sábado, 15 de julho de 2006

Para a história da Figueira - XII

Na noite de 4 de Maio de 1941, o saudoso escritor figueirense António Augusto Esteves, que usava o pseudónimo “Carlos Sombrio”, proferiu, na Casa das Beiras, em Lisboa, uma conferência no “serão figueirense”, promovido pela Comissão Municipal de Turismo da Figueira da Foz, subordinado ao tema “Figueira da Foz – Das suas tradições populares – Dos seus encantos.”
Música e poesia preencheram o programa, e aqui fica um excerto das palavras de Carlos Sombrio, todas elas impregnadas de exaltação à Praia da Claridade:
“E os poentes da Figueira?! No acastelamento dos astros, na cavalgada louca das nuvens, nas limalhas candentes de todo o cenário fantástico e lendário, quando o sol se tinge de sol e de ouro que as águas do rio e do mar procuram sorver, esses metais em brasa, essas vestes cardinalícias, manchas, pinceladas, veludos de mantos largos, à mistura com farrapos vermelhos – quantos mundos de cor, de lampejo, de vibração não cabem!?...
Poentes da minha terra! Se no momento nostálgico, do entardecer, quando o sol morre sob a cúpula fantástica de labaredas onde se amortalha, se pode comungar, na santificada expressão que define o divino acto, eu tenho comungado nessa hora. Pelo menos julgo ter entendido o poder criador de Deus, que das cinzas quentes do sol, renova, eternamente, e todos os dias, no mesmo Ritmo de Vida e de Perfeição, novas alvoradas de esperança…”
AJM

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