O orfeão David de Sousa, cuja biografia, naturalmente resumida, do seu patrono, publico a seguir, foi fundado em 16 de Abril de 1936, e contava com mais de 120 componentes, masculinos e femininos, tendo alcançado assinalados êxitos durante largos anos.
Fundado pelo maestro António Fernandes, aqui fica, para a história, o Hino dessa instituição, também da autoria (música e letra) de António Fernandes.
AJM
Descansando à beira do mar
E da Foz do Mondego das musas,
A FIGUEIRA inspira a cantar
Nossas almas ardentes, bem lusas.
És das PRAIAS RAINHA formoso,
Tens encantos, tens luz, tens a Serra…
Bem te podes sentir orgulhosa
Porque és bem uma JOIA DA TERRA.
Salvé! Salvé! Cidade risonha,
Pelas águas do mar embalada;
És carícia, és amor de quem sonha…
Por teus filhos serás sempre amada.
CORO:
Nossos peitos de filhos amantes,
Onde a luz da razão não morreu,
Entoando canções fulgurantes,
O teu nome hão-de erguer-te ao Céu.
E quem foi David de Sousa?
“Na história da música, um nome devia surgir para lha valorizar as páginas, para lhe enriquecer a sua própria função. Trata-se de David de Sousa, glorioso figueirense nascido em 6 de Maio de 1880.
Dotado duma vocação especial, as suas tendências começaram a evidenciar-se aos 9 anos. Aos 13 anos, o moço David era cantor soprano da Sé Patriarcal.
Em 1904 concluiu o curso no Conservatório de Lisboa. Quatro anos depois, na cidade de Leipzig, David de Sousa concluía novo curso. Dois anos mais tarde, já violoncelista exímio e compositor de relevo, obteve no Sul da Rússia, em Iekaterisnolow, um sucesso retumbante com a sua célebre “Rapsódia Slava”.
De regresso a Portugal, David de Sousa não esqueceu a sua terra natal e em 29 de Setembro de 1913 realizou o seu primeiro concerto.
Não vibraram as almas nem se agitaram os temperamentos como artista julgava e esperava. A glória que obtivera na Rússia não foi espelho onde a alma portuguesa pudesse mirar-se, ovacionando um irmão que conquistara plateias estrangeiras.
Não desanimou o artista notável. Não podia arrefecer dentro de si, dentro da sua alma de músico-maetro os aplausos arrancados do povo de Iekaterisnolow. Trabalhou para continuar a sua jornada, o seu caminho de aspiração lógica.
Do maestro ficaram, entre outras, as obras “Bascense”, “Barca Bela”, “Ansiedade”, “Rapsódia Slava”, “Saudade” e a ópera incompleta (?) “Inês de Castro”.
Porém, e como o verdadeiro romance do homem, é aquele que ele nunca chega a escrever, David de Sousa não terminou o seu. Morreu consigo, dentro da sua alma, alma de português artista, alma de figueirense dos mais nobres e mais ilustres.
Morreu em 30 de Outubro de 1918.”
(Extraído de “Revivendo”)

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