sábado, 8 de julho de 2006
Alemanha, 3 - Portugal, 1
Portugal-Alemanha
Jogo bastante equilibrado, sem grande sentido objectivo, já deu, pelo menos, para que Ricardo se evidenciasse com excelentes intervenções.
À primeira vista, parece tudo conjugar-se para que se assista a mais um prolongamento.
A ver vamos.
AJM
Para a história da Figueira - VI

Reprodução dum sugestivo cartaz de 1930
S. João de antigamente
Com muito menos dinheiro (incomparavelmente), a Figueira, nos tempos que já lá vão, comemorava, de forma eufórica, a quadra do S. João, sendo invadida por milhares de forasteiros que, inclusivamente, se deslocavam à Praia da Figueira para, nas águas milagrosas, curarem as suas maleitas.
Outros tempos, digo eu.
AJM
Igual a 1966?

Hoje, a partir das 20h00, em Estugarda, os comandados por Felipe Scolari desfrutam da oportunidade de igualar o feito dos magriços em 1966.
40 anos depois, esta formação, orientada, tal como em 1966, por um seleccionador brasileiro (na altura foi Otto Glória), volta a fazer história, encerrando a sua participação com um jogo para decidir o terceiro classificado, defrontando, nada mais nada menos do que o seleccionado anfitrião.
A selecção nacional vai ter contra si uma enorme legião de adeptos alemães, mas a equipa já demonstrou que estes cenários não a impressionam.
O pensamento do dia
Ralph Waldo Emerson
sexta-feira, 7 de julho de 2006
Quatro portugueses entre os melhores do Mundial
Quatro jogadores da selecção portuguesa de futebol (Ricardo, guarda-redes, em conjunto com Buffon (Itália) e Lehmann (Alemanha), o defesa Ricardo Carvalho e os médios Figo e Maniche, foram considerados, pela FIFA, as estrelas do Mundial 2006, na Alemanha.
Calinada em publicidade de um hipermercado

Portanto, criança segura…
E já agora, não quereria o tal hipermercado referir-se a MOSQUITEIRO, que é uma cortina, geralmente em tule, que se coloca à volta de uma cama, para resguardar dos mosquitos…”?
Não há dúvida de que os atropelos à língua portuguesa são pão-nosso de cada dia.
AJM
Para a história da Figueira - V
Recuemos até 1918.
Recolhi do Anuário Figueirense, um capítulo interessante sobre a forma de alerta e de informação sobre os locais onde se pudessem verificar incêndios.
Então, os Bombeiros convencionaram:
Tabela de toques de incêndio
1.ª zona: Do Nascente à Rua 10 de Agosto – 6 badaladas
2.ª zona: Da Rua 10 de Agosto à Praça Nova e Entre-Muros – 8 badaladas
3.ª zona: Da Praça Nova, Rua Nova e Entre-Muros à Praia da Fonte – 10 badaladas
4.ª zona: Da Praia da Fonte ao Poente da cidade – 12 badaladas
Fora da cidade:
Praia de Buarcos – 13 badaladas
Buarcos – 14 badaladas
Tavarede – 15 badaladas
Noutras localidades – 17 badaladas.
O que era preciso era estar com a maior atenção para contar as badaladas…
AJM
Poesia
Ambicionava usufruir a liberdade dos cisnes
que volteiam nos lagos do jardim,
a liberdade dum plátano verdejante
osculando as suas águas ternamente.
A própria liberdade das crianças
que aos cisnes oferecem o pão do seu amor,
a liberdade da água que goteja
nas gargantas das pombas sequiosas...
Ser livre como as almas sonhadoras
liberto do fardo dos costumes,
ser livre como as aves que me cercam
felizes pela entrega deste milho
que lhes dou em renúncia do meu ser...
Eu queria serrar os elos das correntes
que me arrastam na prisão da minha era,
aspirar profunda e livremente
a liberdade daqueles que são livres!
Aníbal José de Matos (do livro "Esperanças", 1976)
O pensamento do dia
quinta-feira, 6 de julho de 2006
Para Cracóvia (Polónia)
Foi um prazer saber que está atento às considerações que vou tecendo.
No caso vertente, penso que terá razão nas suas ilações. Na verdade, temos outras selecções com técnicos estrangeiros.
Mas o resto também não deixa de ser verdade.
Disponha sempre, e obrigado pelo seu estímulo.
Um abração e votos de felicidades.
Aníbal José de Matos
Que chatice!
Fiquei abismado com a notícia que acabo de ouvir da rádio:O IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico, antigo Instituto Portugues do Património Arquitectónico) não autorizou a abertura do túmulo de D. Afonso Henriques, no mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra.
AJM
Caso Mateus volta à primeira forma...
Afinal o Gil Vicente mantém-se na Liga ou desce?
Com esta decisão, a Comissão Disciplinar da Liga terá de decidir novamente o denominado "caso Mateus", mas desta vez sem a participação no processo do seu vogal Domingos Lopes, que é filho do ex-vice-presidente do Gil Vicente Constantino Lopes, o qual entretanto apresentou a demissão do cargo.
A decisão do Conselho de Justiça da FPF surgiu após recurso apresentado pelo Belenenses, que reclama a despromoção do Gil Vicente - e a sua consequente manutenção no escalão principal - por o clube de Barcelos alegadamente ter recorrido aos tribunais civis.
Em causa estava a inscrição do avançado internacional angolano Mateus como profissional pelo Gil Vicente, em Janeiro, depois de o jogador ter sido utilizado na última época pelo Lixa com o estatuto de amador.
Como os regulamentos não permitem que um jogador amador seja inscrito na mesma época como profissional, o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto obrigou, numa primeira fase, a Liga a aceitar a inscrição do futebolista, mas depois acabou por recuar na decisão.
Ao contrário do que argumenta o Belenenses, o Gil Vicente alega, no entanto, que foi o próprio jogador, e não o clube, quem recorreu para os tribunais civis.
O caso, decidido por um voto de qualidade do presidente Gomes da Silva, após um empate 2-2, provocou uma séria clivagem no seio da Comissão Disciplinar da Liga, levando mesmo os vogais vencidos, Pedro Mourão e Frederico Cebola, a apresentarem o seu pedido de demissão".
Quem quer mal a Scolari?
Este português…
Nem mais nem menos...A imagem que reproduzimos encontra-se em vários locais dum suposto gabinete de estética, mas a quem resolveram chamar “gabinete de estéctica”.
Não sei se existe – penso que não – na Câmara Municipal da Figueira da Foz, um gabinete de verificação dos atropelos à ortografia com que deparamos um pouco por todos os lados, em estabelecimentos comerciais, nas ementas, etc.
Esta é mais uma de cabo de esquadra.
A preciosidade ortográfica situa-se num dos hipermercados da Figueira da Foz.
O pensamento do dia
Adrienn Kiss. Hungria
quarta-feira, 5 de julho de 2006
Ecos do Portugal (0) - França (1)
Alguns títulos da imprensa estrangeira acerca da vitória da França sobre Portugal, nas meias-finais do mundial 2006:
O Globo (Brasil) - "Carrasco" Zidane coloca a França na final.
Folha de S. Paulo (Brasil) - Fim de ciclo: Luiz Felipe Scolari vê fim de invencibilidade de 19 partidas no comando de Portugal.
Diário do Grande ABC (Brasil) - Portugal teve mais garra, assustou um pouco mais, reclamou de um penálti não marcado e terá, ao menos, o consolo de disputar o terceiro lugar.
Sonho morre aos pés de Zidane
Tinha que ser ele. Zidane, a estrela da selecção francesa, acabou com o sonho dos portugueses, marcando, de grande-penalidade, o golo que decidiu a meia-final.
À selecção nacional portuguesa resta, agora, repetir o êxito de 1966, subindo ao terceiro lugar do pódio caso vença a Alemanha no próximo sábado.
AJM
Assim se faz jornalismo...
Feriado em Coimbra…dia Santo na Figueira
Dizia-me um amigo, há tempos, que não tinha conhecimento de algum figueirense que fosse passar férias a Coimbra, mas, ao invés, a cidade da Praia da Claridade enchia-se de gente oriunda da chamada cidade universitária, para aqui gozarem a sua vilegiatura.
A propósito, ontem, 4 de Julho, foi feriado municipal em Coimbra. Só que, uma esmagadora maioria de gentes de Coimbra preferiu ir de abalada até à Figueira, e na cidade da Foz do Mondego até parecia ser dia Santo.
As praias encheram-se, não havia, praticamente, um lugar para estacionar ao longo das marginais. Pois é: era feriado em Coimbra! Hoje, não direi que as praias estão desertas, mas a afluência diminuiu substancialmente.
A verdade é que em Coimbra, o rio não passa dum basófias, e na Figueira da Foz, há rio e mar que cheguem e ainda sobra pano.
AJM
O pensamento do dia
E continua...
Alegados traficantes detidos pela PJ
"Os seis alegados traficantes, detidos na sequência de investigações separadas da PJ, integravam um grupo que actuava em Coimbra e outro nesta cidade e na Figueira da Foz, podendo nos dois casos comercializar drogas que "iriam para diferentes localidades" do centro do país.
“Perdi o bebé”
terça-feira, 4 de julho de 2006
Itália na final
Poesia
"Serra da Boa Viagem",
recortada nas alturas,
com luminosa roupagem
de verde pinho e verduras...
Na "Vela" avulta a folhagem,
mas vê-se o mar nas funduras,
e na "Bandeira" a miragem
é de infindáveis lonjuras...
"Cabo Mondego" altaneiro,
verde negro, ao mar fronteiro,
por entre brumas ou Sol...
E nas noites sem luar
fica na guarda do mar
o luzeiro do "Farol"...
Ernesto Tomé (Figueira da Foz e a ronda das freguesias -1969
Em Buarcos, um parque de referência
Não tenhamos dúvida nenhuma. Buarcos tem um parque infantil de referência. Ao contrário do que acontece no Jardim Municipal da Figueira da Foz, o parque de Buarcos, bem cuidado e estruturado para crianças dos vários escalões etários, é um exemplo.
É seguro, é vedado, tem um aspecto limpo. Dignifica a freguesia e é o encanto da pequenada. Com uma afluência digna de registo, frequentado por crianças que ali acorrem acompanhadas por familiares ou por professores, é, na realidade, um ponto de encontro dos miúdos idos dos mais diversos lugares do concelho e não apenas.
Saudamos quem ergueu um parque infantil digno desse nome.
Aníbal José de Matos (texto e fotos)
O pensamento do dia
As crianças estão crescidas quando deixam de perguntar de onde vieram e se recusam a dizer para onde vão.
Hanging Times, The Kiplinger Magazine
segunda-feira, 3 de julho de 2006
Para a história da Figueira - IV
O Record e o Zás-Trás
"O jornal desportivo “Record” é dos poucos, se calhar o único, diário desportivo que, uma vez por semana, vá lá!, apresenta uma página sob o título “ Desporto Escolar “ No passado dia 22 de Junho de 2006, na página 59, em notas breves, lia-se no Record:“Por ABSOLUTA falta de espaço, não publicamos a página de Desporto Escolar …”Porquê a ABSOLUTA falta de espaço?Porque das 64 páginas do Record daquele dia, 45 paginas foram dedicadas ao Campeonato Mundial de Futebol, 10 páginas foram dedicadas aos campeonatos nacionais de futebol, 5 páginas foram dedicadas às outras modalidades, 1 página para as últimas noticias do futebol, 2 páginas para anúncios e 1 para as outras noticias nacionais…Ou seja, naquela edição do diário desportivo, 56 páginas foram dedicadas ao futebol…! Está tudo dito! O meu comentário semanal, a propósito, é: SEM COMENTARIOS !"
Sócrates dá estalada a Freitas do Amaral...
A propósito da posse dos novos ministros e secretários de Estado, o jornalista de serviço, no Palácio de Belém, falou, assim, do encontro de José Sócrates com Freitas do Amaral:
"José Sócrates veio ao encontro de Freitas do Amaral e deu-lhe uma palmada nas costas", mas, depois, rectificou: "Deu-lhe um forte aperto [seguiu-se uma branca], uma forte estalada nas costas".
Nota: Estalada, conforme o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, é "uma pancada com a mão, especialmente na cara".
Quer dizer: depois do aperto, a estalada...
O pensamento do dia
Bits & Pieces
domingo, 2 de julho de 2006
A todos os condutores
Da brochura publicada aquando do evento, retirei este soneto da autoria de José Fernando de Moura, que me parece perfeitamente actual.
Devagar se vai a longe
Tu, que do automóvel tens a sorte
de andares comodamente pela estrada,
vai com velocidade moderada
que à tua frente vai seguindo a Morte.
O peão só tem as pernas por transporte.
Tem dó da sua vida caminhada.
E a tua… não a queiras estragada
por, ao volante, te supores um forte.
Que a pressa te não torne um assassino!
Não esqueças que a vida é um bem divino,
e poupá-la é dever que os mais supera!
Vai com prudência, pela mão, sem pressas…
Pensa nos teus e, atento, nunca esqueças
Que a Morte pode estar à tua espera!
Há muitos, muitos anos...
3 legendas que eternizam a Figueira: Praia, Mar e Céu;
Hoje é uma grande praia... amanhã, uma praia maior;
A Figueira da Foz é um poema sem palavras;
Amai a Figueira com os olhos, com os nervos, com o coração;
Colhei desta vossa Figueira, o verdadeiro fruto da Vida;
Do alto da Serra, a Figueira é uma porcelana de estimação;
Diga: Figueira, e sentirá a frescura duma nova vida;
Na Figueira, a vida continua saudável e bela;
Só as praias como a Figueira formam corpos saudáveis;
Na Figueira, os Ranchos são uma nota alegre e viva;
No colorido da paisagem figueirense, os ranchos emprestam beleza;
Quem mais canta mais se anima, e a Figueira tem quem a sabe cantar;
Risos e canções, danças e rodopio, eis um quadro garrido desta Figueira linda;
Cantai que a vida é feita de mágoas... visitai a Figueira que a vida é o dia de hoje.
Poesia
Trazem consigo as minhas gargalhadas
Sempre um travo de fel e de amargura,
Como atrás do viandante a sombra escura
Sob o luar de prata, nas estradas.
Desta alegria, cheia de tristeza,
A causa verdadeira e principal
É cobrir-me este céu de Portugal
E ter nascido em terra portuguesa;
É que alta noite, numa voz de terço
A voz do mar e a voz dos pinheirais
Me adormeceram muita vez no berço;
É que eu herdei para o meu sangue novo
Do sangue velho e gasto dos meus Pais
Toda a alegria triste deste Povo.
Escola do Exército, 1909 – Augusto Pinto (poeta e jornalista figueirense)
O pensamento do dia
José Ortega y Gasset, España Invertebrada
França eliminou o Brasil

Zidane, um osso duro de roer (Foto do Globo (Rio de Janeiro, Brasil)
sábado, 1 de julho de 2006
Selecção de Portugal nas meias-finais
Marca (Espanha): Ricardo manda Inglaterra para casa na lotaria dos penáltis
Marca (Espanha): Ricardo faz chorar a Inglaterra
Dr. Z mudou de ramo?
Será que o Dr. Z mudou de ramo? Ou serão filmes pornográficos?
Paz à sua alma
Os figueirenses assistiram, impávidos e serenos, ao “funeral” duma instituição prenhe de tradições.
A morte, há muito anunciada, como tive oportunidade de salientar há dias, verificou-se ontem, e nenhuma das palavras ali proferidas no acto simbólico do encerrar portas, conseguiu disfarçar o acto de se pôr termo a um pedaço da própria cidade.
Palavras leva-as o vento, e não comoveu ninguém, para além de transmitirem um sentimento de frustração, o discurso do comandante José Loureiro, que considerou que a extinção do quartel, veio “dificultar a manutenção do moral dos militares e civis que ao longo dos anos se têm esforçado para elevar a qualidade da formação, a imagem da Escola, e, por sua vez, o Exército”.
E acrescentou, dirigindo-se aos militares: “Em todos vós paira um sentimento de tristeza pelo encerramento da EPST e pelo adeus à Figueira da Foz, mas julgo que acima de tudo deveis estar com um sentimento de orgulho pelo profissionalismo e competência que demonstraram”.
Fala-se agora, aliás o propósito já vem sendo ventilado de há tempos a esta parte, que as instalações irão albergar a GNR. Espero que assim seja, mas, também, corre à boca cheia, que já há, por aí, olhares de imobiliários (alguém disse que a Figueira era o paraíso dos imobiliários), para a urbanização da zona, uma área vastíssima. Não pensem que é descabido prever a construção de mais uma floresta de betão no local que foi um marco histórico da Figueira.
O futuro o dirá.
Um dia a História julgará e condenará alguém!
Aníbal José de Matos
O pensamento do dia
Sempre foi fácil distinguir o verdadeiro líder do político profissional. O primeiro vive para a política; o segundo vive da política.
Mariano Grondona, in Visión, México
No futebol deixou de haver limite de estrangeiros
Na Assembleia Geral de 30 de Junho de 2006, foi deliberado proceder à alteração do art.º 37º do Regulamento de Competições da LPFP, que passou a ter a redacção que se transcreve:" Art.º 37º(Limitação de inscrição de jogadores)1 - Os Clubes podem inscrever livremente jogadores profissionais, sem qualquer restrição em função da sua nacionalidade, podendo nas competições oficiais participar apenas os jogadores com contrato de trabalho desportivo ou contrato de formação das categorias Sénior e Júnior (com aptidão médico-desportiva devidamente comprovada).2 - Sem prejuízo do disposto no número anterior, os Clubes têm de incluir no seu plantel pelo menos o seguinte número de "jogadores formados localmente":- Época de 2006/2007 - 4 "jogadores formados localmente"- Época de 2007/2008 - 6 "jogadores formados localmente"- Época de 2008/2009 e segs. - 8 "jogadores formados localmente"§ 1º - Considera-se como "jogador formado localmente" aquele que tenha sido inscrito na Federação Portuguesa de Futebol, pelo período correspondente a três épocas desportivas, entre os 15 e os 21 anos de idade (inclusivé).§ 2º - A inclusão no plantel dos Clubes de "jogadores formados localmente" na época de 2006/2007 é facultativa, sendo essa inclusão obrigatória a partir de então.3 - Os Clubes não podem incluir no plantel e utilizar, por época desportiva, um número de jogadores com contrato de trabalho desportivo ou contrato de formação superior a:a) 27 jogadores da categoria sénior na época de 2006/2007 e seguintes.
sexta-feira, 30 de junho de 2006
No limiar do segundo mês
“Presente” , criado a 29 de Maio de 2006, entra hoje no segundo mês de publicação.
Confesso que tem sido uma experiência interessante, sobretudo, pela forma como eu vejo este novo sistema de comunicação.
A Figueira da Foz foi sempre fértil em órgãos de comunicação social. A história do jornalismo figueirense fala por si.
Nos dias de hoje, também a Figueira conta com um número considerável de blogues, páginas onde os seus autores emitem opiniões, veiculam cultura, fazem sugestões e, na sua maioria, emitem críticas construtivas.
Tal como fiz no primeiro dia, saúdo todos quantos, através da net, procuram elevar o nome da Figueira, levando a sua voz até longínquas paragens, e focando, também, assuntos de índole geral de interesse evidente.
Sem atropelos, penso que todos juntos poderemos (e alguns estão a fazê-lo duma forma saudável, assinando peças de valia) prestar um bom serviço a partir desta terra que nos viu nascer. Pelo meu lado, a quantos me têm incentivado, o meu muito obrigado.
AJM
O pensamento do dia
Current Comedy
quinta-feira, 29 de junho de 2006
A apologia da Figueira.net
De qualquer forma, esta poderá ser mais uma achega, na constatação de que a Figueira.net, que António Cruz dirige há sete anos, está a prestar um bom (excelente) serviço à Figueira da Foz e, naturalmente, aos figueirenses, incluindo a quantos se encontram espalhados pelo país e quatro partidas do mundo.
Dir-se-ia, com propriedade, que Figueira.net é um autêntico jornal on line, um órgão de comunicação social que preenche muitos espaços vazios.
Tive o prazer de ser, em tempos, seu assíduo colaborador, mas a escassez de tempo, por culpa doutros afazeres profissionais, não permitiu que mantivesse essa ligação mais estreita.
Reconheço, contudo, que Figueira.net continua a dar o seu melhor nos mais diversos vectores, proporcionando um sem número de informações de utilidade indiscutível.
Há pouco, lançando uma rápida olhadela pelo seu arquivo fotográfico, em termos de imagens da Figueira antiga, mais ficou arreigada em mim a certeza de que António Cruz está, insisto, a prestar um excelente serviço à comunidade.
Que prossiga, por muitos anos e bons, são os votos que lhe endereço daqui deste postigo, este espaço que encontrei para continuar a fazer aquilo de que gosto.
Aníbal José de Matos
O pensamento do dia
News Group Chicago
quarta-feira, 28 de junho de 2006
Vice que o não chegou a ser...
Fonte ligada à Naval 1.º de Maio, acaba de confirmar a notícia vinda a lume na edição de hoje do “Público”, relativa à renúncia do cargo de vice-presidente, de Nuno Ricardo Maurício, investigador da polícia Judiciária.
Apesar de Nuno Maurício estar convencido de que não havia qualquer incompatibilidade com a sua função, ele que até é figueirense e envergou a camisola dos navalistas, a hierarquia não permitiu que assumisse o cargo para que fora eleito, por aclamação, na reunião da Assembleia-Geral da passada quinta-feira.
Na impossibilidade de ser contactado o presidente da direcção, Aprígio Santos, a mesma fonte adiantou que é provável que do elenco directivo passem a fazer parte apenas dois vice-presidentes (Joaquim Parente e Carlos Beja).
Entretanto, os dirigentes ainda não foram empossados, o que poderá ainda acontecer esta semana.
A seguir à vigência, durante cinco anos, de uma comissão directiva, parece que este elenco directivo, que se lhe segue, não está a ter um princípio feliz.
Mas a verdade é que permanece aquele que mexe nos cordelinhos do clube desde há 15 anos. E isso tranquiliza os restantes…
AJM
O pensamento do dia
terça-feira, 27 de junho de 2006
Cai neve dentro de mim
Alguém está a tramar a Figueira
A Escola Prática do Serviço de Transportes (EPST) há muito que é um cadáver adiado.
Muitos argumentos têm sido sucessivamente ventilados para que seja posto termo ao último baluarte da representação militar na Figueira da Foz.
Parece que, agora, é de vez, e a EPST vai mesmo embora.
Várias têm sido as instituições que têm vindo a injectar doses de panaceia para o adiamento daquilo que há muito está determinado.
Apetece-me recordar três intenções que, mais tarde ou mais cedo, parecem corresponder a um destino determinado: Já se falou do jogo do Casino da Figueira passar, no Inverno, para Coimbra (recorde-se que a Sociedade Figueira-Praia já não é de figueirenses...), a Maternidade do Hospital Distrital vai ser transferida para Coimbra e, desta feita, acaba-se com o último bastião da tradição castrense da Figueira da Foz.
Há, ou não há, quem esteja a tramar a Figueira, com muitos figueirenses, impávidos e serenos, a verem o comboio passar?
E já agora: Lembra-se a minha meia dúzia de leitores, do tempo em que Coimbra recusou a criação dum pólo da sua Universidade nesta cidade? E a Escola de Hotelaria, já com instalações preparadas no Palácio Sotto Mayor, para onde foi?
Pois é. Continuemos a querer dormir e vamos ver a cama que nos preparam…
AJM
O pensamento do dia
Karl Newell
segunda-feira, 26 de junho de 2006
Poesia
Há um ano que os teus gestos andam
ausentes da nossa freguesia
Tu que eras destes campos
onde de novo a seara amadurece
donde és hoje?
Que nome novo tens?
Haverá mais singular fim-de-semana
do que um sábado assim que nunca mais tem fim?
Que ocupação é agora a tua
que tens todo o tempo livre à tua frente?
Que passos te levarão atrás
do arrulhar da pomba em nossos céus?
Que te acontece que não mais fizeste anos
embora a mesa posta continue à tua espera
e lá fora na estrada as amoreiras tenham outra vez florido?
Era esta a voz dele assim é que falava
dizem agora as giestas desta sua terra
que o viram passar nos caminhos da infância
junto ao primeiro voo das perdizes
Já só na gravata te levamos morto àqueles caminhos
onde deixaste a marca dos teus pés
Apenas na gravata. A tua morte
deixou de nos vestir completamente
No verão em que partiste bem me lembro
pensei coisas profundas
É de novo verão. Cada vez tens menos lugar
neste canto de nós donde anualmente
te havemos piedosamente de desenterrar
Até à morte da morte
Ruy Belo (*)
Futebol: Mundial 2006
O pensamento do dia
domingo, 25 de junho de 2006
Aprígio, a sede e o estádio

Aprígio Santos, em 1992, no acto de posse, como presidente, na sala de direcção da velha sede da Naval, na Rua da República Tenho a certeza de que Aprígio Santos vive a Naval 1.º de Maio como muito poucos. É certo que ninguém conhecia o timoneiro dos verde-e-brancos (agora o clube até já se veste doutras cores), antes dele enveredar pelo caminho das responsabilidades de dirigir uma colectividade para que foi chamado quando o emblema que era conhecido por clube da Rua da República, dava os seus passos a caminho do centenário.
Mas Aprígio, oriundo da prestigiosa Gândara, entrava com uma aposta determinante. Para ele, o futebol era tudo e, com o seu querer, o seu propósito e horizontes muito próprios, apostou na ascensão do clube ao mais alto escalão do futebol nacional.
E a Naval, da terceira divisão, passou, quase que num ápice, e depois de muita luta, a ocupar um justificado lugar entre os maiores do futebol indígena.
Hoje, quer se queira, quer não, a Naval e, consequentemente, a Figueira da Foz, é conhecida pela prática do mais popular dos desportos e todos sabem que o clube existe.
Foi traduzido em realidade um sonho em que ninguém (excepção para Aprígio Santos), acreditava que se concretizasse. A Naval, na primeira divisão, agora conhecida por Liga BetAndWin.
Em 4 de Julho de 1997, vão transcorridos quase nove anos, ardeu a velha sede da Rua da República, e, com ela, um património cultural e histórico que, a despeito de expontâneos para o salvar, acabou destruído ante os olhares horrorizados dos verdadeiros navalistas.
Aquando da minha intervenção, como orador oficial nas comemorações do 99.º aniversário da Associação Naval 1.º de Maio, e referindo-me à direcção entretanto eleita, e liderada por Aprígio Santos, dizia, a certa altura: “Aí está um elenco, recentemente eleito, para salvar a Naval de mais uma situação de crise, grupo capitaneado por Aprígio Santos (…) e que “a inspiração os faça repensar o futuro do futebol navalista, a implantação da sede e pavilhão, que consigam os apoios da cidade que têm faltado (…)”
Hoje, a Naval não tem sede, não tem pavilhão, vive, a título precário, na casa do antigo guarda do Estádio Municipal José Bento Pessoa, e ajudou a implantar filhos em mulher alheia (leia-se instalações em terrenos que não lhe pertencem).
Aprígio promete, agora, um novo estádio e uma sede, tudo avaliado em cerca de cinco milhões de euros (um milhão de contos em moeda antiga).
Sei do poder de iniciativa do dirigente máximo do clube. Recordo-me, também, que o ex-presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, levou a que a Figueira fosse a primeira candidata a sede dum grupo no Euro 2004, e, também, a primeira a desistir do fantasioso projecto. E falou-se dum estádio na Costa de Lavos.
Aprígo já fez muitas promessas (cumpriu a de levar a Naval ao patamar mais elevado do futebol português), mas, para muitos, persiste a dúvida de que o património físico do clube se venha a concretizar.
Não há dúvida de que a Figueira não tem um estádio à altura das circunstâncias. Em certos aspectos é mesmo uma vergonha.
Sei que o responsável pelos destinos do clube (o resto da equipa, até provas em contrário, não passa de paisagem) tem a força suficiente para elevar o clube mais alto para além do futebol.
Depois de muitos prometimentos, aí está o desafio que o próprio lança. Resta acreditar uma realização que, convenhamos, não é tarefa fácil.
E já agora, aonde estavam os contestatários de Aprígio que, em 4 de Julho de 2003, o atacaram “ferozmente” por colocar num pedestal o futebol e esquecer as modalidades amadoras? Nesta última reunião da Assembleia-Geral, primaram pela ausência, ou, se presentes, ficaram calados que nem ratos.
Aníbal José de Matos
O pensamento do dia
Anamaria Rabatté Y Cervi, Destellos, Monterrey
sábado, 24 de junho de 2006
O pensamento do dia
"Os grandes homens são muitas vezes solitários. Essa mesma solidão, entretanto, faz parte da sua capacidade de criar. O carácter, como a fotografia, revela-se no escuro".
Yousuf Karsh
sexta-feira, 23 de junho de 2006
quinta-feira, 22 de junho de 2006
Na Naval, Aprígio sucede a Aprígio
Na continuação da Assembleia-Geral (AG) suspensa em 4 de Julho de 2003, e que terminou há minutos, Aprígio Santos deixou de ser presidente da comissão directiva cuja vigência datava de 2001, para assumir a liderança duma direcção, para a qual foram eleitos vice-presidentes, Carlos Beja, Nuno Ricardo e Joaquim Parente, com a novidade do secretário-técnico, João de Almeida, passar, também, a fazer parte do elenco directivo.
terça-feira, 20 de junho de 2006
Às portas do Verão
Estamos a entrar no Verão.
De há muito tempo a esta parte, pesem embora algumas iniciativas para trazer forasteiros até à Figueira da Foz, Agosto é o verdadeiro coração da época estival. O resto é paisagem.
Longe vão os tempos em que a época balnear ia mesmo, rigorosamente, de Junho a Setembro. Agora é a chamada feira que enche uma cidade fantasma, isto porque durante o resto do ano as centenas de moradias que têm vindo a ser edificadas, com destaque para as voltadas para o mar, estão nitidamente às moscas.
A Figueira da Foz continua a usar e com legitimidade, o epíteto de Praia da Claridade mas reconheçamos que já não é, lamentavelmente, Rainha das Praias de Portugal, se bem que em termos de areal se tenha redimensionado.
Perdeu-se um pouco o comboio em prol doutras zonas que até pelas suas características, incluindo a temperatura das águas e empreendimentos de vulto, granjearam a fama que outrora ia inteirinha para a Figueira da Foz.
E não se pense que estamos a falar em termos saudosistas se bem que a Figueira doutros tempos ainda esteja ou na retina de muitos ou nas fotos que registaram para a posteridade uma cidade com características muito próprias.
Louve-se algum esforço no sentido de oferecer à Figueira condições modernistas e de animação tendentes a recuperar algum tempo perdido.
A escritora Sarah Beirão escreveu um dia: “chegar à Figueira é sentir um deslumbramento! É verdadeiramente imponente a entrada solene do Mondego no Oceano. Um quadro majestoso”.Ramalho Ortigão escrevia há 60 anos, no seu livro “As Praias de Portugal”, que “(…) nenhuma outra praia em Portugal possui as condições desta para tornar agradável a estação dos banhos”.
Em 1953, Manuel Ayres Falcão Machado, da Sociedade de Geografia, num trabalho sobre a Figueira da Foz e seu concelho, falava da praia em termos que dispensam comentários: “Praia de sonho e encanto, sim, porque nossos olhos ficam saciados de beleza e se exalta o nosso pensamento que voa até longes incoercíveis num enlevo calmo e aprazível; praia surpreendente, graciosa, fresca de pureza e harmonia, de ambiente ameno e repousante, como se não encontra em qualquer outro areal português”.
Bom, mas falava de verão. Ele está mesmo a romper, sim senhor. Pintado com matizes diferentes de outrora mas, de qualquer forma, para aquecer os figueirenses e não só, que os veraneantes continuam a ser muitos (sobretudo em Agosto, insisto).
E a Figueira, duma forma ou doutra, ainda continua a ser uma cidade com créditos. E a praia cada vez está maior, portanto com muito mais espaço para receber quantos a visitam…
Aníbal José de Matos
sábado, 17 de junho de 2006
Fair-play
A Figueira em imagens
Para a história da Figueira - III
O carro americanoSinceramente, lamento não ter vivido na era do Carro Americano, no início com tracção animal (daí o epíteto de electro-mula).
Como nota curiosa, eis uma tabela de preços de transporte no Carro Americano:
“Caminho-de-ferro à Praça Nova e vice-versa, 2 centavos; caminho-de-ferro ao Passeio Infante D. Henrique, 3 centavos; caminho-de-ferro à Fonte dos Soldados, 4 centavos; Praça Nova à Fonte dos Soldados, 2 centavos; Praça Nova ao Casino da Praia, 4 centavos; Praça Nova a Buarcos, 5 centavos; Praça Nova ao Cabo Mondego, 9 centavos; Fonte dos Soldados ao Casino da Praia, 3 centavos; Fonte dos Soldados a Buarcos, 4 centavos; Casino da Praia a Buarcos, 3 centavos; Casino da Praia ao Cabo Mondego, 8 centavos; Buarcos ao Cabo Mondego, 5 centavos”. Na imagem, o Carro Americano, de tracção animal, a passar junto à Esplanada Silva Guimarães. Bibliografia: “O complexo industrial do Cabo Mondego – sua origem e evolução através dos tempos”, “A Figueira da Foz e o desenvolvimento da História”, ambas as obras de Manuel Joaquim Moreira dos Santos, e “Elementos subsidiários para o estudo do concelho da Figueira da Foz”, de Manuel Barroso dos Santos”.
quinta-feira, 15 de junho de 2006
Poesia
Desde a Esplanada o olhar rendido enlaça
A linha doce e leve da baía,
Que coleia num ritmo de harmonia
E vai quebrar na serra negra e baça.
No mesmo amplexo a vista longa abraça
A curva azul do céu, clara e macia,
E a planície do mar, verde-sombria,
Que beija a praia instável e devassa.
O sol oblíquo põe sanguíneas manchas
Na agonia silente da paisagem.
Dormem tranquilos os perfis das lanchas.
E o mar, numa chorosa melopeia,
Vem morrer lento aos cânticos da aragem
Em golfadas de espuma sobre a areia.
Figueira da Foz, 1918 (Anuário Figueirense)
A. Pinto de Almeida (António Amargo) *
* De seu nome completo António Correia Pinto de Almeida, nasceu na Figueira da Foz em 1895, e usou o pseudónimo de António Amargo para assinar muitas das suas produções. Jornalista, poeta, autor dramático, escreveu, entre outras, as peças Polícia Amador, O Degredado e Os Conspiradores. Foi director da Gazeta da Figueira e colaborou noutros órgãos da imprensa figueirense.
AJM
Para a história da Figueira - II
sábado, 10 de junho de 2006
O caso Mateus e o nosso futebol
Lê-se e custa a acreditar. Mas, na realidade, também só não acredita quem ainda alinha no lirismo de que o pontapé na bola é uma escola de virtudes.
Rara é a época em que não surgem casos no futebol português, e tal não se constata só a nível das arbitragens, o alvo mais batido.
Agora, para animar a malta, surge o caso Mateus. Não, não me refiro à Lei Mateus, mas ao caso à volta do jogador angolano que passou de amador a profissional, na mesma época, saindo do Lixa para ingressar no Gil Vicente.
Vários jornais desportivos deram conta de que o clube minhoto ia descer de divisão pelo facto de, contrariando os regulamentos desportivos, ter recorrido aos tribunais civis para que o assunto fosse dirimido.
“A Bola”, por exemplo, noticiou: “O Gil Vicente vai ser castigado com a descida para a Divisão de Honra, mantendo-se o Belenenses no escalão principal do futebol português, devido ao chamado "caso Mateus".
Face à notícia, a agência noticiosa “Lusa” anunciou: “Um sentimento de revolta domina hoje as conversas em Barcelos, devido às notícias sobre a possível despromoção do Gil Vicente à Liga de Honra de futebol, após o recurso aos tribunais civis para permitir a inscrição de Mateus”.
Ontem surgiu nova surpresa, com a notícia de que a Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional decidiu a favor do Gil Vicente no "caso Mateus", pelo que o clube minhoto vai, afinal, disputar a Liga 2006/07.
E os sucessivos noticiários adiantaram que a decisão de dar razão ao Gil Vicente no "Caso Mateus", que permite aos minhotos manterem-se na Liga portuguesa de futebol, baixando o Belenenses à Liga de Honra, provocou a demissão de dois dos elementos da Comissão Disciplinar da Liga, Frederico Cebola e Pedro Mourão, que votaram contra a decisão em arquivar os processos iniciados por Académica e Belenenses contra o Gil Vicente, o que provoca, necessariamente, a queda imediata da CD, uma vez que deixará de ter o número mínimo de elementos para se manter em funcionamento.
Dado um empate na votação, o presidente Gomes da Silva chamara a si a decisão, com o argumento do voto de qualidade, situação que, segundo parece, não está prevista nos regulamentos.
Desta feita, a revolta passou para o lado dos azuis do Restelo que, em conferência de imprensa, pela voz do seu presidente Cabral Ferreira, entre outras declarações, referiu que, a 1 de Junho, "o plenário da Comissão Disciplinar da Liga, composto por quatro membros, analisou os processos da Académica e do Belenenses, tendo decidido dar provimento às pretensões dos dois clubes", prosseguindo: “No que ao nosso clube respeita, três membros votaram favoravelmente ao Belenenses e um (Domingos Lopes) pediu escusa da votação por ser filho de um dirigente do Gil Vicente (Constantino Lopes, vice-presidente). Afinal, este membro nem sequer devia ter participado na discussão, quanto mais na votação", acusou, concluindo tratar-se dum “verdadeiro golpe palaciano a mudança do sentido de voto”.
E agora, ainda segundo aquele dirigente, o Belenenses vai recorrer à Procuradoria-Geral da República, procedendo “disciplinar e criminalmente” contra os autores da alegada reviravolta.
Durante a conferência de imprensa, Cabral Ferreira disse mesmo que “o dia 9 de Junho tornou-se numa marca negra da história do futebol português".
E, após estas, boto eu palavra: Meus amigos, perceberam, não é verdade? Não haja dúvida, isto, só com um pano encharcado!
AJM
quinta-feira, 8 de junho de 2006
GNR em Timor
"O contingente da GNR em Timor- Leste está confinado ao quartel improvisado em Díli, com ordens do governo português para não sair devido a um bloqueio diplomático nas negociações com a Austrália sobre as cadeias de comando";
"O ministro António Costa desmente ordem de acantonamento";
"Acordo provisório para desbloquear actuação da GNR em Dili"; e
"Comando exclusivo no Bairro do Comoro, em Dili",
apetece-me perguntar: Afinal, como foi organizada a partida do contigente da GNR para Timor?Será que tudo corresponde à desorganização com que nos vamos confrontando dia a dia, um pouco por todo o país?
Só não me rio porque a coisa é muito séria!
AJM
terça-feira, 6 de junho de 2006
Love Story
Invejo o mar azul
que te envolve num amplexo constante,
as ondas a embalar-te com ternura
e a Serra que te contempla e protege,
o Mondego sussurrante que te beija!
Invejo as areias do teu leito,
o Céu e o Luar que te ilumina
,o Sol que te aquece num enlevo
e os incomparáveis poentes de feitiço!
E morro de ciúmes quando à noite
as águas te murmuram ternamente
tudo quanto ambicionava mas não sei
dizer-te, meu Amor!
Quedo-me então triste e solitário
por não saber dizer-te tanto coisa!
E olho-te, e amo-te sem que saibas
o muito que te quero, te desejo!
FIGUEIRA, eu me confesso: tenho ciúmes
dos que vivem o prazer do teu encanto!
ANÍBAL JOSÉ DE MATOS
Poesia
Sempre um travo de fel e de amargura,
Como atrás do viandante a sombra escura
Sob o luar de prata, nas estradas.
Desta alegria, cheia de tristeza,
A causa verdadeira e principal
É cobrir-me este céu de Portugal
E ter nascido em terra portuguesa;
É que alta noite, numa voz de terço
A voz do mar e a voz dos pinheirais
Me adormeceram muita vez no berço;
É que eu herdei para o meu sangue novo
Do sangue velho e gasto de meus Pais
Toda a alegria triste deste povo.
Augusto Pinto *
* Augusto dos Santos Pinto era natural da Figueira da Foz, onde nasceu a 5 de Julho de 1888, tendo falecido na Suíça, na cidade de Berna, em 4 de Fevereiro de 1979. Foi jornalista no Diário de Notícias e em O Século, sendo autor de inúmeros poemas, alguns dos quais escritos para canções de agrupamentos folclóricos, designadamente para o extinto Rancho do Vapor sediado na Figueira. Colaborou ainda em vário jornais figueirenses, entre os quais a Gazeta da Figueira. A ele se ficou a dever o epíteto de Praia da Claridade para a sua terra natal.
segunda-feira, 5 de junho de 2006
Para a história da Figueira – I
Do “Almanach da Praia da Figueira para 1879-1880”, da autoria de A. de Amorim Pessoa”, uma obra, portanto, com 127 anos, que guardo religiosamente, extraí a seguinte passagem que fala, um pouco, do muito que contém a história da Figueira da Foz.
Respeitei, integralmente, a ortografia:
“O PRIMEIRO THEATRO DA FIGUEIRA
Não esqueceremos aqui e mesmo para que fique registada, a existencia do primeiro theatro regular que a Figueira possuiu.
Existia no pavimento terreo do Paço dos condes da Figueira, que é localisado na rua detrás do Paço, e todo o conjuncto da sua fábrica foi realisado à custa d’uma sociedade particular de curiosos dramaticos.
Foi construido entre os annos de 1820 a 1823 e a primeira representação que n’elle foi à scena deu-se com a tragedia - Nova Castro. Dos differentes papeis, encarregaram-se os seguintes individuos, dos quaes alguns ainda existem – Joaquim Dias da Costa, João Ignacio da Cruz Forte, Francisco António Braz, João António, cirurgião em Buarcos, João Gaspar, Caetano Gaspar e Manoel José dos Santos.
Esta primeira representação foi honrada com o concurso de uma das notabilidades do paiz. O ilustre estadista Rodrigo da Fonseca Magalhães, que aqui tinha vindo de visita com o general Luiz do Rego, encarregou-se do desempenho do papel de D. Pedro.
Aquelle palco serviu de eschola dramática a muitos dos nossos conterrâneos, que, mais tarde, vieram a fazer as delicias da modesta gente d’aquelles bons tempos.
(…) Em uma occasião (entre 1859 a 1862) foi o theatro presa das chammas e, por coincidencia, havia-se n’essa noute representado a comedia – “Um marido victima das modas” – na qual se apresenta um criado a dar a pavorosa noticia do incendio do Banco de Portugal.
Pouco depois de haver terminado o espectaculo, rompia o fogo no palco, envolvendo os bastidores e o deposito do scenario com tal violência, que nada se poude salvar. O palco ficou inteiramente carbonisado; a plateia e camarotes ainda escaparam ao incêndio.
Hoje que d’elle nada resta aqui o deixamos em lembrança.”
AJM
sábado, 3 de junho de 2006
Aviões sem aeródromo
Em 21 de Julho de 2004, vão, pois, decorridos quase dois anos, escrevia eu, em editorial, num jornal local da Figueira da Foz:
"São as incongruências do destino. Aeródromos sem aviões ou aviões sem aeródromos são situações que não lembram ao Diabo.
Há muitos e muitos anos que a Figueira deixou de ter um campo de aviação, já que deu a alma ao Criador o velhinho "Humberto da Cruz".
A Figueira é uma cidade que se quer de turismo, sabendo-se que, hoje, o meio mais adequado às deslocações é o avião, e sabendo-se também que as acessibilidades a esta cidade, por outras vias, tarda em concretizar-se, sabe-se lá porquê…
Durante largos tempos - a ideia passou para segundo plano - falou-se na utilização do aeródromo militar de Monte Real, tendo havido avanços e recuos cujo desfecho é aquele que se sabe. Muitos estudos, muitas promessas, e mais nada.
Altura houve em que alguém, como por vezes há quem tenha a mania das grandezas, projectou para a Figueira, um aeródromo, talvez mais concretamente um aeroporto, uma ideia megalómana que quase fazia parecer que iria fazer concorrência a Lisboa, Porto ou Faro.
Nos tempos antigos, com menos possibilidades económicas mas algum sentido de alcance, a Figueira da Foz teve um campo de aviação, de seu nome, como acima referimos, de Humberto da Cruz, homenagem a um piloto, figueirense pelo coração, que deu um sentido nacional à aproximação de povos pelo ar.
Hoje, existe um Aero-clube, há um avião, e a base é Coimbra!
Fala-se agora, como se refere noutro local da presente edição, parece que com espírito de realidade, na construção dum aeródromo, de dimensões adequadas ao espaço turístico e industrial.
De há muito tempo a esta parte, no sul do concelho, tem estado implantada uma placa que o anuncia, sem que nada de concreto se tenha vislumbrado.
Esperamos que agora seja de vez.
Recordamos aqui, o que diziam Maurício Pinto e Raimundo Esteves, em 1943: "Pode visitar-se a Figueira da Foz (…) pelo ar, o Campo de Aviação Humberto da Cruz que, logo que ampliado, constituirá a gare aérea do futuro".
Em 1935, o tavaredense António Medina Júnior, relatava a viagem que fez, de avião, com Humberto da Cruz, de Sintra à Figueira da Foz. Citamos uma pequena passagem:
"Murraceira. Campo "Humberto da Cruz".
Aterragem boníssima. Eu receava a sensação da aterragem. Não é, afinal, aquilo que me diziam. Custa mais descer o elevador de Santa Justa…"
Desta vez tudo leva a crer que a coisa vai avante."
... E acrescento na data de hoje: Será que vai mesmo?
Aníbal José de Matos
sexta-feira, 2 de junho de 2006
O encerramento da Maternidade do HDFF
Das várias opiniões produzidas sobre o assunto, gostei, francamente, da proferida por Nelson Fernandes, a propósito duma sessão de “esclarecimento” em que foi palestrante Jorge Branco, presidente da Comissão Materno-Infantil e Neo-Natal, reproduzida num blogue, e que termina nos termos que tomo a liberdade de reproduzir:
“Este debate provou, mais uma vez, que afinal as razões técnicas e científicas vertidas neste relatório, e que justificam o encerramento das maternidades, não passam de habilidades politicas mal disfarçadas pelos técnicos, e de habilidades técnicas mal disfarçadas pelos políticos.”
Penso que os argumentos de Nelson Fernandes, que, pela sua profissão, parece conhecer bem os meandros da maternidade do Hospital, têm ampla razão de ser, até pela forma como contrariou os pressupostos que levaram à decisão do encerramento.
Uma novidade para mim, e que, de algum modo, me deixa desconfiado, é o facto de Jorge Branco ser proprietário, pelo que li, duma maternidade!
Toda esta questão me leva a crer que alguém quer tramar a Figueira, como, aliás, tem vindo a acontecer ao longo dos tempos.
Um dos argumentos lançados para justificar o encerramento, é o número de partos, na Figueira, ser inferior a uma quota que foi fixada em 1 500. Sinceramente, já se viu coisa mais disparatada?
Então, porque ali nascem menos crianças é razão para o fecho do sector?
Será que as razões de funcionalidade do Hospital, aonde, pelo que li, não há notícias de qualquer percentagem de mortalidade de mães ou de bebés, não são suficientes para se aquilatar da sua eficiência?
Será que quem decidiu (ainda acredito que o movimento que se gerou na Figueira vai vingar) conhece bem o concelho da Figueira da Foz, e se apercebeu das dificuldades de transporte, a tempo e horas, por muito boa vontade que exista, a partir das diversas localidades, para Coimbra, parecendo que se quer, assim, acabar com o direito de se nascer na Figueira?
Apenas afloro, como simples cidadão, algumas das questões relacionadas com a decisão do Senhor ministro da Saúde, para dar conta do meu humilde apoio a todos os movimentos que lutem pela revogação do disparate.
Aníbal José de Matos
quinta-feira, 1 de junho de 2006
Parabéns

Eis o Vicente
Funchal ao nascer do Sol
Foto de Aníbal José de MatosQue patriotismo?
Não sei se o termo correcto será esse, mas, na verdade, no que me diz respeito, o meu patriotismo não passa pelo futebol.
Refiro-me, naturalmente, às bandeiras nacionais (o símbolo da Nação deveria merecer maior respeito), espalhadas pelas casas de milhares (serão mesmo milhões?) de portugueses, a propósito do apoio à selecção nacional de futebol que vai disputar o próximo campeonato mundial, na Alemanha.
Já tivemos o exemplo no Euro 2004, em que Portugal quase foi transformado num mastro gigante para que a Bandeira servisse de incentivo para o êxito futebolístico.
O que não deixa de ser curioso, é a ideia ter partido dum brasileiro, concretamente o seleccionador Scollari.
Afinal, será que o tal “portuguesismo” estava adormecido? Ou Scollari descobriu a pólvora, gozando com a nossa mediocridade?
E será também que o seleccionado nacional, composto por jogadores que ganham milhões em contraste com a pobreza nacional, merece este apoio insólito, como se dum clube se tratasse e os seus adeptos desfraldassem os emblemas que o representam?
Será que os portugueses não encontraram forma mais adequada para gastar o seu dinheiro, como, por exemplo, apoiar situações tão carenciadas como as que existem neste país?
E, atenção, a própria colocação da Bandeira Nacional está regulamentada. Penso que não deve ser banalizado o seu hastear, assim como o próprio Hino Nacional não deveria ser executado por dá cá aquela palha.
Aníbal José de Matos



















