terça-feira, 6 de junho de 2006

Poesia


Soneto
Trazem consigo as minhas gargalhadas
Sempre um travo de fel e de amargura,
Como atrás do viandante a sombra escura
Sob o luar de prata, nas estradas.

Desta alegria, cheia de tristeza,
A causa verdadeira e principal
É cobrir-me este céu de Portugal
E ter nascido em terra portuguesa;

É que alta noite, numa voz de terço
A voz do mar e a voz dos pinheirais
Me adormeceram muita vez no berço;

É que eu herdei para o meu sangue novo
Do sangue velho e gasto de meus Pais
Toda a alegria triste deste povo.

Augusto Pinto *

* Augusto dos Santos Pinto era natural da Figueira da Foz, onde nasceu a 5 de Julho de 1888, tendo falecido na Suíça, na cidade de Berna, em 4 de Fevereiro de 1979. Foi jornalista no Diário de Notícias e em O Século, sendo autor de inúmeros poemas, alguns dos quais escritos para canções de agrupamentos folclóricos, designadamente para o extinto Rancho do Vapor sediado na Figueira. Colaborou ainda em vário jornais figueirenses, entre os quais a Gazeta da Figueira. A ele se ficou a dever o epíteto de Praia da Claridade para a sua terra natal.
Compilação de AJM

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