domingo, 25 de junho de 2006

Aprígio, a sede e o estádio


Edição, em livro, da palestra proferida na sessão solene comemorativa do 99.º aniversário da Naval

Aprígio Santos, em 1992, no acto de posse, como presidente, na sala de direcção da velha sede da Naval, na Rua da República



Tenho a certeza de que Aprígio Santos vive a Naval 1.º de Maio como muito poucos. É certo que ninguém conhecia o timoneiro dos verde-e-brancos (agora o clube até já se veste doutras cores), antes dele enveredar pelo caminho das responsabilidades de dirigir uma colectividade para que foi chamado quando o emblema que era conhecido por clube da Rua da República, dava os seus passos a caminho do centenário.
Mas Aprígio, oriundo da prestigiosa Gândara, entrava com uma aposta determinante. Para ele, o futebol era tudo e, com o seu querer, o seu propósito e horizontes muito próprios, apostou na ascensão do clube ao mais alto escalão do futebol nacional.
E a Naval, da terceira divisão, passou, quase que num ápice, e depois de muita luta, a ocupar um justificado lugar entre os maiores do futebol indígena.
Hoje, quer se queira, quer não, a Naval e, consequentemente, a Figueira da Foz, é conhecida pela prática do mais popular dos desportos e todos sabem que o clube existe.
Foi traduzido em realidade um sonho em que ninguém (excepção para Aprígio Santos), acreditava que se concretizasse. A Naval, na primeira divisão, agora conhecida por Liga BetAndWin.
Em 4 de Julho de 1997, vão transcorridos quase nove anos, ardeu a velha sede da Rua da República, e, com ela, um património cultural e histórico que, a despeito de expontâneos para o salvar, acabou destruído ante os olhares horrorizados dos verdadeiros navalistas.
Aquando da minha intervenção, como orador oficial nas comemorações do 99.º aniversário da Associação Naval 1.º de Maio, e referindo-me à direcção entretanto eleita, e liderada por Aprígio Santos, dizia, a certa altura: “Aí está um elenco, recentemente eleito, para salvar a Naval de mais uma situação de crise, grupo capitaneado por Aprígio Santos (…) e que “a inspiração os faça repensar o futuro do futebol navalista, a implantação da sede e pavilhão, que consigam os apoios da cidade que têm faltado (…)”
Hoje, a Naval não tem sede, não tem pavilhão, vive, a título precário, na casa do antigo guarda do Estádio Municipal José Bento Pessoa, e ajudou a implantar filhos em mulher alheia (leia-se instalações em terrenos que não lhe pertencem).
Aprígio promete, agora, um novo estádio e uma sede, tudo avaliado em cerca de cinco milhões de euros (um milhão de contos em moeda antiga).
Sei do poder de iniciativa do dirigente máximo do clube. Recordo-me, também, que o ex-presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, levou a que a Figueira fosse a primeira candidata a sede dum grupo no Euro 2004, e, também, a primeira a desistir do fantasioso projecto. E falou-se dum estádio na Costa de Lavos.
Aprígo já fez muitas promessas (cumpriu a de levar a Naval ao patamar mais elevado do futebol português), mas, para muitos, persiste a dúvida de que o património físico do clube se venha a concretizar.
Não há dúvida de que a Figueira não tem um estádio à altura das circunstâncias. Em certos aspectos é mesmo uma vergonha.
Sei que o responsável pelos destinos do clube (o resto da equipa, até provas em contrário, não passa de paisagem) tem a força suficiente para elevar o clube mais alto para além do futebol.
Depois de muitos prometimentos, aí está o desafio que o próprio lança. Resta acreditar uma realização que, convenhamos, não é tarefa fácil.
E já agora, aonde estavam os contestatários de Aprígio que, em 4 de Julho de 2003, o atacaram “ferozmente” por colocar num pedestal o futebol e esquecer as modalidades amadoras? Nesta última reunião da Assembleia-Geral, primaram pela ausência, ou, se presentes, ficaram calados que nem ratos.

Aníbal José de Matos

















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