Lê-se e custa a acreditar. Mas, na realidade, também só não acredita quem ainda alinha no lirismo de que o pontapé na bola é uma escola de virtudes.
Rara é a época em que não surgem casos no futebol português, e tal não se constata só a nível das arbitragens, o alvo mais batido.
Agora, para animar a malta, surge o caso Mateus. Não, não me refiro à Lei Mateus, mas ao caso à volta do jogador angolano que passou de amador a profissional, na mesma época, saindo do Lixa para ingressar no Gil Vicente.
Vários jornais desportivos deram conta de que o clube minhoto ia descer de divisão pelo facto de, contrariando os regulamentos desportivos, ter recorrido aos tribunais civis para que o assunto fosse dirimido.
“A Bola”, por exemplo, noticiou: “O Gil Vicente vai ser castigado com a descida para a Divisão de Honra, mantendo-se o Belenenses no escalão principal do futebol português, devido ao chamado "caso Mateus".
Face à notícia, a agência noticiosa “Lusa” anunciou: “Um sentimento de revolta domina hoje as conversas em Barcelos, devido às notícias sobre a possível despromoção do Gil Vicente à Liga de Honra de futebol, após o recurso aos tribunais civis para permitir a inscrição de Mateus”.
Ontem surgiu nova surpresa, com a notícia de que a Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional decidiu a favor do Gil Vicente no "caso Mateus", pelo que o clube minhoto vai, afinal, disputar a Liga 2006/07.
E os sucessivos noticiários adiantaram que a decisão de dar razão ao Gil Vicente no "Caso Mateus", que permite aos minhotos manterem-se na Liga portuguesa de futebol, baixando o Belenenses à Liga de Honra, provocou a demissão de dois dos elementos da Comissão Disciplinar da Liga, Frederico Cebola e Pedro Mourão, que votaram contra a decisão em arquivar os processos iniciados por Académica e Belenenses contra o Gil Vicente, o que provoca, necessariamente, a queda imediata da CD, uma vez que deixará de ter o número mínimo de elementos para se manter em funcionamento.
Dado um empate na votação, o presidente Gomes da Silva chamara a si a decisão, com o argumento do voto de qualidade, situação que, segundo parece, não está prevista nos regulamentos.
Desta feita, a revolta passou para o lado dos azuis do Restelo que, em conferência de imprensa, pela voz do seu presidente Cabral Ferreira, entre outras declarações, referiu que, a 1 de Junho, "o plenário da Comissão Disciplinar da Liga, composto por quatro membros, analisou os processos da Académica e do Belenenses, tendo decidido dar provimento às pretensões dos dois clubes", prosseguindo: “No que ao nosso clube respeita, três membros votaram favoravelmente ao Belenenses e um (Domingos Lopes) pediu escusa da votação por ser filho de um dirigente do Gil Vicente (Constantino Lopes, vice-presidente). Afinal, este membro nem sequer devia ter participado na discussão, quanto mais na votação", acusou, concluindo tratar-se dum “verdadeiro golpe palaciano a mudança do sentido de voto”.
E agora, ainda segundo aquele dirigente, o Belenenses vai recorrer à Procuradoria-Geral da República, procedendo “disciplinar e criminalmente” contra os autores da alegada reviravolta.
Durante a conferência de imprensa, Cabral Ferreira disse mesmo que “o dia 9 de Junho tornou-se numa marca negra da história do futebol português".
E, após estas, boto eu palavra: Meus amigos, perceberam, não é verdade? Não haja dúvida, isto, só com um pano encharcado!
AJM
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