.

Tardes na Serra; o tom dos pinheirais,
E a vastidão do horizonte, além.
Quiaios… Tavarede… e tendes mais
As cor’s que ao pôr do Sol, este Céu tem.

Pintai a cor da enseada toda!
Ondas do Mar, quieto, enamorado,
Já quando o Sol numa doirada boda,
Desmaia sobre a areia, ensanguentado.

As bandeiras, no “Forte”, estão falando.
Pintai a linda cor dessa falar…
São os “Lugres” da pesca, que chegando,
Esperam a maré, querem entrar.

Pintai a branca neve das salinas,
Na hora de rezar, muito em sossego,
Ouvindo os rouxinois em concertinas,
Nas margens amorosas do Mondego.

Setembro! Não ‘squeçais! Pintai agora
A renda levezinha de cambraia,
Que todas as manhãs, à mesma hora,
O Mar estende a enxugar na Praia.
…..

A Figueira é tudo isto, e este Mar!
Foi Deus que assim o quis, a Natureza.
“Pintor’s do meu País, vinde a pintar”
A mais formosa PRAIA portuguesa!

Arnaldo Forte - 1943

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