Do “Almanach da Praia da Figueira para 1879-1880”, da autoria de A. de Amorim Pessoa”, uma obra, portanto, com 127 anos, que guardo religiosamente, extraí a seguinte passagem que fala, um pouco, do muito que contém a história da Figueira da Foz.
Respeitei, integralmente, a ortografia:
“O PRIMEIRO THEATRO DA FIGUEIRA
Não esqueceremos aqui e mesmo para que fique registada, a existencia do primeiro theatro regular que a Figueira possuiu.
Existia no pavimento terreo do Paço dos condes da Figueira, que é localisado na rua detrás do Paço, e todo o conjuncto da sua fábrica foi realisado à custa d’uma sociedade particular de curiosos dramaticos.
Foi construido entre os annos de 1820 a 1823 e a primeira representação que n’elle foi à scena deu-se com a tragedia - Nova Castro. Dos differentes papeis, encarregaram-se os seguintes individuos, dos quaes alguns ainda existem – Joaquim Dias da Costa, João Ignacio da Cruz Forte, Francisco António Braz, João António, cirurgião em Buarcos, João Gaspar, Caetano Gaspar e Manoel José dos Santos.
Esta primeira representação foi honrada com o concurso de uma das notabilidades do paiz. O ilustre estadista Rodrigo da Fonseca Magalhães, que aqui tinha vindo de visita com o general Luiz do Rego, encarregou-se do desempenho do papel de D. Pedro.
Aquelle palco serviu de eschola dramática a muitos dos nossos conterrâneos, que, mais tarde, vieram a fazer as delicias da modesta gente d’aquelles bons tempos.
(…) Em uma occasião (entre 1859 a 1862) foi o theatro presa das chammas e, por coincidencia, havia-se n’essa noute representado a comedia – “Um marido victima das modas” – na qual se apresenta um criado a dar a pavorosa noticia do incendio do Banco de Portugal.
Pouco depois de haver terminado o espectaculo, rompia o fogo no palco, envolvendo os bastidores e o deposito do scenario com tal violência, que nada se poude salvar. O palco ficou inteiramente carbonisado; a plateia e camarotes ainda escaparam ao incêndio.
Hoje que d’elle nada resta aqui o deixamos em lembrança.”
AJM
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