sábado, 8 de julho de 2006

Alemanha, 3 - Portugal, 1

Portugal em 4.º lugar
A selecção nacional portuguesa não conseguiu repetir o êxito de 1966, e perdeu o jogo de apuramento para o terceiro lugar.
Como notas curiosas deste desafio, o facto do segundo golo dos alemães ter sido obtido por Petit, na própria baliza, e o tento de honra ser marcado por Nuno Gomes, na sua estreia neste Mundial.
AJM

Portugal-Alemanha

Igualdade ao intervalo (0-0)

Jogo bastante equilibrado, sem grande sentido objectivo, já deu, pelo menos, para que Ricardo se evidenciasse com excelentes intervenções.
À primeira vista, parece tudo conjugar-se para que se assista a mais um prolongamento.
A ver vamos.


AJM

Para a história da Figueira - VI


Reprodução dum sugestivo cartaz de 1930

S. João de antigamente


Com muito menos dinheiro (incomparavelmente), a Figueira, nos tempos que já lá vão, comemorava, de forma eufórica, a quadra do S. João, sendo invadida por milhares de forasteiros que, inclusivamente, se deslocavam à Praia da Figueira para, nas águas milagrosas, curarem as suas maleitas.
Na edição de 1945, da obra “Aspectos da Figueira da Foz”, da autoria de Raimundo Esteves e Maurício Pinto, lêem-se curiosas alusões ao S. João da Figueira.
Por exemplo, acerca do Banho Santo, uma das componentes mais relevantes das festividades, escrevia-se:“Ao pontual bater da meia-noite, era o Banho Santo – que curava maleitas, quartãs [febre intermitente cujos acessos se manifestam de quatro em quatro dias], febres e de toda a doença e mal-querer.
Vinham das terras morenas das Beiras, dos campos verdes e viçosos de Coimbra à beira-rio, dos pinhais de Leiria, alfombrado de macias sombras – com seus farnéis em taleigas e pipos ao tiracolo, gentes sortidas com seus trajos garridos – chalezinho no braço das beiroas, chinelinho de verniz das moças de Taveiro e Formoselha, caçoilinho redondo de feltro das cachopas das terras semeadas a pinhal, pelo Senhor Rei D. Diniz".

Outros tempos, digo eu.

AJM

Igual a 1966?


Subida ao pódio está à vista
A equipa de Portugal já fez um brilharete neste Mundial 2006, sendo uma das quatro melhores selecções do mundo.
Hoje, a partir das 20h00, em Estugarda, os comandados por Felipe Scolari desfrutam da oportunidade de igualar o feito dos magriços em 1966.
40 anos depois, esta formação, orientada, tal como em 1966, por um seleccionador brasileiro (na altura foi Otto Glória), volta a fazer história, encerrando a sua participação com um jogo para decidir o terceiro classificado, defrontando, nada mais nada menos do que o seleccionado anfitrião.
A selecção nacional vai ter contra si uma enorme legião de adeptos alemães, mas a equipa já demonstrou que estes cenários não a impressionam.
AJM

O pensamento do dia

Erva daninha: uma planta cujas virtudes ainda não foram descobertas.

Ralph Waldo Emerson

sexta-feira, 7 de julho de 2006

Quatro portugueses entre os melhores do Mundial

Ricardo (Portugal, considerado, pela FIFA, um dos três melhores guarda-redes do Mundial 2006

Quatro jogadores da selecção portuguesa de futebol (Ricardo, guarda-redes, em conjunto com Buffon (Itália) e Lehmann (Alemanha), o defesa Ricardo Carvalho e os médios Figo e Maniche, foram considerados, pela FIFA, as estrelas do Mundial 2006, na Alemanha.

Calinada em publicidade de um hipermercado


Como pode ver-se nesta reprodução de um panfleto de publicidade distribuído por um hipermercado da Figueira da Foz, a anunciar uma cama de viagem para criança, a mesma inclui MOSQUETEIRO, ou seja um “soldado pertencente à infantaria e armado do mosquete (arma de fogo antiga, portátil, com o feitio de uma espingarda…”).
Portanto, criança segura…

E já agora, não quereria o tal hipermercado referir-se a MOSQUITEIRO, que é uma cortina, geralmente em tule, que se coloca à volta de uma cama, para resguardar dos mosquitos…”?
Não há dúvida de que os atropelos à língua portuguesa são pão-nosso de cada dia.

AJM

Para a história da Figueira - V

Uma história de badaladas

Recuemos até 1918.
Recolhi do Anuário Figueirense, um capítulo interessante sobre a forma de alerta e de informação sobre os locais onde se pudessem verificar incêndios.
Então, os Bombeiros convencionaram:

Tabela de toques de incêndio

1.ª zona: Do Nascente à Rua 10 de Agosto – 6 badaladas
2.ª zona: Da Rua 10 de Agosto à Praça Nova e Entre-Muros – 8 badaladas
3.ª zona: Da Praça Nova, Rua Nova e Entre-Muros à Praia da Fonte – 10 badaladas
4.ª zona: Da Praia da Fonte ao Poente da cidade – 12 badaladas
Fora da cidade:
Praia de Buarcos – 13 badaladas
Buarcos – 14 badaladas
Tavarede – 15 badaladas
Noutras localidades – 17 badaladas.

O que era preciso era estar com a maior atenção para contar as badaladas…

AJM

Poesia

Liberdade

Ambicionava usufruir a liberdade dos cisnes
que volteiam nos lagos do jardim,
a liberdade dum plátano verdejante
osculando as suas águas ternamente.
A própria liberdade das crianças
que aos cisnes oferecem o pão do seu amor,
a liberdade da água que goteja
nas gargantas das pombas sequiosas...

Ser livre como as almas sonhadoras
liberto do fardo dos costumes,
ser livre como as aves que me cercam
felizes pela entrega deste milho
que lhes dou em renúncia do meu ser...

Eu queria serrar os elos das correntes
que me arrastam na prisão da minha era,
aspirar profunda e livremente
a liberdade daqueles que são livres!

Aníbal José de Matos (do livro "Esperanças", 1976)

O pensamento do dia

Manobras de diversão
Durante a primeira metade da nossa vida temos a capacidade de nos divertirmos sem a oportunidade; na outra metade, temos a oportunidade sem a capacidade.
Mark Twain

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Para Cracóvia (Polónia)

Para um figueirense, de nome Alberto, na Polónia.
Foi um prazer saber que está atento às considerações que vou tecendo.
No caso vertente, penso que terá razão nas suas ilações. Na verdade, temos outras selecções com técnicos estrangeiros.
Mas o resto também não deixa de ser verdade.
Disponha sempre, e obrigado pelo seu estímulo.
Um abração e votos de felicidades.

Aníbal José de Matos

Que chatice!


Fiquei abismado com a notícia que acabo de ouvir da rádio:O IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico, antigo Instituto Portugues do Património Arquitectónico) não autorizou a abertura do túmulo de D. Afonso Henriques, no mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra.
Não bastava Portugal estar de luto pela "morte" dum sonho, o de ser campeão do mundo de futebol, e acontece mais esta.
Ai se D. Afonso Henriques voltasse a apanhar a mãe a jeito...
Nota: Sinceramente estava a brincar com coisas sérias. A intenção de abrir o túmulo tem sentido histórico, cultural e arqueológico. Não consegui é saber, por agora, as razões que levaram a tal decisão.

AJM

Caso Mateus volta à primeira forma...


Afinal o Gil Vicente mantém-se na Liga ou desce?

É que, segundo um despacho da Lusa, de hoje, e passo a transcrever, "O Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) anulou hoje o acórdão da Comissão Disciplinar da Liga de clubes que confirmava a permanência do Gil Vicente na Liga e a despromoção do Belenenses à Liga de Honra.
Com esta decisão, a Comissão Disciplinar da Liga terá de decidir novamente o denominado "caso Mateus", mas desta vez sem a participação no processo do seu vogal Domingos Lopes, que é filho do ex-vice-presidente do Gil Vicente Constantino Lopes, o qual entretanto apresentou a demissão do cargo.
A decisão do Conselho de Justiça da FPF surgiu após recurso apresentado pelo Belenenses, que reclama a despromoção do Gil Vicente - e a sua consequente manutenção no escalão principal - por o clube de Barcelos alegadamente ter recorrido aos tribunais civis.
Em causa estava a inscrição do avançado internacional angolano Mateus como profissional pelo Gil Vicente, em Janeiro, depois de o jogador ter sido utilizado na última época pelo Lixa com o estatuto de amador.
Como os regulamentos não permitem que um jogador amador seja inscrito na mesma época como profissional, o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto obrigou, numa primeira fase, a Liga a aceitar a inscrição do futebolista, mas depois acabou por recuar na decisão.
Ao contrário do que argumenta o Belenenses, o Gil Vicente alega, no entanto, que foi o próprio jogador, e não o clube, quem recorreu para os tribunais civis.
O caso, decidido por um voto de qualidade do presidente Gomes da Silva, após um empate 2-2, provocou uma séria clivagem no seio da Comissão Disciplinar da Liga, levando mesmo os vogais vencidos, Pedro Mourão e Frederico Cebola, a apresentarem o seu pedido de demissão".

Quem quer mal a Scolari?

Portugal, em termos de futebol, acaba de fazer história no campeonato do mundo de futebol.
Uma das quatro melhores selecções mundiais, tem, segundo Júlio Magalhães (conhecem, não é verdade?), o azar de ter como seleccionador um estrangeiro!
Conforme escreveu, na edição de hoje num diário desportivo nacional, “todas as críticas que tenho feito, assentam sempre no mesmo princípio: não concordo com o facto de à frente de uma Selecção Nacional, seja ela qual for [um rebate de consciência e lá se lembrou ele doutros países], estar um treinador estrangeiro.
Depois, fala dos heróis de 1966. Parece que o senhor Júlio Magalhães se esqueceu de que também, nessa altura, quando Portugal conseguiu o seu maior feito futebolístico, a selecção também era comandada por um estrangeiro: Otto Glória, que somou êxitos nos três maiores clubes nacionais.E acrescenta: “Não nos podemos queixar da sorte, ou da famosa “santa” que nos ajudou a chegar às meias-finais”.
Ah, é verdade, lá me ia esquecendo. Vejam este naco de prosa: “…não faltam treinadores. Mourinho é um deles (não me importava nada que acumulasse o Chelsea com a Selecção)…”
Um aparte: os ingleses iam adorar…A concluir e como resposta: Maria Dulce Gil, de S. Domingos de Rana, comenta, na edição de hoje da “Visão”: “Os resultados devem-se a boa gestão e liderança. Hoje e em 1966 temos seleccionadores. A nível político, será necessário recorrer a dirigentes estrangeiros?”.
Mais comentários, para quê?
AJM

Este português…

Nem mais nem menos...


A cada passo deparamos com calinadas de todo o tamanho. Então a língua portuguesa sofre tratos de polé.
A imagem que reproduzimos encontra-se em vários locais dum suposto gabinete de estética, mas a quem resolveram chamar “gabinete de estéctica”.
Não sei se existe – penso que não – na Câmara Municipal da Figueira da Foz, um gabinete de verificação dos atropelos à ortografia com que deparamos um pouco por todos os lados, em estabelecimentos comerciais, nas ementas, etc.
Esta é mais uma de cabo de esquadra.
A preciosidade ortográfica situa-se num dos hipermercados da Figueira da Foz.
AJM

O pensamento do dia

Um estudante da universidade tem que saber tudo. Um professor assistente tem que saber em que livros procurar aquilo que professor quer saber. O professor tem que saber onde encontrar o professor assistente.

Adrienn Kiss. Hungria

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Ecos do Portugal (0) - França (1)

Jogadores portugueses choram o fim do sonho



Zidane comemora a vitória sobre Portugal


Alguns títulos da imprensa estrangeira acerca da vitória da França sobre Portugal, nas meias-finais do mundial 2006:

O Globo (Brasil) - "Carrasco" Zidane coloca a França na final.

Folha de S. Paulo (Brasil) - Fim de ciclo: Luiz Felipe Scolari vê fim de invencibilidade de 19 partidas no comando de Portugal.

Diário do Grande ABC (Brasil) - Portugal teve mais garra, assustou um pouco mais, reclamou de um penálti não marcado e terá, ao menos, o consolo de disputar o terceiro lugar.

Sonho morre aos pés de Zidane

Zidane e Figo no princípio do jogo (imagem de Le Monde)

Tinha que ser ele. Zidane, a estrela da selecção francesa, acabou com o sonho dos portugueses, marcando, de grande-penalidade, o golo que decidiu a meia-final.
À selecção nacional portuguesa resta, agora, repetir o êxito de 1966, subindo ao terceiro lugar do pódio caso vença a Alemanha no próximo sábado.


AJM
Faltam menos de três horas para que este homem (Scolari), dê uma nova alegria aos desportistas portugueses.
Não se esqueça. Às 20h00, Portugal-França, jogo que decide quem vai defrontar a Itália, na final do campeonato de mundo de futebol 2006, que está a disputar-se na Alemanha.

Assim se faz jornalismo...

Por favor, leiam este naco de prosa, a que não alterámos uma vírgula, respeitando religiosamente a ortografia, assinado, em Editorial, pelo director dum jornal da Figueira da Foz:
"Pois é, é que antigamente o mundo era uma coisa muito grande, demoravam imenso tempo para ir de Lisboa a Paris ou de Paris a Bombaim ou de Bombaim à Casa Branca Blanca enfim era tudo muito longe, agora em segundos sabemos tudo o que se passa no mundo, agora o mundo é muito pequeno, ainda no passado recente à cerca de 5 anos um amigo meu chegou a África e foi ao banco abrir uma conta, pouco importa qual era a importância do depósito, o gerente do banco perguntava com que banco trabalhava em Lisboa e se não tinha incidentes bancários, o meu amigo respondeu não, não tenho problemas, o gerente pediu-lhe 10 minutos e 10 minutos depois sabia que o meu amigo não tinha cheques, nem cartões de crédito, nem qualquer crédito, meus amigos o mundo é muito pequeno, vamos fazer com que o espaço que nos é emprestado em quanto cá andamos não é suberbamente ocupado, vamos viver com todos os habitantes do mundo, não vamos pisar os outros, vamos respeitar tudo e todos para que a vida não seja um inferno tanto a nossa como a dos outros e porque o mundo virou vamos repor tudo no sítio para uma vida digna de paz respeito e amor".
Esperou que tenham respirado bem fundo para lerem duma assentada este "curto" parágrafo. E
mais nada. "Jornalismo" é assim mesmo...

Feriado em Coimbra…dia Santo na Figueira

Já vem dos velhos tempos a imprescindível deslocação dos conimbricenses à Figueira. Muitos aqui adquiriram casas de fim-de-semana e, sempre que têm uma aberta, aí estão eles, regaladinhos ao Sol, nas praias ou, dentro dos automóveis, a dormirem na marginal.
Dizia-me um amigo, há tempos, que não tinha conhecimento de algum figueirense que fosse passar férias a Coimbra, mas, ao invés, a cidade da Praia da Claridade enchia-se de gente oriunda da chamada cidade universitária, para aqui gozarem a sua vilegiatura.
A propósito, ontem, 4 de Julho, foi feriado municipal em Coimbra. Só que, uma esmagadora maioria de gentes de Coimbra preferiu ir de abalada até à Figueira, e na cidade da Foz do Mondego até parecia ser dia Santo.
As praias encheram-se, não havia, praticamente, um lugar para estacionar ao longo das marginais. Pois é: era feriado em Coimbra! Hoje, não direi que as praias estão desertas, mas a afluência diminuiu substancialmente.
A verdade é que em Coimbra, o rio não passa dum basófias, e na Figueira da Foz, há rio e mar que cheguem e ainda sobra pano.


AJM

O pensamento do dia

Antes de comprarmos algo, seria bom pensarmos se não poderíamos passar muito bem sem essa coisa.
John Lubbock (1803-1865)
Astrónomo e matemático britânico

E continua...


Alegados traficantes detidos pela PJ
Da edição do "Público", de 4 de Julho:

"Os seis alegados traficantes, detidos na sequência de investigações separadas da PJ, integravam um grupo que actuava em Coimbra e outro nesta cidade e na Figueira da Foz, podendo nos dois casos comercializar drogas que "iriam para diferentes localidades" do centro do país.
Com idades entre 23 e 62 anos, os homens integravam dois grupos diferentes e foram detidos nos últimos dias em Coimbra pela presumível autoria de crimes de tráfico de droga.
Identificados pela PJ como responsáveis por actividades ilícitas de "médio tráfico", os arguidos "vendiam a droga a pequenos traficantes da Região Centro", segundo a mesma fonte policial.
Na sequência das investigações, "com o objectivo de aniquilar segmentos de tráfico de estupefacientes na Região Centro", foram apreendidas 17.500 doses individuais de pólen de haxixe e 2500 de cocaína.
Foram também apreendidas duas viaturas, uma arma de fogo e 11.950 euros em numerário, além de "diversos apetrechos usados no manuseamento da droga".
Após um primeiro interrogatório judicial, quatro arguidos ficaram em prisão preventiva e os restantes sujeitos a apresentações periódicas às autoridades".

“Perdi o bebé”

Confesso. Hoje o almoço soube-me a fel.
Se é certo que nem tudo são rosas, por vezes os espinhos conseguem torturar-nos.
Hoje fui almoçar ao restaurante aonde, de quando em vez, tomo as minhas refeições.
Já tinha reparado, há alguns dias, que a fisionomia da anfitriã não era a correspondente aos seus melhores dias, longe disso.
Ela, sempre alegre, contagiando tudo e todos, proporciona-nos uma estada agradável. É uma companhia que nos dá imensa satisfação.
Finalmente, hoje, pela sua boca, soube a razão da sua expressão triste dos últimos dias.
Entre impertinentes lágrimas, confessou-me: “Perdi o bebé”.
Senti um calafrio perante o sofrimento duma mulher, boa, que perdera um sonho. Por agora, digo eu.
O amor por uma criança que não chegou a nascer contrasta com a leviandade com que certas “mães” tratam os seus filhos.
Minha cara amiga: a vida continua, e porque é uma pessoa de bem, Deus vai recompensá-la. Disse-me que "Deus não existe". O sofrimento de momento levou-a a proferir essas palavras. Mas vai ver que Deus existe mesmo. Tenha fé. O futuro é já amanhã.
Ele não dorme.
AJM

terça-feira, 4 de julho de 2006

Itália na final


Itália, finalista do mundial 2006
Terminou o primeiro encontro das meias-finais, com a Itália a vencer, no prolongamento, a Alemanha, por duas bolas sem resposta, golos marcados nos últimos dois minutos do tempo extra.
Está, assim, encontrado, um dos finalistas do Mundial 2006. Resta, agora, saber, quem vão os transalpinos defrontar na final. Os portugueses esperam que seja a selecção de Scolari.
Os objectivos estão muito próximos de serem alcançados.
Amanhã, às 20h00, todos os olhos estarão postos nos pequenos ecrans. Joga-se o Portugal-França, para ser encontrado o segundo finalista.
AJM

Poesia

A "Serra"

"Serra da Boa Viagem",
recortada nas alturas,
com luminosa roupagem
de verde pinho e verduras...

Na "Vela" avulta a folhagem,
mas vê-se o mar nas funduras,
e na "Bandeira" a miragem
é de infindáveis lonjuras...

"Cabo Mondego" altaneiro,
verde negro, ao mar fronteiro,
por entre brumas ou Sol...

E nas noites sem luar
fica na guarda do mar
o luzeiro do "Farol"...

Ernesto Tomé (Figueira da Foz e a ronda das freguesias -1969

Em Buarcos, um parque de referência


Segurança


Enquadramento paisagístico

Um parque com gosto

Não tenhamos dúvida nenhuma. Buarcos tem um parque infantil de referência. Ao contrário do que acontece no Jardim Municipal da Figueira da Foz, o parque de Buarcos, bem cuidado e estruturado para crianças dos vários escalões etários, é um exemplo.
É seguro, é vedado, tem um aspecto limpo. Dignifica a freguesia e é o encanto da pequenada. Com uma afluência digna de registo, frequentado por crianças que ali acorrem acompanhadas por familiares ou por professores, é, na realidade, um ponto de encontro dos miúdos idos dos mais diversos lugares do concelho e não apenas.
Saudamos quem ergueu um parque infantil digno desse nome.


Aníbal José de Matos (texto e fotos)

O pensamento do dia


As crianças estão crescidas quando deixam de perguntar de onde vieram e se recusam a dizer para onde vão.

Hanging Times, The Kiplinger Magazine

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Para a história da Figueira - IV

Farmácias na Figueira da Foz
Em 1880, existiam na Figueira as seguintes farmácias:
Farmácia Almendro, de José Maria Ferreira da Silveira Almendro, na Praça do Comércio (hoje Largo Luís de Camões);
Farmácia da Misericórdia, dirigida por Joaquim Mendes Simões de Castro, no edifício do Hospital (então Hospital da Misericórdia), no Largo de Santo António (hoje Largo Silva Soares);
Farmácia Oliveira, de Sotero Simões de Oliveira, na Praça Nova (hoje Praça Oito de Maio); e
Farmácia Costa, de Luís Maria da Costa, na Rua das Flores (hoje Rua Dr. José Jardim).
AJM

O Record e o Zás-Trás

O Desporto Escolar -SEM COMENTARIOS
Terça-feira, Junho 27, 2006

"O jornal desportivo “Record” é dos poucos, se calhar o único, diário desportivo que, uma vez por semana, vá lá!, apresenta uma página sob o título “ Desporto Escolar “ No passado dia 22 de Junho de 2006, na página 59, em notas breves, lia-se no Record:“Por ABSOLUTA falta de espaço, não publicamos a página de Desporto Escolar …”Porquê a ABSOLUTA falta de espaço?Porque das 64 páginas do Record daquele dia, 45 paginas foram dedicadas ao Campeonato Mundial de Futebol, 10 páginas foram dedicadas aos campeonatos nacionais de futebol, 5 páginas foram dedicadas às outras modalidades, 1 página para as últimas noticias do futebol, 2 páginas para anúncios e 1 para as outras noticias nacionais…Ou seja, naquela edição do diário desportivo, 56 páginas foram dedicadas ao futebol…! Está tudo dito! O meu comentário semanal, a propósito, é: SEM COMENTARIOS !"
JG
A propósito: Li, com a maior atenção, este "sem comentários" inserido no Zás-Trás, blogue do Ginásio Clube Figueirense. A minha resposta, eu que sou correspondente de "Record" há mais de 20 anos, foi transcrever este apontamento e remetê-lo para as chefias do jornal que represento na Figueira da Foz.
ANÍBAL JOSÉ DE MATOS

Sócrates dá estalada a Freitas do Amaral...

Acabo de ouvir o noticiário das 12h30, na TSF.

A propósito da posse dos novos ministros e secretários de Estado, o jornalista de serviço, no Palácio de Belém, falou, assim, do encontro de José Sócrates com Freitas do Amaral:

"José Sócrates veio ao encontro de Freitas do Amaral e deu-lhe uma palmada nas costas", mas, depois, rectificou: "Deu-lhe um forte aperto [seguiu-se uma branca], uma forte estalada nas costas".

Nota: Estalada, conforme o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, é "uma pancada com a mão, especialmente na cara".

Quer dizer: depois do aperto, a estalada...

O pensamento do dia

Os melhores anos da vida de um homem são aqueles em que os filhos já têm idade para cortar a relva, mas ainda não têm idade para conduzir.

Bits & Pieces

domingo, 2 de julho de 2006

A todos os condutores

Em 25 de Julho de 1964 (vão decorridos 46 anos), foi assinalado na Figueira, numa iniciativa pela primeira vez levada a efeito em Portugal, com o patrocínio da companhia de Seguros “O Trabalho”, e organização do comando da PSP e jornais “O Figueirense”, “A Voz da Figueira” e “O Dever”, o Dia de S. Cristóvão, integrado num programa dedicado ao Dia do motorista da Figueira da Foz.
Da brochura publicada aquando do evento, retirei este soneto da autoria de José Fernando de Moura, que me parece perfeitamente actual.


Devagar se vai a longe

Tu, que do automóvel tens a sorte
de andares comodamente pela estrada,
vai com velocidade moderada
que à tua frente vai seguindo a Morte.

O peão só tem as pernas por transporte.
Tem dó da sua vida caminhada.
E a tua… não a queiras estragada
por, ao volante, te supores um forte.

Que a pressa te não torne um assassino!
Não esqueças que a vida é um bem divino,
e poupá-la é dever que os mais supera!

Vai com prudência, pela mão, sem pressas…
Pensa nos teus e, atento, nunca esqueças
Que a Morte pode estar à tua espera!

Há muitos, muitos anos...

Frases que se escreveram, sobre a Figueira da Foz, há mais de 50 anos:

3 legendas que eternizam a Figueira: Praia, Mar e Céu;

Hoje é uma grande praia... amanhã, uma praia maior;

A Figueira da Foz é um poema sem palavras;

Amai a Figueira com os olhos, com os nervos, com o coração;

Colhei desta vossa Figueira, o verdadeiro fruto da Vida;

Do alto da Serra, a Figueira é uma porcelana de estimação;

Diga: Figueira, e sentirá a frescura duma nova vida;

Na Figueira, a vida continua saudável e bela;

Só as praias como a Figueira formam corpos saudáveis;

Na Figueira, os Ranchos são uma nota alegre e viva;

No colorido da paisagem figueirense, os ranchos emprestam beleza;

Quem mais canta mais se anima, e a Figueira tem quem a sabe cantar;

Risos e canções, danças e rodopio, eis um quadro garrido desta Figueira linda;

Cantai que a vida é feita de mágoas... visitai a Figueira que a vida é o dia de hoje.

Poesia

Soneto

Trazem consigo as minhas gargalhadas
Sempre um travo de fel e de amargura,
Como atrás do viandante a sombra escura
Sob o luar de prata, nas estradas.

Desta alegria, cheia de tristeza,
A causa verdadeira e principal
É cobrir-me este céu de Portugal
E ter nascido em terra portuguesa;

É que alta noite, numa voz de terço
A voz do mar e a voz dos pinheirais
Me adormeceram muita vez no berço;

É que eu herdei para o meu sangue novo
Do sangue velho e gasto dos meus Pais
Toda a alegria triste deste Povo.

Escola do Exército, 1909 – Augusto Pinto (poeta e jornalista figueirense)

O pensamento do dia

Antes de ser mestre dos outros, você deve ser mestre de si próprio.

José Ortega y Gasset, España Invertebrada

França eliminou o Brasil


Zidane, um osso duro de roer (Foto do Globo (Rio de Janeiro, Brasil)

O campeão do mundo em título, Brasil, caiu aos pés duma França, coesa e batalhadora. Os canarinhos, onde militam as estrelas, não tiveram engenho nem arte para acabar com a carreira de Zidane, que ainda vai prosseguir no seu percurso de atleta de enorme craveira, pelo menos até defrontar a selecção de Portugal, nas meias-finais.
Os portugueses esperam, isso sim, que aí seja a sua despedida.
AJM

sábado, 1 de julho de 2006

Selecção de Portugal nas meias-finais

Ricardo, o herói (Foto de El Mundo, Espanha)
Defender três penáltis é (foi) obra. Ricardo, num jogo de pôr os nervos em pé, colocou a selecção de Portugal nas meias-finais do campeonato do mundo de futebol que se está a disputar na Alemanha.
Depois de 120 minutos dum jogo cheio de emoção, o recurso aos remates da marca da grande penalidade foi a solução. Aí, Ricardo esteve igual a si próprio, e Cristiano Ronaldo fez o resto, ao apontar o golo que ditou a eliminação da Inglaterra.
Eis os títulos de dois jornais estrangeiros:
Marca (Espanha): Ricardo manda Inglaterra para casa na lotaria dos penáltis
Marca (Espanha): Ricardo faz chorar a Inglaterra

Dr. Z mudou de ramo?

"From the popular to the strange, from the mainstream to the bizarre, Dr. Z has collected the movie posters."

Será que o Dr. Z mudou de ramo? Ou serão filmes pornográficos?

Paz à sua alma

E pronto. A Escola Prática do Serviço de Transportes, aquartelada na Figueira da Foz, deu as últimas. Encerrou as portas, pondo termo, em definitivo, a um ciclo que colide com a história militar da cidade.
Os figueirenses assistiram, impávidos e serenos, ao “funeral” duma instituição prenhe de tradições.
A morte, há muito anunciada, como tive oportunidade de salientar há dias, verificou-se ontem, e nenhuma das palavras ali proferidas no acto simbólico do encerrar portas, conseguiu disfarçar o acto de se pôr termo a um pedaço da própria cidade.
Palavras leva-as o vento, e não comoveu ninguém, para além de transmitirem um sentimento de frustração, o discurso do comandante José Loureiro, que considerou que a extinção do quartel, veio “dificultar a manutenção do moral dos militares e civis que ao longo dos anos se têm esforçado para elevar a qualidade da formação, a imagem da Escola, e, por sua vez, o Exército”.
E acrescentou, dirigindo-se aos militares: “Em todos vós paira um sentimento de tristeza pelo encerramento da EPST e pelo adeus à Figueira da Foz, mas julgo que acima de tudo deveis estar com um sentimento de orgulho pelo profissionalismo e competência que demonstraram”.
Fala-se agora, aliás o propósito já vem sendo ventilado de há tempos a esta parte, que as instalações irão albergar a GNR. Espero que assim seja, mas, também, corre à boca cheia, que já há, por aí, olhares de imobiliários (alguém disse que a Figueira era o paraíso dos imobiliários), para a urbanização da zona, uma área vastíssima. Não pensem que é descabido prever a construção de mais uma floresta de betão no local que foi um marco histórico da Figueira.
O futuro o dirá.

Um dia a História julgará e condenará alguém!

Aníbal José de Matos

O pensamento do dia

Pequena grande diferença

Sempre foi fácil distinguir o verdadeiro líder do político profissional. O primeiro vive para a política; o segundo vive da política.

Mariano Grondona, in Visión, México

No futebol deixou de haver limite de estrangeiros

ALTERAÇÃO AO ART.º 37º DO REGULAMENTO DE COMPETIÇÕES DA LIGA PFP

Na Assembleia Geral de 30 de Junho de 2006, foi deliberado proceder à alteração do art.º 37º do Regulamento de Competições da LPFP, que passou a ter a redacção que se transcreve:" Art.º 37º(Limitação de inscrição de jogadores)1 - Os Clubes podem inscrever livremente jogadores profissionais, sem qualquer restrição em função da sua nacionalidade, podendo nas competições oficiais participar apenas os jogadores com contrato de trabalho desportivo ou contrato de formação das categorias Sénior e Júnior (com aptidão médico-desportiva devidamente comprovada).2 - Sem prejuízo do disposto no número anterior, os Clubes têm de incluir no seu plantel pelo menos o seguinte número de "jogadores formados localmente":- Época de 2006/2007 - 4 "jogadores formados localmente"- Época de 2007/2008 - 6 "jogadores formados localmente"- Época de 2008/2009 e segs. - 8 "jogadores formados localmente"§ 1º - Considera-se como "jogador formado localmente" aquele que tenha sido inscrito na Federação Portuguesa de Futebol, pelo período correspondente a três épocas desportivas, entre os 15 e os 21 anos de idade (inclusivé).§ 2º - A inclusão no plantel dos Clubes de "jogadores formados localmente" na época de 2006/2007 é facultativa, sendo essa inclusão obrigatória a partir de então.3 - Os Clubes não podem incluir no plantel e utilizar, por época desportiva, um número de jogadores com contrato de trabalho desportivo ou contrato de formação superior a:a) 27 jogadores da categoria sénior na época de 2006/2007 e seguintes.

sexta-feira, 30 de junho de 2006

No limiar do segundo mês

“Presente” , criado a 29 de Maio de 2006, entra hoje no segundo mês de publicação.
Confesso que tem sido uma experiência interessante, sobretudo, pela forma como eu vejo este novo sistema de comunicação.
A Figueira da Foz foi sempre fértil em órgãos de comunicação social. A história do jornalismo figueirense fala por si.
Nos dias de hoje, também a Figueira conta com um número considerável de blogues, páginas onde os seus autores emitem opiniões, veiculam cultura, fazem sugestões e, na sua maioria, emitem críticas construtivas.
Tal como fiz no primeiro dia, saúdo todos quantos, através da net, procuram elevar o nome da Figueira, levando a sua voz até longínquas paragens, e focando, também, assuntos de índole geral de interesse evidente.
Sem atropelos, penso que todos juntos poderemos (e alguns estão a fazê-lo duma forma saudável, assinando peças de valia) prestar um bom serviço a partir desta terra que nos viu nascer.
Pelo meu lado, a quantos me têm incentivado, o meu muito obrigado.

AJM

O pensamento do dia

Seja optimista - por muito velho que seja, é agora mais novo do que jamais será.

Current Comedy

quinta-feira, 29 de junho de 2006

A apologia da Figueira.net

Naturalmente que o António Cruz não tem necessidade de que eu lhe venha conceder o meu apoio, pois muitos outros, mais credenciados, o têm feito e vão, certamente, continuar a fazê-lo.
De qualquer forma, esta poderá ser mais uma achega, na constatação de que a Figueira.net, que António Cruz dirige há sete anos, está a prestar um bom (excelente) serviço à Figueira da Foz e, naturalmente, aos figueirenses, incluindo a quantos se encontram espalhados pelo país e quatro partidas do mundo.
Dir-se-ia, com propriedade, que Figueira.net é um autêntico jornal on line, um órgão de comunicação social que preenche muitos espaços vazios.
Tive o prazer de ser, em tempos, seu assíduo colaborador, mas a escassez de tempo, por culpa doutros afazeres profissionais, não permitiu que mantivesse essa ligação mais estreita.
Reconheço, contudo, que Figueira.net continua a dar o seu melhor nos mais diversos vectores, proporcionando um sem número de informações de utilidade indiscutível.
Há pouco, lançando uma rápida olhadela pelo seu arquivo fotográfico, em termos de imagens da Figueira antiga, mais ficou arreigada em mim a certeza de que António Cruz está, insisto, a prestar um excelente serviço à comunidade.
Que prossiga, por muitos anos e bons, são os votos que lhe endereço daqui deste postigo, este espaço que encontrei para continuar a fazer aquilo de que gosto.

Aníbal José de Matos

O pensamento do dia

Metade das pessoas não alcança a fruta por falta de energia para abanar a árvore e a outra metade sacrifica a próxima colheita porque a abanou com tanta força que a derrubou.

News Group Chicago

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Vice que o não chegou a ser...


Fonte ligada à Naval 1.º de Maio, acaba de confirmar a notícia vinda a lume na edição de hoje do “Público”, relativa à renúncia do cargo de vice-presidente, de Nuno Ricardo Maurício, investigador da polícia Judiciária.
Apesar de Nuno Maurício estar convencido de que não havia qualquer incompatibilidade com a sua função, ele que até é figueirense e envergou a camisola dos navalistas, a hierarquia não permitiu que assumisse o cargo para que fora eleito, por aclamação, na reunião da Assembleia-Geral da passada quinta-feira.
Na impossibilidade de ser contactado o presidente da direcção, Aprígio Santos, a mesma fonte adiantou que é provável que do elenco directivo passem a fazer parte apenas dois vice-presidentes (Joaquim Parente e Carlos Beja).
Entretanto, os dirigentes ainda não foram empossados, o que poderá ainda acontecer esta semana.
A seguir à vigência, durante cinco anos, de uma comissão directiva, parece que este elenco directivo, que se lhe segue, não está a ter um princípio feliz.
Mas a verdade é que permanece aquele que mexe nos cordelinhos do clube desde há 15 anos. E isso tranquiliza os restantes…

AJM

O pensamento do dia

Coisas irrecuperáveis

Existem quatro coisas na vida que não se recuperam: a pedra, depois de atirada; a palavra, depois de proferida; a ocasião, depois de perdida; e o tempo, depois de passado.

terça-feira, 27 de junho de 2006

Cai neve dentro de mim


Na Figueira, em Janeiro de 2006. Será que os figueirenses não estão mesmo a precisar duma repetição deste fenómeno?
Foto de AJM

Alguém está a tramar a Figueira


A Escola Prática do Serviço de Transportes (EPST) há muito que é um cadáver adiado.
Muitos argumentos têm sido sucessivamente ventilados para que seja posto termo ao último baluarte da representação militar na Figueira da Foz.
Parece que, agora, é de vez, e a EPST vai mesmo embora.
Várias têm sido as instituições que têm vindo a injectar doses de panaceia para o adiamento daquilo que há muito está determinado.
Apetece-me recordar três intenções que, mais tarde ou mais cedo, parecem corresponder a um destino determinado: Já se falou do jogo do Casino da Figueira passar, no Inverno, para Coimbra (recorde-se que a Sociedade Figueira-Praia já não é de figueirenses...), a Maternidade do Hospital Distrital vai ser transferida para Coimbra e, desta feita, acaba-se com o último bastião da tradição castrense da Figueira da Foz.
Há, ou não há, quem esteja a tramar a Figueira, com muitos figueirenses, impávidos e serenos, a verem o comboio passar?
E já agora: Lembra-se a minha meia dúzia de leitores, do tempo em que Coimbra recusou a criação dum pólo da sua Universidade nesta cidade? E a Escola de Hotelaria, já com instalações preparadas no Palácio Sotto Mayor, para onde foi?
Pois é. Continuemos a querer dormir e vamos ver a cama que nos preparam…

AJM

O pensamento do dia

Questão de relatividade

Os mais longos cinco minutos do Mundo são, como qualquer estudante sabe, os últimos cinco minutos de uma prelecção, enquanto os mais curtos são os últimos cinco minutos de um exame.

Karl Newell

segunda-feira, 26 de junho de 2006

Poesia

Missa de aniversário

Há um ano que os teus gestos andam
ausentes da nossa freguesia
Tu que eras destes campos
onde de novo a seara amadurece
donde és hoje?
Que nome novo tens?
Haverá mais singular fim-de-semana
do que um sábado assim que nunca mais tem fim?
Que ocupação é agora a tua
que tens todo o tempo livre à tua frente?
Que passos te levarão atrás
do arrulhar da pomba em nossos céus?
Que te acontece que não mais fizeste anos
embora a mesa posta continue à tua espera
e lá fora na estrada as amoreiras tenham outra vez florido?

Era esta a voz dele assim é que falava
dizem agora as giestas desta sua terra
que o viram passar nos caminhos da infância
junto ao primeiro voo das perdizes

Já só na gravata te levamos morto àqueles caminhos
onde deixaste a marca dos teus pés
Apenas na gravata. A tua morte
deixou de nos vestir completamente
No verão em que partiste bem me lembro
pensei coisas profundas
É de novo verão. Cada vez tens menos lugar
neste canto de nós donde anualmente
te havemos piedosamente de desenterrar
Até à morte da morte

Ruy Belo (*)

(*) - Rui de Moura Ribeiro Belo, era natural de S. João da Ribeira, Rio Maior, onde nasceu a 27 de Fevereiro de 1933, tendo falecido em 8 de Agosto de 1978, em Monte Abraão (Queluz). Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, doutorou-se em Direito Canónico na Universidade de S. Tomás de Aquino, em Roma e foi leitor de Português na Universidade de Madrid. Deixou uma vasta obra poética.

Futebol: Mundial 2006

Portugal, 1 - Holanda, 0
A selecção nacional está nos "quartos" ou a arte de Maniche em descascar uma laranja
Depois do Portugal -Holanda, ainda há quem tenha coragem de contestar este homem?
O russo, Valentin Ivanov esteve longe de estar bem, mas os jogadores também tiveram a sua quota-parte no desacerto do juiz da partida

A imagem do desespero

O pensamento do dia

Se os teus esforços forem vistos com indiferença, não desanimes; também o Sol, ao nascer, dá um espectáculo todo especial, e mesmo assim a maioria da plateia continua a dormir.
Edu Francisco Teixeira

domingo, 25 de junho de 2006

Aprígio, a sede e o estádio


Edição, em livro, da palestra proferida na sessão solene comemorativa do 99.º aniversário da Naval

Aprígio Santos, em 1992, no acto de posse, como presidente, na sala de direcção da velha sede da Naval, na Rua da República



Tenho a certeza de que Aprígio Santos vive a Naval 1.º de Maio como muito poucos. É certo que ninguém conhecia o timoneiro dos verde-e-brancos (agora o clube até já se veste doutras cores), antes dele enveredar pelo caminho das responsabilidades de dirigir uma colectividade para que foi chamado quando o emblema que era conhecido por clube da Rua da República, dava os seus passos a caminho do centenário.
Mas Aprígio, oriundo da prestigiosa Gândara, entrava com uma aposta determinante. Para ele, o futebol era tudo e, com o seu querer, o seu propósito e horizontes muito próprios, apostou na ascensão do clube ao mais alto escalão do futebol nacional.
E a Naval, da terceira divisão, passou, quase que num ápice, e depois de muita luta, a ocupar um justificado lugar entre os maiores do futebol indígena.
Hoje, quer se queira, quer não, a Naval e, consequentemente, a Figueira da Foz, é conhecida pela prática do mais popular dos desportos e todos sabem que o clube existe.
Foi traduzido em realidade um sonho em que ninguém (excepção para Aprígio Santos), acreditava que se concretizasse. A Naval, na primeira divisão, agora conhecida por Liga BetAndWin.
Em 4 de Julho de 1997, vão transcorridos quase nove anos, ardeu a velha sede da Rua da República, e, com ela, um património cultural e histórico que, a despeito de expontâneos para o salvar, acabou destruído ante os olhares horrorizados dos verdadeiros navalistas.
Aquando da minha intervenção, como orador oficial nas comemorações do 99.º aniversário da Associação Naval 1.º de Maio, e referindo-me à direcção entretanto eleita, e liderada por Aprígio Santos, dizia, a certa altura: “Aí está um elenco, recentemente eleito, para salvar a Naval de mais uma situação de crise, grupo capitaneado por Aprígio Santos (…) e que “a inspiração os faça repensar o futuro do futebol navalista, a implantação da sede e pavilhão, que consigam os apoios da cidade que têm faltado (…)”
Hoje, a Naval não tem sede, não tem pavilhão, vive, a título precário, na casa do antigo guarda do Estádio Municipal José Bento Pessoa, e ajudou a implantar filhos em mulher alheia (leia-se instalações em terrenos que não lhe pertencem).
Aprígio promete, agora, um novo estádio e uma sede, tudo avaliado em cerca de cinco milhões de euros (um milhão de contos em moeda antiga).
Sei do poder de iniciativa do dirigente máximo do clube. Recordo-me, também, que o ex-presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, levou a que a Figueira fosse a primeira candidata a sede dum grupo no Euro 2004, e, também, a primeira a desistir do fantasioso projecto. E falou-se dum estádio na Costa de Lavos.
Aprígo já fez muitas promessas (cumpriu a de levar a Naval ao patamar mais elevado do futebol português), mas, para muitos, persiste a dúvida de que o património físico do clube se venha a concretizar.
Não há dúvida de que a Figueira não tem um estádio à altura das circunstâncias. Em certos aspectos é mesmo uma vergonha.
Sei que o responsável pelos destinos do clube (o resto da equipa, até provas em contrário, não passa de paisagem) tem a força suficiente para elevar o clube mais alto para além do futebol.
Depois de muitos prometimentos, aí está o desafio que o próprio lança. Resta acreditar uma realização que, convenhamos, não é tarefa fácil.
E já agora, aonde estavam os contestatários de Aprígio que, em 4 de Julho de 2003, o atacaram “ferozmente” por colocar num pedestal o futebol e esquecer as modalidades amadoras? Nesta última reunião da Assembleia-Geral, primaram pela ausência, ou, se presentes, ficaram calados que nem ratos.

Aníbal José de Matos

















O pensamento do dia

O defeito das coisas boas é acabarem, e a vantagem das coisas más é que também elas acabam.

Anamaria Rabatté Y Cervi, Destellos, Monterrey

sábado, 24 de junho de 2006

Recordações de África


Angola, 1973
Foto (premiada) de Aníbal José de Matos

O pensamento do dia

Opinião de um famoso retratista

"Os grandes homens são muitas vezes solitários. Essa mesma solidão, entretanto, faz parte da sua capacidade de criar. O carácter, como a fotografia, revela-se no escuro".

Yousuf Karsh

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Na Naval, Aprígio sucede a Aprígio


Na continuação da Assembleia-Geral (AG) suspensa em 4 de Julho de 2003, e que terminou há minutos, Aprígio Santos deixou de ser presidente da comissão directiva cuja vigência datava de 2001, para assumir a liderança duma direcção, para a qual foram eleitos vice-presidentes, Carlos Beja, Nuno Ricardo e Joaquim Parente, com a novidade do secretário-técnico, João de Almeida, passar, também, a fazer parte do elenco directivo.
Sucedendo a Aguiar de Carvalho, recentemente falecido, dirigiu a reunião, o vice-presidente da AG, Delfim Lopes Neves, que, agora, foi eleito presidente daquele órgão social.
André Rodrigues vai assumir as funções de presidente do Conselho Fiscal.
No relatório e balanço de 2005, a Naval apresentou um saldo negativo de 516 409 euros, que, como salientou Aprígio Santos, se ficou a dever à fraca afluência de espectadores nos jogos com os "grandes", devido à chuva que então caiu sobre o "Bento Pessoa".
Tanto a eleição dos novos corpos dirigentes como as contas do exercício, foram aprovadas por aclamação.
Segundo o presidente do clube, o orçamento para a próxima época deverá rondar os dois milhões de euros, aproveitando para salientar que “não é o dinheiro que faz as grandes equipas”.
Nota: A Assembleia não se iniciou sem que ocorresse um incidente. Assim, com os portões fechados, um empregado do clube, alegando ter recebido ordens nesse sentido, proibia a entrada dos representantes da comunicação social, enquanto, lá dentro, era deliberada a permissão para que os jornalistas assistissem à mesma...
A verdade é que o tal empregado, de nome Carlos, garantia, perante alguns dirigentes, que tinha, realmente, recebido instruções para que os jornalistas não entrassem! E parece que recebeu mesmo essas instruções…
Tudo isto vem na continuação de um tratamento estranho que alguns dirigentes do clube têm tido para com os profissionais da imprensa.
Será que é para continuar? Espero bem que não.
Aníbal José de Matos – CPJ n.º 4173

terça-feira, 20 de junho de 2006

Às portas do Verão

Era assim a Rainha das Praias de Portugal!

Estamos a entrar no Verão.

De há muito tempo a esta parte, pesem embora algumas iniciativas para trazer forasteiros até à Figueira da Foz, Agosto é o verdadeiro coração da época estival. O resto é paisagem.

Longe vão os tempos em que a época balnear ia mesmo, rigorosamente, de Junho a Setembro. Agora é a chamada feira que enche uma cidade fantasma, isto porque durante o resto do ano as centenas de moradias que têm vindo a ser edificadas, com destaque para as voltadas para o mar, estão nitidamente às moscas.

A Figueira da Foz continua a usar e com legitimidade, o epíteto de Praia da Claridade mas reconheçamos que já não é, lamentavelmente, Rainha das Praias de Portugal, se bem que em termos de areal se tenha redimensionado.

Perdeu-se um pouco o comboio em prol doutras zonas que até pelas suas características, incluindo a temperatura das águas e empreendimentos de vulto, granjearam a fama que outrora ia inteirinha para a Figueira da Foz.

E não se pense que estamos a falar em termos saudosistas se bem que a Figueira doutros tempos ainda esteja ou na retina de muitos ou nas fotos que registaram para a posteridade uma cidade com características muito próprias.

Louve-se algum esforço no sentido de oferecer à Figueira condições modernistas e de animação tendentes a recuperar algum tempo perdido.

A escritora Sarah Beirão escreveu um dia: “chegar à Figueira é sentir um deslumbramento! É verdadeiramente imponente a entrada solene do Mondego no Oceano. Um quadro majestoso”.Ramalho Ortigão escrevia há 60 anos, no seu livro “As Praias de Portugal”, que “(…) nenhuma outra praia em Portugal possui as condições desta para tornar agradável a estação dos banhos”.

Em 1953, Manuel Ayres Falcão Machado, da Sociedade de Geografia, num trabalho sobre a Figueira da Foz e seu concelho, falava da praia em termos que dispensam comentários: “Praia de sonho e encanto, sim, porque nossos olhos ficam saciados de beleza e se exalta o nosso pensamento que voa até longes incoercíveis num enlevo calmo e aprazível; praia surpreendente, graciosa, fresca de pureza e harmonia, de ambiente ameno e repousante, como se não encontra em qualquer outro areal português”.

Bom, mas falava de verão. Ele está mesmo a romper, sim senhor. Pintado com matizes diferentes de outrora mas, de qualquer forma, para aquecer os figueirenses e não só, que os veraneantes continuam a ser muitos (sobretudo em Agosto, insisto).

E a Figueira, duma forma ou doutra, ainda continua a ser uma cidade com créditos. E a praia cada vez está maior, portanto com muito mais espaço para receber quantos a visitam…

Aníbal José de Matos


sábado, 17 de junho de 2006

Fair-play

Aconteceu no jogo do Mundial 2006, desta noite, entre as selecções dos Estados Unidos e da Itália. O que diria Pierre de Coubertin?

Foto do Diário MILENIUM (México)

AJM

A Figueira em imagens

A Figueira da Foz, embora alguns a tenham tentado descaracterizar ao longo dos tempos, (e em parte conseguiram-no) teima em ser uma cidade bonita.

Na imagem, um aspecto da parte antiga. A Figueira vista do Rio Mondego, a bordo duma embarcação oficial de vigilância.

Foto de AJM

Para a história da Figueira - III

O carro americano

Sinceramente, lamento não ter vivido na era do Carro Americano, no início com tracção animal (daí o epíteto de electro-mula).
Em criança, ainda me recordo de ver na Rua Fernandes Tomás, na Figueira da Foz, os carris desactivados desse interessante meio de transporte.
Durou de finais de 1875 até à volta de 1930, e fazia o percurso entre a estação de caminho de ferro e o Cabo Mondego.
Aliás, a iniciativa da execução de tal projecto partiu da Empresa das Minas de Carvão do Cabo Mondego, a partir da intenção do relançamento da exploração de carvão, produção de cal e início da produção de vidro.
Aquele meio de transporte fazia a ligação (mercadorias e passageiros) entre o porto, a estação e, como referi, o Cabo Mondego.
Depois, a partir de 1900, a Empresa, face ao alvará conseguido, foi autorizada a substituir a tracção animal por tracção a vapor.
No Tennis Club ainda é visível o túnel por onde passava o Americano, na sua viagem para a zona dos baixos da Esplanada Silva Guimarães, e foi mesmo necessário efectuar um corte no forte de Buarcos para que o mesmo seguisse o seu trajecto.
No novo cais, quase em frente da Praça Nova, parava o Carro Americano, despejando gente que vinha de Buarcos, da praia e do Bairro Novo”.

Como nota curiosa, eis uma tabela de preços de transporte no Carro Americano:

“Caminho-de-ferro à Praça Nova e vice-versa, 2 centavos; caminho-de-ferro ao Passeio Infante D. Henrique, 3 centavos; caminho-de-ferro à Fonte dos Soldados, 4 centavos; Praça Nova à Fonte dos Soldados, 2 centavos; Praça Nova ao Casino da Praia, 4 centavos; Praça Nova a Buarcos, 5 centavos; Praça Nova ao Cabo Mondego, 9 centavos; Fonte dos Soldados ao Casino da Praia, 3 centavos; Fonte dos Soldados a Buarcos, 4 centavos; Casino da Praia a Buarcos, 3 centavos; Casino da Praia ao Cabo Mondego, 8 centavos; Buarcos ao Cabo Mondego, 5 centavos”. Na imagem, o Carro Americano, de tracção animal, a passar junto à Esplanada Silva Guimarães. Bibliografia: “O complexo industrial do Cabo Mondego – sua origem e evolução através dos tempos”, “A Figueira da Foz e o desenvolvimento da História”, ambas as obras de Manuel Joaquim Moreira dos Santos, e “Elementos subsidiários para o estudo do concelho da Figueira da Foz”, de Manuel Barroso dos Santos”.
AJM

quinta-feira, 15 de junho de 2006

Poesia

Da Esplanada (Ao pôr do Sol)

Desde a Esplanada o olhar rendido enlaça
A linha doce e leve da baía,
Que coleia num ritmo de harmonia
E vai quebrar na serra negra e baça.

No mesmo amplexo a vista longa abraça
A curva azul do céu, clara e macia,
E a planície do mar, verde-sombria,
Que beija a praia instável e devassa.

O sol oblíquo põe sanguíneas manchas
Na agonia silente da paisagem.
Dormem tranquilos os perfis das lanchas.

E o mar, numa chorosa melopeia,
Vem morrer lento aos cânticos da aragem
Em golfadas de espuma sobre a areia.

Figueira da Foz, 1918 (Anuário Figueirense)

A. Pinto de Almeida (António Amargo) *

* De seu nome completo António Correia Pinto de Almeida, nasceu na Figueira da Foz em 1895, e usou o pseudónimo de António Amargo para assinar muitas das suas produções. Jornalista, poeta, autor dramático, escreveu, entre outras, as peças Polícia Amador, O Degredado e Os Conspiradores. Foi director da Gazeta da Figueira e colaborou noutros órgãos da imprensa figueirense.

AJM


Para a história da Figueira - II

Teatro Príncipe D. Carlos
Inaugurado a 8 de Agosto de 1874, considerado, na época, o “mais elegante que se encontra em terras da província”, foi sede do Ginásio Clube Figueirense e destruído por um incêndio na madrugada de 25 de Fevereiro de 1914, em plena quadra do Carnaval.
Na secção “Guia do Banhista”, no Almanaque da Praia da Figueira para 1879-1880, podem ler-se algumas referências àquela casa de espectáculos, como, por exemplo: “Este teatro, sem contradição, o mais elegante e decente dos de província, é situado no lado Norte do Largo de 24 de Agosto de 1820 (hoje, Largo do Dr. Nunes) (…) foi construído na parte central da vila, no último quarteirão do Norte do novo bairro do Cais, que se formou sobre os terrenos conquistados ao rio”.
Como se pode ler na citada publicação, “a traça do edifício deve-se ao sr. Adolfo Loureiro, e a execução dele ao mestre carpinteiro, André de Assunção”.
E mais adiante: “A inauguração do teatro Príncipe D. Carlos, foi em 8 de Agosto de 1874, representando-se na noite desse dia, o drama de Eduardo Coelho, “Opressão e Liberdade”, levado à cena por curiosos dramáticos da vila”.
O texto de referência ao citado teatro, ficou a dever-se, segundo o Almanaque, “à obsequiosidade do sr. Ernesto Fernandes Tomás”.
A gravura anexa foi extraída do Almanach da Praia da Figueira para 1879-1880, obra a que me tenho reportado.
AJM

sábado, 10 de junho de 2006

O caso Mateus e o nosso futebol


Lê-se e custa a acreditar. Mas, na realidade, também só não acredita quem ainda alinha no lirismo de que o pontapé na bola é uma escola de virtudes.
Rara é a época em que não surgem casos no futebol português, e tal não se constata só a nível das arbitragens, o alvo mais batido.
Agora, para animar a malta, surge o caso Mateus. Não, não me refiro à Lei Mateus, mas ao caso à volta do jogador angolano que passou de amador a profissional, na mesma época, saindo do Lixa para ingressar no Gil Vicente.
Vários jornais desportivos deram conta de que o clube minhoto ia descer de divisão pelo facto de, contrariando os regulamentos desportivos, ter recorrido aos tribunais civis para que o assunto fosse dirimido.
“A Bola”, por exemplo, noticiou: “O Gil Vicente vai ser castigado com a descida para a Divisão de Honra, mantendo-se o Belenenses no escalão principal do futebol português, devido ao chamado "caso Mateus".
Face à notícia, a agência noticiosa “Lusa” anunciou: “Um sentimento de revolta domina hoje as conversas em Barcelos, devido às notícias sobre a possível despromoção do Gil Vicente à Liga de Honra de futebol, após o recurso aos tribunais civis para permitir a inscrição de Mateus”.
Ontem surgiu nova surpresa, com a notícia de que a Comissão Disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Profissional decidiu a favor do Gil Vicente no "caso Mateus", pelo que o clube minhoto vai, afinal, disputar a Liga 2006/07.
E os sucessivos noticiários adiantaram que a decisão de dar razão ao Gil Vicente no "Caso Mateus", que permite aos minhotos manterem-se na Liga portuguesa de futebol, baixando o Belenenses à Liga de Honra, provocou a demissão de dois dos elementos da Comissão Disciplinar da Liga, Frederico Cebola e Pedro Mourão, que votaram contra a decisão em arquivar os processos iniciados por Académica e Belenenses contra o Gil Vicente, o que provoca, necessariamente, a queda imediata da CD, uma vez que deixará de ter o número mínimo de elementos para se manter em funcionamento.
Dado um empate na votação, o presidente Gomes da Silva chamara a si a decisão, com o argumento do voto de qualidade, situação que, segundo parece, não está prevista nos regulamentos.
Desta feita, a revolta passou para o lado dos azuis do Restelo que, em conferência de imprensa, pela voz do seu presidente Cabral Ferreira, entre outras declarações, referiu que, a 1 de Junho, "o plenário da Comissão Disciplinar da Liga, composto por quatro membros, analisou os processos da Académica e do Belenenses, tendo decidido dar provimento às pretensões dos dois clubes", prosseguindo: “No que ao nosso clube respeita, três membros votaram favoravelmente ao Belenenses e um (Domingos Lopes) pediu escusa da votação por ser filho de um dirigente do Gil Vicente (Constantino Lopes, vice-presidente). Afinal, este membro nem sequer devia ter participado na discussão, quanto mais na votação", acusou, concluindo tratar-se dum “verdadeiro golpe palaciano a mudança do sentido de voto”.
E agora, ainda segundo aquele dirigente, o Belenenses vai recorrer à Procuradoria-Geral da República, procedendo “disciplinar e criminalmente” contra os autores da alegada reviravolta.
Durante a conferência de imprensa, Cabral Ferreira disse mesmo que “o dia 9 de Junho tornou-se numa marca negra da história do futebol português".

E, após estas, boto eu palavra: Meus amigos, perceberam, não é verdade? Não haja dúvida, isto, só com um pano encharcado!

AJM

quinta-feira, 8 de junho de 2006

GNR em Timor

Face às várias notícias vindas a lume, com versões desencontradas, como, por exemplo:

"O contingente da GNR em Timor- Leste está confinado ao quartel improvisado em Díli, com ordens do governo português para não sair devido a um bloqueio diplomático nas negociações com a Austrália sobre as cadeias de comando";

"O ministro António Costa desmente ordem de acantonamento";

"Acordo provisório para desbloquear actuação da GNR em Dili"; e

"Comando exclusivo no Bairro do Comoro, em Dili",

apetece-me perguntar: Afinal, como foi organizada a partida do contigente da GNR para Timor?Será que tudo corresponde à desorganização com que nos vamos confrontando dia a dia, um pouco por todo o país?

Só não me rio porque a coisa é muito séria!

AJM

terça-feira, 6 de junho de 2006

Love Story

Amo-te desde o primeiro instante em que te vi!
Invejo o mar azul
que te envolve num amplexo constante,
as ondas a embalar-te com ternura
e a Serra que te contempla e protege,
o Mondego sussurrante que te beija!

Invejo as areias do teu leito,
o Céu e o Luar que te ilumina
,o Sol que te aquece num enlevo
e os incomparáveis poentes de feitiço!

E morro de ciúmes quando à noite
as águas te murmuram ternamente
tudo quanto ambicionava mas não sei
dizer-te, meu Amor!

Quedo-me então triste e solitário
por não saber dizer-te tanto coisa!
E olho-te, e amo-te sem que saibas
o muito que te quero, te desejo!
FIGUEIRA, eu me confesso: tenho ciúmes
dos que vivem o prazer do teu encanto!

ANÍBAL JOSÉ DE MATOS

Poesia


Soneto
Trazem consigo as minhas gargalhadas
Sempre um travo de fel e de amargura,
Como atrás do viandante a sombra escura
Sob o luar de prata, nas estradas.

Desta alegria, cheia de tristeza,
A causa verdadeira e principal
É cobrir-me este céu de Portugal
E ter nascido em terra portuguesa;

É que alta noite, numa voz de terço
A voz do mar e a voz dos pinheirais
Me adormeceram muita vez no berço;

É que eu herdei para o meu sangue novo
Do sangue velho e gasto de meus Pais
Toda a alegria triste deste povo.

Augusto Pinto *

* Augusto dos Santos Pinto era natural da Figueira da Foz, onde nasceu a 5 de Julho de 1888, tendo falecido na Suíça, na cidade de Berna, em 4 de Fevereiro de 1979. Foi jornalista no Diário de Notícias e em O Século, sendo autor de inúmeros poemas, alguns dos quais escritos para canções de agrupamentos folclóricos, designadamente para o extinto Rancho do Vapor sediado na Figueira. Colaborou ainda em vário jornais figueirenses, entre os quais a Gazeta da Figueira. A ele se ficou a dever o epíteto de Praia da Claridade para a sua terra natal.
Compilação de AJM

segunda-feira, 5 de junho de 2006

Para a história da Figueira – I


Do “Almanach da Praia da Figueira para 1879-1880”, da autoria de A. de Amorim Pessoa”, uma obra, portanto, com 127 anos, que guardo religiosamente, extraí a seguinte passagem que fala, um pouco, do muito que contém a história da Figueira da Foz.
Respeitei, integralmente, a ortografia:

O PRIMEIRO THEATRO DA FIGUEIRA

Não esqueceremos aqui e mesmo para que fique registada, a existencia do primeiro theatro regular que a Figueira possuiu.
Existia no pavimento terreo do Paço dos condes da Figueira, que é localisado na rua detrás do Paço, e todo o conjuncto da sua fábrica foi realisado à custa d’uma sociedade particular de curiosos dramaticos.
Foi construido entre os annos de 1820 a 1823 e a primeira representação que n’elle foi à scena deu-se com a tragedia - Nova Castro. Dos differentes papeis, encarregaram-se os seguintes individuos, dos quaes alguns ainda existem – Joaquim Dias da Costa, João Ignacio da Cruz Forte, Francisco António Braz, João António, cirurgião em Buarcos, João Gaspar, Caetano Gaspar e Manoel José dos Santos.
Esta primeira representação foi honrada com o concurso de uma das notabilidades do paiz. O ilustre estadista Rodrigo da Fonseca Magalhães, que aqui tinha vindo de visita com o general Luiz do Rego, encarregou-se do desempenho do papel de D. Pedro.
Aquelle palco serviu de eschola dramática a muitos dos nossos conterrâneos, que, mais tarde, vieram a fazer as delicias da modesta gente d’aquelles bons tempos.
(…) Em uma occasião (entre 1859 a 1862) foi o theatro presa das chammas e, por coincidencia, havia-se n’essa noute representado a comedia – “Um marido victima das modas” – na qual se apresenta um criado a dar a pavorosa noticia do incendio do Banco de Portugal.
Pouco depois de haver terminado o espectaculo, rompia o fogo no palco, envolvendo os bastidores e o deposito do scenario com tal violência, que nada se poude salvar. O palco ficou inteiramente carbonisado; a plateia e camarotes ainda escaparam ao incêndio.
Hoje que d’elle nada resta aqui o deixamos em lembrança.”

AJM

sábado, 3 de junho de 2006

Aviões sem aeródromo


Em 21 de Julho de 2004, vão, pois, decorridos quase dois anos, escrevia eu, em editorial, num jornal local da Figueira da Foz:

"São as incongruências do destino. Aeródromos sem aviões ou aviões sem aeródromos são situações que não lembram ao Diabo.
Há muitos e muitos anos que a Figueira deixou de ter um campo de aviação, já que deu a alma ao Criador o velhinho "Humberto da Cruz".
A Figueira é uma cidade que se quer de turismo, sabendo-se que, hoje, o meio mais adequado às deslocações é o avião, e sabendo-se também que as acessibilidades a esta cidade, por outras vias, tarda em concretizar-se, sabe-se lá porquê…
Durante largos tempos - a ideia passou para segundo plano - falou-se na utilização do aeródromo militar de Monte Real, tendo havido avanços e recuos cujo desfecho é aquele que se sabe. Muitos estudos, muitas promessas, e mais nada.
Altura houve em que alguém, como por vezes há quem tenha a mania das grandezas, projectou para a Figueira, um aeródromo, talvez mais concretamente um aeroporto, uma ideia megalómana que quase fazia parecer que iria fazer concorrência a Lisboa, Porto ou Faro.
Nos tempos antigos, com menos possibilidades económicas mas algum sentido de alcance, a Figueira da Foz teve um campo de aviação, de seu nome, como acima referimos, de Humberto da Cruz, homenagem a um piloto, figueirense pelo coração, que deu um sentido nacional à aproximação de povos pelo ar.
Hoje, existe um Aero-clube, há um avião, e a base é Coimbra!
Fala-se agora, como se refere noutro local da presente edição, parece que com espírito de realidade, na construção dum aeródromo, de dimensões adequadas ao espaço turístico e industrial.
De há muito tempo a esta parte, no sul do concelho, tem estado implantada uma placa que o anuncia, sem que nada de concreto se tenha vislumbrado.
Esperamos que agora seja de vez.

Recordamos aqui, o que diziam Maurício Pinto e Raimundo Esteves, em 1943: "Pode visitar-se a Figueira da Foz (…) pelo ar, o Campo de Aviação Humberto da Cruz que, logo que ampliado, constituirá a gare aérea do futuro".

Em 1935, o tavaredense António Medina Júnior, relatava a viagem que fez, de avião, com Humberto da Cruz, de Sintra à Figueira da Foz. Citamos uma pequena passagem:

"Murraceira. Campo "Humberto da Cruz".

Aterragem boníssima. Eu receava a sensação da aterragem. Não é, afinal, aquilo que me diziam. Custa mais descer o elevador de Santa Justa…"

Desta vez tudo leva a crer que a coisa vai avante."

... E acrescento na data de hoje: Será que vai mesmo?

Aníbal José de Matos

sexta-feira, 2 de junho de 2006

O encerramento da Maternidade do HDFF

Como é do conhecimento geral, gerou-se na Figueira da Foz, um movimento de repúdio pela intenção do Governo de encerrar os serviços da maternidade do seu Hospital Distrital, por alegadas razões que, francamente, a mim, não me convencem nem nunca me convenceram.
Das várias opiniões produzidas sobre o assunto, gostei, francamente, da proferida por Nelson Fernandes, a propósito duma sessão de “esclarecimento” em que foi palestrante Jorge Branco, presidente da Comissão Materno-Infantil e Neo-Natal, reproduzida num blogue, e que termina nos termos que tomo a liberdade de reproduzir:

“Este debate provou, mais uma vez, que afinal as razões técnicas e científicas vertidas neste relatório, e que justificam o encerramento das maternidades, não passam de habilidades politicas mal disfarçadas pelos técnicos, e de habilidades técnicas mal disfarçadas pelos políticos.”

Penso que os argumentos de Nelson Fernandes, que, pela sua profissão, parece conhecer bem os meandros da maternidade do Hospital, têm ampla razão de ser, até pela forma como contrariou os pressupostos que levaram à decisão do encerramento.
Uma novidade para mim, e que, de algum modo, me deixa desconfiado, é o facto de Jorge Branco ser proprietário, pelo que li, duma maternidade!
Toda esta questão me leva a crer que alguém quer tramar a Figueira, como, aliás, tem vindo a acontecer ao longo dos tempos.
Um dos argumentos lançados para justificar o encerramento, é o número de partos, na Figueira, ser inferior a uma quota que foi fixada em 1 500. Sinceramente, já se viu coisa mais disparatada?
Então, porque ali nascem menos crianças é razão para o fecho do sector?
Será que as razões de funcionalidade do Hospital, aonde, pelo que li, não há notícias de qualquer percentagem de mortalidade de mães ou de bebés, não são suficientes para se aquilatar da sua eficiência?
Será que quem decidiu (ainda acredito que o movimento que se gerou na Figueira vai vingar) conhece bem o concelho da Figueira da Foz, e se apercebeu das dificuldades de transporte, a tempo e horas, por muito boa vontade que exista, a partir das diversas localidades, para Coimbra, parecendo que se quer, assim, acabar com o direito de se nascer na Figueira?
Apenas afloro, como simples cidadão, algumas das questões relacionadas com a decisão do Senhor ministro da Saúde, para dar conta do meu humilde apoio a todos os movimentos que lutem pela revogação do disparate.

Aníbal José de Matos

quinta-feira, 1 de junho de 2006

Parabéns

Completa hoje 18 meses o Vicente Nuno Matos e Cunha. Um bebé especial que diz muito ao autor deste blog. Ano e meio de vida deste rebento. Já agora, quero aproveitar para dizer que nasceu a 1 de Dezembro de 2004, na maternidade do Hospital Distrital da Figueira da Foz, a tal que, agora, os iluminados querem encerrar... De uma coisa podem ter a certeza: este já não vai nascer em Coimbra... Parabéns, VICENTE!
AJM

Eis o Vicente

Funchal ao nascer do Sol

Alguém disse um dia que "a Madeira é um jardim".
Na realidade, a Ilha surpreende-nos a cada passo.
A imagem mostra-nos não um Pôr do Sol, mas, antes, o começo dum novo dia. É um Nascer do Sol no Funchal.
Como costuma dizer-se, a imagem vale mais do que mil palavras!
Foto de Aníbal José de Matos

Que patriotismo?

Já houve quem lhe chamasse patriotismo balofo.
Não sei se o termo correcto será esse, mas, na verdade, no que me diz respeito, o meu patriotismo não passa pelo futebol.
Refiro-me, naturalmente, às bandeiras nacionais (o símbolo da Nação deveria merecer maior respeito), espalhadas pelas casas de milhares (serão mesmo milhões?) de portugueses, a propósito do apoio à selecção nacional de futebol que vai disputar o próximo campeonato mundial, na Alemanha.
Já tivemos o exemplo no Euro 2004, em que Portugal quase foi transformado num mastro gigante para que a Bandeira servisse de incentivo para o êxito futebolístico.
O que não deixa de ser curioso, é a ideia ter partido dum brasileiro, concretamente o seleccionador Scollari.
Afinal, será que o tal “portuguesismo” estava adormecido? Ou Scollari descobriu a pólvora, gozando com a nossa mediocridade?
E será também que o seleccionado nacional, composto por jogadores que ganham milhões em contraste com a pobreza nacional, merece este apoio insólito, como se dum clube se tratasse e os seus adeptos desfraldassem os emblemas que o representam?
Será que os portugueses não encontraram forma mais adequada para gastar o seu dinheiro, como, por exemplo, apoiar situações tão carenciadas como as que existem neste país?
E, atenção, a própria colocação da Bandeira Nacional está regulamentada. Penso que não deve ser banalizado o seu hastear, assim como o próprio Hino Nacional não deveria ser executado por dá cá aquela palha.

Aníbal José de Matos