quarta-feira, 1 de maio de 2013

9 anos

1 de maio de 2004
1 de maio de 2013

A morte de um tipógrafo
 
 
 
Este era o editorial que nunca gostaríamos de ter escrito. No primeiro de Maio, quando floresce a Primavera e se comemora o Dia do Trabalhador, data que durante muitos anos era assinalada como o Dia do Tipógrafo, morreu um figueirense pelo coração, um beirão de quatro costados, que durante mais de 70 anos foi tipógrafo e jornalista.
Aníbal Correia de Matos faleceu no seu Dia, aquele que salientava uma profissão à qual se devotou com todas as suas forças, desde os 11 anos de idade.
"Vim para a Figueira da Foz em 20 de Setembro de 1926, exactamente no dia em que a cidade fazia 64 anos da sua elevação a esta categoria", dizia aquando da homenagem que o Rotary local lhe prestou. E prosseguia: "A tipografia então chamada Peninsular e que era propriedade de meu tio Joaquim Gomes de Almeida, ficava situada na praça então chamada do Comércio, nos n.ºs 17, 18 e 19, e foi aí que eu comecei logo no dia seguinte, a minha profissão de tipógrafo, com a aprendizagem da caixa, que continha todos os caracteres necessários à composição, nos respectivos caixotins. Aprendiz num único dia, e logo no seguinte compus o anúncio que tratava do concurso para o fornecimento de impressos à Companhia dos Caminhos de Ferro da Beira Alta".
E são dele ainda esta palavras: "Uma vida inteira no jornalismo, principalmente em O Figueirense, a que me entreguei com paixão e com o qual muito me habituei a sofrer, porque a profissão, embora apaixonante, obrigava a sacrifício (..) E se outro valimento já não tenho, porque a idade já vai um tanto avançada, a raiar os 83 anos [faleceu com 88], e a saúde e a vista já são deficientes, foi porque para mais não tive "engenho e arte", embora a Figueira da Foz continue a ser a minha grande paixão e o jornalismo continue a animar a minha vontade e lho demonstrar com a humildade que não posso esconder".
Aquando do descerramento da placa que dá o seu nome a uma artéria local, em 10 de Junho de 2001, proferiu, estas sentidas palavras: "O que fiz eu para merecer tal homenagem? Fiz o que entendi ser o meu dever de cidadão amigo da terra que adoptou como a sua, e fiz o que todo o figueirense devia fazer por ela. Honrei a terra onde nasci [Santa Comba Dão] e lutei por esta linda Figueira que me está fazendo tal festa".
A Figueira ficou mais pobre. Aníbal Correia de Matos deixou uma obra, equiparando-se a muitos no que concerne a cidadania em termos de nascimento físico na Figueira.
Foi jornalista, foi tipógrafo, profissão a que dedicou grande parte da sua vida, e fica, desta forma, ligado ao Dia consagrado a essa função.
Aníbal José de Matos
5.5.2004
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Editorial publicado no jornal Correio da Figueira, assinalando o falecimento de meu Pai. Completam-se hoje 9 anos sobre a data da sua morte.
AJdeMatos

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