quinta-feira, 1 de junho de 2006

Que patriotismo?

Já houve quem lhe chamasse patriotismo balofo.
Não sei se o termo correcto será esse, mas, na verdade, no que me diz respeito, o meu patriotismo não passa pelo futebol.
Refiro-me, naturalmente, às bandeiras nacionais (o símbolo da Nação deveria merecer maior respeito), espalhadas pelas casas de milhares (serão mesmo milhões?) de portugueses, a propósito do apoio à selecção nacional de futebol que vai disputar o próximo campeonato mundial, na Alemanha.
Já tivemos o exemplo no Euro 2004, em que Portugal quase foi transformado num mastro gigante para que a Bandeira servisse de incentivo para o êxito futebolístico.
O que não deixa de ser curioso, é a ideia ter partido dum brasileiro, concretamente o seleccionador Scollari.
Afinal, será que o tal “portuguesismo” estava adormecido? Ou Scollari descobriu a pólvora, gozando com a nossa mediocridade?
E será também que o seleccionado nacional, composto por jogadores que ganham milhões em contraste com a pobreza nacional, merece este apoio insólito, como se dum clube se tratasse e os seus adeptos desfraldassem os emblemas que o representam?
Será que os portugueses não encontraram forma mais adequada para gastar o seu dinheiro, como, por exemplo, apoiar situações tão carenciadas como as que existem neste país?
E, atenção, a própria colocação da Bandeira Nacional está regulamentada. Penso que não deve ser banalizado o seu hastear, assim como o próprio Hino Nacional não deveria ser executado por dá cá aquela palha.

Aníbal José de Matos

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