Povo
contra o povo
Professores
versus alunos
Numa
linguagem simplista, não tenho dúvidas de que a marcação, por parte dos
sindicatos de professores, duma greve que coincide (?) com o dia de exames nacionais, expressa claramente uma agressão violenta dos docentes contra os discentes,
pese embora as razões que os primeiros alegam relativamente à forma como o
governo lidera a educação em Portugal.
Mas
uma coisa é certa: os alunos estão perfeitamente isentos de culpa e são visados
como as principais vítimas.
Mário
Nogueira, de 55 anos, a face visível da FENPROF, tem sido o principal agitador
dos movimentos contra o ministério da educação.
A
propósito desta individualidade, Camilo Lourenço, escrevia em 20 de dezembro de
2011, no Negócios online, sob o
título A
fantástica avaliação de Mário Nogueira: “(…)
a lei está obsoleta: devia criar uma nova carreira, que não de docente, que se
aplicaria a Nogueira e a alguns "dinossauros" que fazem do
sindicalismo um modo de vida. Ou então obrigar os sindicalistas a voltarem,
periodicamente, ao ensino. Para poderem ser avaliados como docentes. Porque não
acredito que quem passa 20 anos [hoje 22] naquela vida saiba muita coisa sobre o que deve ser a Escola moderna.”
A
greve é um direito inalienável dos trabalhadores, o último recurso no conceito
das contestações, mas aquilo a que assistimos no quotidiano das atividades sindicais
ao nível do protesto resume-se (afora as manifestações) em ações contra as
populações, prejudicando seriamente terceiros.
Repare-se,
por exemplo, nas greves dos transportes, em que as datas escolhidas apontam
sempre na mesma direção: o prejuízo dos que, também no seu pleno direito, não
alinham nessa forma de contestação.
E
no fundo, não são os governos os lesados mas sim o povo que sofre na pele estes
riscos enquadrados na lei da chamada democracia.
Mas
o que me leva a traçar estas linhas resume-se a uma questão: Se decorreram já
quase 40 anos sobre o derrube da ditadura, o que fizeram, afinal, estes
democratas no sentido de colocar o país no rumo certo, incluindo o setor da
Educação?
Se
havia contestação antes do 25 de Abril, como se compreende que ainda não tenha
aparecido ninguém para carrilar os destinos de Portugal, e os protestos
prosseguem como se nada tivesse mudado?
Ou
seja, havia insatisfação antes da revolução dos cravos (embora sem liberdade de
expressão) e protesta-se nos 40 anos após. Pelos vistos, a insatisfação é
eterna… Não se encontraram soluções antes, não se encontraram soluções depois…
Não
deixa de ser estranho!!!

Sem comentários:
Enviar um comentário