Falta de vergonha em
... duas palhetadas
Este país constitui, sem dúvida, de há alguns anos a esta parte, um rincão sui-generis.
Houve quem gastasse à grande e à francesa, foi um fartar vilanagem, dizem as crónicas que foram aldrabices em cima de aldrabices, que houve quem roubasse a torto e a direito, corrupção até dizer chega, mas a verdade é que todos quantos contribuiram para a situação em que a maioria dos portugueses vive, continuam à solta, continuando a assobiar para o lado.
Entrando com todo o despudor no bolso dos cidadãos, os (des) governantes tiveram a peregrina ideia de pedir auxílio ao exterior, convidando uma chamada troika para dirigir os destinos do país, numa subserviência nunca antes registada, uma vergonhosa entrega da nossa independência.
Agora, para não variar o rol de lamentáveis situações, é o Tribunal Constitucional a protelar por um tempo imenso (já lá vão três meses!!!) a deliberação sobre a legalidade de pontos nevrálgicos do orçamento geral do estado.
E como se tal não chegasse, assistimos à vergonhosa pressão (que nem dissimulada consegue ser) que, através de variadas intervenções nunca vistas, está a ser exercida sobre os magistrados daquele órgão, chamando a atenção para os perigos que possam advir da reposição da ... legalidade.
Pasme-se que até já se fala em suspensão da Constituição (recorde-se que este documento orientador, no número dois do seu artigo terceiro, sublinha que "O Estado subordina-se à Constituição") o que pressupõe que grande parte do OGE (tal como o anterior) assentou em normas que se sabiam, à partida, contrariarem o principal documento orientador do Estado.
Neste momento não sei quantas pessoas poderão dizer que sentem orgulho de viver nesta antigo cantinho à beira mar plantado.
E, sinceramente, não vejo que, nos anos mais próximos, melhores tempos possam vir. É que as alternativas estão há muito esgotadas. Tudo porque os portugueses têm receio dos ventos de mudança e a sua memória, por vezes, é demasiado curta.
É um eterno vira o disco e toca o mesmo...
E é pena.