domingo, 16 de julho de 2006

Jogos Florais

Atingiram elevado brilho os Jogos Florais organizados pelo Grupo Desportivo da CUF, do Barreiro, ali participando escritores e poetas, nacionais e estrangeiros. Há 30 anos constituiam um acontecimento nacional no mundo da cultura.
Penso ser interessante recordar quem eram os elementos do júri para o Concurso de 72:
Para a poesia: António Sousa Freitas (sabem quem é, não é verdade? Pois, está ligado à Figueira, pela sua canção, "Figueira da Foz", eternizada por Maria Clara), João Rui de Sousa e Manuel António Lopes e Silva.
Para a prosa: Fausto Lopo de Carvalho, João Rui de Sousa e Leonel Viana.
AJM

Quantos passos?

“— Mamã, dá licença? – Dou – Quantos passos? – Três à gigante. Um…dois…”
Ainda viu o carro. De brincar? Não! Este era a sério. Costumava fingir atropelamentos mas nunca se sentira levado numa cama como aquela, dura e dançante. Nem nunca fora metido num caro branco com uma cruz tão cor de sangue! E tinha outra vez as calças rotas! Da última vez que brincara aos desastres, a mãe batera-lhe porque tinha rasgado as calças. Mas não lhe batia agora… porquê? Em vez disso, fazia-lhe carícias na cara e chorava… Estas não são as calças novas… porque chorará a mãe? Será que aqueles homens de branco, lhe querem fazer mal?
Tem tanto sono… mas ainda é dia… e que estarão estes pândegos a fazer de roda dele? Têm todos chapelinhos brancos e a boca tapada.
Porque será que todos encolhem os ombros e choram? Ele aconchega-se a si mesmo…
“Mamã, dá licença? – Dou – Quantos passos? – Um à bebé.”
Passeis o risco!
Adeus!... Sono… Mãe…”

Rui Manuel Folgado Santos (Barreiro) – Conto - menção honrosa nos XV Jogos Florais (1972) – XI Nacionais – VI Luso – Brasileiros – Grupo Desportivo da CUF – Barreiro – Portugal.

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