Neste caso, para a história do desporto figueirense.
Fui encontrar, entre os meus papéis, um apontamento curioso, datado de 5 de Dezembro de 1926, assinado por alguém que utilizou o pseudónimo de Esa., que retrata o que na época se vivia na Figueira da Foz, em termos de futebol, quando as equipas eram pura e simplesmente amadoras, em que vingava o amor à camisola, e se vivia bairrismo.
Trata-se dumas quadras humorísticas dedicadas a um jogo de futebol entre velhos rivais, Naval e Ginásio.
Nesse encontro, disputado no velhinho Campo da Mata da Misericórdia, os navalistas venceram por uma bola a zero, e o autor do "poema" "relatou-o" como segue:
"Aos desportistas de Coimbra e Figueira
1 a 0
ROLHA!!!
Tinha que ser, 'stava escrito,
E eu tinha dito e redito
Que perder era impossível.
Sem violências, nem trolha,
O Verde prega uma rolha
Ao Encarnado invencível!!!
Um a zero! Que vergonha,
Que situação tão bisonha,
Para o grupo Ginasista!
Uma rolha... que há-de ser
Bem custosa de roer
Porque é marca navalista!
A CAGANÇA faz-me dó;
Andava toda liró
Antes de ficar rolhada,
Agora vejo-a tão triste,
É qual melro sem alpiste,
É qual rôla desasada.
A pobre Delegação,
Nauseabundo esfregão,
Está cada vez pior:
Cheia de medo, ou com ronha,
Pôs na Mata - que vergonha!-
Uma força de Major...
A polícia... reforçada!
E a assistência rodeada
De espingardas e canhões!
E, à cautela, nas trincheiras,
Metralhadoras ligeiras,
Caça-minas, aviões!!!
Agora, para findar,
Cumpre-me aqui informar
Que vai abrir mais um talho:
Vai pois a Figueira ter
Um açougue p'ra vender
BEIÇO por grosso e a retalho"
Não digam que esta não teve piada!
AJM
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