quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Reconhecem-no???

O Jardim Municipal, pela objectiva de Pereira Monteiro

Já, neste espaço, tive oportunidade de falar das modificações operadas no Jardim Municipal da Figueira da Foz.

Vejam bem o que ali foi feito (ou desfeito) ao longo dos anos. Alguém o reconhece?

AJM


O pensamento do dia

A primeira obrigação do homem é pensar pela sua própria cabeça.

José Martí

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Duas seguidas


Aqui vai, ou, melhor, aqui vão.

Antigamente (não passaram assim tantos anos) se queríamos tirar um passaporte, dirigíamos à delegação local do Automóvel Clube de Portugal, ou a outro local na Figueira, entregava-se os elementos solicitados e, passados alguns dias, o documento chegava ao nosso domicílio.
Agora, como sucedeu comigo, se quisermos o dito cujo, temos que nos dirigir a Coimbra, ao Governo Civil.
Não há dúvida que só deparamos com facilidades.
É caso para voltar, neste caso específico, a dizer que andam a tramar a Figueira e os figueirenses, embora não sejam só estes as vítimas destas modernices burocráticas.

E aí vai a outra:

Ao abrigo duma determinação do Banco de Portugal, datada de 2005, recebi uma carta da Caixa Geral de Depósitos (CGD), para confirmar se havia dado autorização a uma determinada entidade, concretamente com a designação de SANT.CONSUM.FINA, para efectuar o débito directo na minha conta de depósitos à ordem.
Segundo me foi informado, a “minha” autorização datava de 24 de Agosto quando, na realidade, não dei qualquer ordem nesse sentido, nem sequer sei de que entidade se trata.
Como na dita carta era referido que, para esclarecimento de qualquer dúvida, me devia dirigir, por exemplo, a uma agência da CGD, aí fui eu de abalada até Buarcos, onde recebi como resposta que, para além da data da “autorização”, nada mais me podia ser informado, devendo, segundo a recomendação da funcionária, dirigir-me a uma loja do cidadão!!!
Mais palavras para quê?

AJM

O pensamento do dia

As pessoas passam a vida a perguntar-me porque nunca me casei. A resposta é simples: sou inteiramente a favor da guerra dos sexos, mas contra fazer prisioneiros.
Richard Chamberlain (actor)

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Para a história da Figueira - XXXII

Para a história do desporto figueirense

A foto mais antiga duma equipa de futebol do Sporting Clube Figueirense (1920)

"O Sporting Clube Figueirense (nascido em 1 de Dezembro de 1918, fruto de dissidências entre a Naval e o Ginásio) conta no seu historial com fases de grande valia na edificação do desporto figueirense.

Também os desportos náuticos, particularmante a natação (de saudosa memõria a sua piscina da Murraceira) mereceram, no passado, o carinho deste emblema.

O atletismo e o basquetebol constituem de momento as modalidades sobre as quais se debruça esta agremiação.

O seu historial comporta ainda o tiro, o xadrez, o futebol, a esgrima, entre outras modalidades desportivas praticadas.

O campismo mereceu sempre do Sporting um carinho considerável tendo construído, na aprazível Serra da Boa Viagem, uma casa-abrigo que na época constituiu um elemento muito importante para a prática da modalidade."

(in "TERRAS DA NOSSA TERRA", edição de 20 de Março de 1990)


O pensamento do dia

As pessoas com sorte são as que controlam tudo; as que não têm sorte são controladas por tudo.

Eugène L.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Recordações de Angola

Em 1973 tive a feliz oportunidade de visitar Angola, como jornalista a imprensa regional. Estávamos na alvorada do 25 de Abril. Como reza o Diário de Luanda, cuja primeira página a seguir reproduzo, foi a maior embaixada jornalística que jamais visitou Angola.
Aproveitei o ensejo para tirar algumas fotos, uma das quais a seguir também reproduzo, e que acabaria por ser premiada no concurso nacional.

A mãe dando banho ao filho, numa bacia. Luanda, 1973

AJM


O pensamento do dia

Instruir um adolescente sobre os factos da vida é como dar banho a um peixe.

Arnold H. Glasow

domingo, 27 de agosto de 2006

Letreiratura...

O Estádio Municipal José Bento Pessoa, na Figueira da Foz, ostenta, nos seus muros, estes primores de letreiratura moderna!!!




Bonito, não é?

Fotos de AJM


O pensamento do dia

Há coisas piores do que receber uma chamada telefónica às quatro da madrugada e ser engano: é essa chamada não ser engano.
Doug Larson

sábado, 26 de agosto de 2006

Para a história da Figueira - XXXI

Cruzeiro em obras de restauração

O cruzeiro da Figueira da Foz, que deu nome a um bairro, constitui um marco histórico na vida da Figueira da Foz e, felizmente, está a ser alvo de obras de restauração, para que se não perca um bem precioso, que recorda momentos trágicos.


A inscrição está esculpida em latim, e aqui vai a tradução, para que os figueirenses e visitantes, tenham um conhecimento mais profundo do que representa o cruzeiro da Figueira da Foz.


No ano de 1810
ocupada uma grande parte de Portugal
pelo mui poderoso terrível
exército dos franceses, e
acudindo pressurosos a esta vila
todos os povos, não só das imediações
como também de longe,
a fim de se pouparem, fugindo
às grandes calamidades da guerra,
sem que trouxessem consigo meios de vida alguns,
ou certamente poucos,
reinou uma falta terrível de comestíveis.
Derivando desse facto, porém, uma epidemia,
para cima de cinco mil pessoas morreram
nos meses de Janeiro, Fevereiroe Março do ano seguinte.
A maior parte delas, finalmente, foram sepultadas
aqui e em lugar não distante
por ordem do magistrado régio
que, com os auxílios ainda de outros,
forneceu alimentos por todo o tempo que pôde
ao maior número possível.

Tu, que isto leres, treme
perante os trágicos sucessos e a adversidade
e, mais ainda, teme
os altos juízos de Deus a respeito dos homens,
rectos, sem dúvida, mas muitas vezes terríveis
e insondáveis para os homens.

AJM

O pensamento do dia

O resultado mais elevado da educação é a tolerância. Já na antiguidade os homens lutavam e morriam pela sua fé; mas decorreram séculos antes que eles aprendessem a outra espécie de coragem – a coragem de admitir as crenças dos seus semelhantes e seus direitos de consciência. A tolerância é o primeiro princípio da vida em comum; é o espírito que conserva o melhor de tudo o que pensam todos os homens. Nenhuma perda por inundação e raios; nenhuma destruição de cidades e templos pelas forças hostis da natureza privou o homem de tantas vidas e impulsos nobres como os que destruiu a sua intolerância.

Hellen Keller, in The Open Door

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Viva o futebol português!!!

O caso Mateus ainda mexe e, naturalmente, continuará a mexer!
Quando tudo parecia resolvido (nem tudo o que parece é), eis que a Federação Portuguesa de Futebol, num assomo de energia e de presunção, sai à liça para mostrar quem manda e quem é que sabe...
Assim, a FPF atira-se à Liga, como que a dizer-lhe que esta não está à altura de resolver os problemas do pontapé na bola.

E eis as decisões hoje tomadas:

Instauração de processo disciplinar ao Gil Vicente FC

Na sequência do recurso aos tribunais comuns no âmbito de uma questão desportiva, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) vai instaurar um processo disciplinar ao Gil Vicente FC. As eventuais consequências do processo recairão sobre as equipas de futebol que participem em competições organizadas pela Federação Portuguesa de Futebol, nomeadamente nos campeonatos jovens.Depois de ter dado indicações à Liga Portuguesa de Futebol Profissional para actuar da mesma forma no que diz respeito à competição profissional, a FPF dá, assim, seguimento às indicações da FIFA sobre a matéria.

Gil Vicente suspenso das competições da FPF


A Direcção da Federação Portuguesa de Futebol suspendeu o Gil Vicente FC de todas as competições nacionais, ficando por esse facto impedido de efectuar jogos oficiais a partir desta dada.

Considerações sobre o chamado "Caso Mateus"


A Federação Portuguesa de Futebol e o seu Presidente têm-se mantido muito atentos ao chamado "Caso Mateus", tendo tomado decisões céleres e exortado os órgãos competentes a agir com a máxima rapidez.Lamentamos que o andamento processual se tenha arrastado no órgão disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Disciplinar mas garantimos que, à semelhança do que tem acontecido, vamos actuar, no decorrer da próxima semana, de forma rápida e peremptória.Caso a FPF tivesse plenos poderes sobre todo o Futebol português, incluindo o profissional, como, de resto, a FIFA tem vindo a exigir, este caso já estaria encerrado há muito tempo.


E pronto, é que é já a seguir...

AJM

O pensamento do dia

Escolha um escritor como escolheria um amigo.

W.D.

O pulmão da cidade

Parque das Abadias, na Figueira da Foz


O Parque das Abadias, cuja abertura se deve ao antigo presidente da Câmara da Figueira da Foz, José Coelho Jordão, continua a ser o pulmão da cidade da Foz do Mondego

AJM (texto e foto)


quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Jogo de palavras...

Concurso patente ao público!


Se completar as palavras que faltam no texto (no cartaz), vá à Câmara Municipal receber o prémio...

O pensamento do dia

Abençoado o homem que nada tem a dizer e se cala.

Georges Duhamel

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Para a história da Figueira - XXX



Um aspecto pitoresco da Praia da Figueira da Foz, nos anos 20 (Foto de Pereira Monteiro)

O pensamento do dia

O elogio causa efeitos diferentes, de acordo com a mentalidade de quem o ouve. Se ele deixa modesto um sábio, torna o tolo mais arrogante.

Owen Felthan

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Gil Vicente na Liga de Honra

Gil Vicente na Liga de Honra, Belenenses na BwinLiga...

Foto por cortesia de Record on-line

Chegou ao seu termo o folhetim Gil Vicente/Belenenses. O Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de futebol, num acórdão, de hoje, com mais de 70 páginas, deliberou condenar o Gil Vicente à descida à Liga de Honra e manter o Belenenses na principal Liga do futebol português.

Um final feliz para uns (os do Restelo), uma decepção para outros (os de Barcelos).

A secretaria mandou mais do que os relvados. Mas será que, a contrariar a esperteza de uns, não houve ingenuidade doutros?

Esta deliberação já não é passível de recurso.

AJM


Poesia

Sonho versus realidade

Deixem-me sonhar e rir
Embebedar-me em rios de desejo
E rolar entre campos azuis de miosótis.

Deixem-me voar com asas de esperança,
Pairando sobre rotas sublimes!

Deixem-me acreditar que vivo
E não percorro áleas de quimera.

Deixem-me sonhar e rir!

Que ao menos este sonho que eu sonho,
Ao despertar
Me legue a ternura dum sorriso
No oásis do nosso desencanto.

Aníbal José de Matos (do livro CONFLITOS-1992)

O pensamento do dia

O que significa “mil anos” ou ontem? O que significa “perto” ou “longe”? Quem se mantiver calmamente no centro de si mesmo compreenderá a ilusão do tempo, os seus jogos de sombras, a sua fantasmagoria. O ardil do tempo consiste em fazer-nos crer que se escapa, quando na verdade ele volta sem cessar e nunca deixa o círculo.

Do livro “Sabedoria Ameríndia

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Para a história da Figueira - XXIX

As modernies saloias que estragaram o Jardim Municipal da Figueira da Foz



Nas imagens, dois trechos do jardim municipal da Figueira da Foz, como era em 1925, segundo fotos do artista figueirense, Pereira Monteiro.
Façam a comparação com o espaço com que, no local, hoje nos deparamos e, depois, digam se tenho ou não razão quando saliento que há gente que quer mesmo tramar a Figueira.
Não tenham dúvidas: as modernices saloias tiraram beleza a esta cidade à beira-mar plantada.

Aníbal José de Matos

O pensamento do dia

Enquanto as crianças forem pequenas, dê-lhes raízes profundas; quando crescerem, dê-lhes asas.

Provérbio indiano

domingo, 20 de agosto de 2006

Quem quer tramar a Figueira?

Uma foto do PASSADO... A selecção de Portugal no Mundialito de futebol de praia, na Figueira da Foz



É mesmo caso para voltar a perguntar, quem quer tramar a Figueira? É que são tantas as situações em que se tem procurado afastar a Figueira da Foz do mapa, que a questão é, do meu ponto de vista, pertinente.
O Mundialito foi para Portimão, a fase europeia também saiu da Praia da Claridade. Será que ainda há mais alguma coisa que queiram tirar à Figueira? Façam favor de se servir. Não façam cerimónias. É fartar, vilanagem.

AJM (texto e foto)

Humor

O Segredo da Felicidade

Segredos da felicidade de um homem:

É importante encontrar uma mulher que cozinhe bem.
É importante encontrar uma mulher que goste de crianças.
É importante encontrar uma mulher companheira.
É importante encontrar uma mulher boa de cama.
É extremamente importante que essas mulheres nunca se conheçam!

Cortesia de Humor Tadela on-line

O pensamento do dia

Pai é um homem que espera que o seu filho seja um sujeito tão bom como ele tencionava ser.

Franck A. Clark

sábado, 19 de agosto de 2006

Para a história da Figueira - XXVIII

EUROPA
Em 1925 iniciou-s, na Figueira da Foz, a publicação do quinzenário EUROPA, propriedade do Café-Casino Europa, jornal composto e impresso na Tipografia Peninsular, na Praça Velha (hoje, General Freire de Andrade), de Gomes d’Almeida & Companhia.
Nela se editaram imensas fotografias alusivas à Figueira da Foz, a par de informações úteis para os turistas.
Dou, hoje, início a algumas referências a mais esse elemento da história do jornalismo figueirense, de que era director António Amargo, pseudónimo de António Correia Pinto de Almeida.

AJM
Fac-símile do n.º 1 do jornal EUROPA, que se publicou na Figueira da Foz em 1925


Esplanada do Casino-Café Europa, na Cândido dos Reis em 1925 (Foto de Pereira Monteiro)

Trovas da Figueira

Figueira, minha Figueira,
Figueira, noiva do mar,
Quem lá vai a vez primeira
Há-de por força voltar.

Palheiros…porque amesquinhas
Este nome encantador?
Foi sobre humildes palhinhas
Que nasceu Nosso Senhor.

Nunca eu fosse à romaria,
Senhora da Encarnação!
Pecava, mas não perdia,
Não perdia o coração!

Meninas do Bairro Novo,
Meu amor vende sardinha:
É rapariga do povo;
Ajudai-a, coitadinha!

Se do Mondego os salgueiros
Pudessem falar, amor,
Alguns rostinhos trigueiros
Talvez mudassem de cor…

Serra da Boa Viagem,
Quem dera que fosse minha!
Punha lá a tua imagem
Numa linda capelinha!

Protegei os nossos barcos,
Senhora da Encarnação,
Porque os pobres de Buarcos
Não têm outro ganha-pão.

Acácio de Paiva (poeta e humorista, antigo colaborador do Diário de Notícias) in quinzenário EUROPA – 1925.

O pensamento do dia

Os animais têm tanto direito como nós a gozarem a sua parte no vasto banquete da vida.

Lecuar

sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Ainda sobre os fumadores

Já depois de escrito o artigo anterior, ocorreu-me dizer que "o fumar é um desporto radical, só que os riscos são incomensuraveis".

AJM

Fumadores e educação (ou falta dela)

Sinceramente, não tenha absolutamente nada contra quem fuma. O problema é de quem mantém esse vício. Houve amigos meus a quem aconselhei para que não o fizessem, mandaram-me às favas pelo conselho, e só, quando os médicos detectaram doenças, algumas incuráveis, é que se decidiram, num ápice, por largarem o tabaco.
O Estado, como é do conhecimento geral, actual com uma hipocrisia de tal ordem que continua a angariar dividendos (que não são poucos) desse mesmo vício e, para alijar responsabilidades, obriga a que nos maços de tabaco sejam introduzidas frases como “Fumar mata” ou “provoca o cancro”.
Mas isso é outra conversa.
O que acontece é que, sem sombra de dúvida, da parte dos fumadores continua a haver falta de educação, falta de civismo e, como corolário, desrespeito pelos outros.
Acontece, por exemplo, que nos restaurantes, enquanto eles aguardam o atendimento ou terminaram a refeição, os mesmos (muitos) não se preocupam com o facto de outros, noutras mesas, estarem a almoçar ou jantar, obrigados a suportar o fumo que não provocaram.
É, exactamente o que, nos mais diversos ângulos, falta a este país: educação.
Por agora, tenho dito.

Aníbal José de Matos

Para descontrair...

Uma senhora mandou fazer um armário para o seu quarto. Depois deste ter sido montado em sua casa, notou que sempre que passava um autocarro na rua as portas do armário abriam-se. Chamou o marceneiro para consertá-lo, mas o problema mantinha-se. Então ela pediu para que ele ficasse sentado dentro do armário para ver onde estava o defeito. Nesse momento chegou o marido, abriu a porta do armário e perguntou, descontrolado:
- Que é que o senhor está a fazer aí dentro?
- O senhor não vai acreditar - respondeu o marceneiro - mas estava à espera que passasse o autocarro.
Daniel Schmitt, Porto Alegre - Brasil

O pensamento do dia

Entre os atributos característicos do homem nenhum ultrapassa este da linguagem na eficácia para demonstrar o estado da sua inteligência, que se reflecte, com rigor fotográfico, nos meios de expressão de que se serve.
Ganivet

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

Atropelamento na passadeira


Continua a acontecer com frequência.
Há menos de uma hora (seriam 15 horas, aproximadamente), uma senhora foi atropelada numa passadeira de peões, mesmo em frente ao restaurante Figueira Bar, na Avenida do Brasil, na Figueira da Foz.
A senhora, ao que nos foi dito, estava a concluir a passagem quando um jeep, em plena passadeira, a derrubou.
Eu estava a almoçar, ouvi a travagem, e deparei com a senhora, estendida na relva.
O jeep ainda estava em cima da passadeira. Até quando situações deste tipo?

AJM

Poesia

Aconteceu…ontem

Acho mesmo que foi ontem!
O calor do jogo
A desfazer de quando em vez
A velha bola de trapos.

A baliza era o portão,
O grande estádio era o beco
Das nossas competições.

Uma lágrima furtiva
Respondia por instinto
À dor duma canelada.

O golo era o lenitivo
Para mazelas sofridas
No ardor da finalíssima.

Soam vidros a quebrar em casa velha
E a fuga desordenada
Responde aos gritos de quem
Não suporta a garotada.

Ameaças com polícia
(mesmo à mão de semear).
Olhares reprovadores
E a um tempo tolerantes.

O perigo já passou
E o desafio recomeça
Alguns minutos depois.

Regressam gritos ao beco
E não foi o último vidro a estilhaçar-se.

Parece mesmo que foi ontem.

Aníbal José de Matos (do livro CONFLITOS)

O pensamento do dia

Com efeito, tu, homem, estás feito de tal maneira, que os objectos parecem-te vazios e mortos se não forem de um reino espiritual.

Antoine de Saint-Exupéry

quarta-feira, 16 de agosto de 2006

1.ª Grande Guerra

A despedida


Decorria o primeiro grande conflito mundial, a guerra de 1914-1918. Muitas vidas se perderam. A imagem que aqui reproduzo, extraída da revista Ilustração Portuguesa, parece-me intensamente sugestiva. Mostra um soldado português, em 1915, a despedir-se de familiares, antes da partida para França.
Esta foto traz-me à lembrança um monumento existente em Tondela, cidade da Beira Alta , alusivo ao difícil período vivido, em que se vê um militar abraçado à mãe, tendo a peanha uma legenda impressionante: "A alegria dos que regressam não faz esquecer os que morreram".
Oportunamente, e logo que a localize, aqui a reproduzirei para os meus amigos visitantes.

AJM







O estigma!!!

O estigma da vitória...

Num jornal diário regional tive, hoje, a oportunidade de ler a seguinte prosa, referente à vitória da Naval sobre a União de Leiria, por 4-1, em jogo-treino ontem realizado no Estádio Municipal José Bento Pessoa, na Figueira da Foz.
O articulista, querendo salientar o facto da equipa da cidade do Lis, ter sido derrotada, pela primeira vez, na sua campanha de pré-época, escreveu:
"A formação leiriense, que trazia consigo o ESTIGMA de, nas oito partidas até então disputadas, somar igual número de vitórias, não resistiu ao poderio figueirense...."
Aproveito o ensejo para informar que, de acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, ESTIGMA significa: "sinal vergonhoso, infamante, desonroso; mancha na reputação".
Ora, se isto estava a acontecer à União de Leiria, só com triunfos, vou ali e já venho.
Esta é uma daquelas situações em que, como se dizia antigamente, se pretende empregar palavras de dez tostões sem cuidar de saber o seu significado...

Aníbal José de Matos

O Record e o Zás-Trás

Na sua caminhada crescente, o progresso arrasta as preocupações e nos altares derrubados coloca novos ídolos que mudam por completo antigas tradições e teorias sociais.
Ruben Dario

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Publicidade à Figueira da Foz


Esta notícia faz manchete na edição de hoje do Diário de Coimbra. Mais palavras para quê?

Mas , já agora, para o caso de não ser totalmente visível a imagem, aqui vai a reprodução: "Uma residente em Coimbra foi enganada ao tentar arrendar um apartamento para férias na Figueira da Foz. Ao responder a um anúnco [publicado no Diário de Coimbra] acabaria por dar um sinal por conta da renda, que nunca mais viu. Pelo menos mais uma pessoa, também de Coimbra, caiu na mesma burla.

AJM






Para a história da Figueira - XXVII

Heróis da aviação
Humberto da Cruz (figueirense pelo coração)


Capa do livro que relata a viagem do DILLY

DILLY, o avião que Humberto da Cruz pilotou numa viagem heróica




De 25 de Outubro de 1934 a 21 de Dezembro do mesmo ano, um figueirense pelo coração, Humberto da Cruz (irmão de Emanuel Cruz e do fotógrafo Afonso Cruz, recentemente falecido), levou a cabo uma viagem memorável e pioneira na história da aviação.
Lisboa, Timor, Macau, Índia, Lisboa, foi o percurso, que totalizou 42 670 quilómetros. Acompanhado do seu mecânico, António Gonçalves Lobato, Humberto da Cruz, pilotando o avião baptizado com o nome de DILLY, escreveu uma página histórica da aviação portuguesa e o país rendeu-lhe as maiores homenagens.
A propósito, e no decorrer das inúmeras recepções, o figueirense Luís Wittnich Carriço, disse, entre outros considerandos, a propósito deste feito:
“Não foi ele, apenas, o homem de coragem que arriscou a vida numa viagem cheia de perigos; não foi só o piloto hábil, sempre senhor do seu aparelho; foi, sobretudo, o homem que estudou, que procurou reunir as máximas probabilidades de êxito, que agiu com a maior serenidade e que, acima de tudo, com uma vontade de ferro, soube vencer todas as dificuldades – e tantas foram elas! – que se opunham à realização do seu projecto.”

AJM
(texto e fotos)

O pensamento do dia

A história é a mãe da verdade, adversária do tempo, depósito das acções, testemunha do passado, exemplo e aviso do presente, advertência do futuro.

Cervantes

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Para a história da Figueira - XXVI

Caixa de fósforos com publicidade à Figueira da Foz
A história escreve-se de muitas formas. Esta caixa de fósforos, que aqui reproduzo, já tem umas dezenas de anos. Como se pode ver, foi colocada a circular pela Sociedade Nacional de Fósforos, com sede no Porto, e custava a módica quantia de 25 centavos, acrescida de cinco centavos de contribuição para o Socorro Social ... Penso que se trata dum exemplar com alguma raridade. Ou estarei enganado?
AJM (texto e foto)

O pensamento do dia

A reputação de um homem é como a sua sombra: ora o segue, ora o precede; ora é maior, ora é mais pequena do que o seu tamanho natural.
Anónimo

domingo, 13 de agosto de 2006

Poesia

Para ti, Figueira

Olhar-te,
Esventrar e descobrir os teus segredos,
Descer à raiz do teu passado
E trazer à ribalta os teus heróis!

Sonhar-te,
Aprofundar o mar dos teus encantos,
Vaguear no rio do teu nome,
Ajoelhar aos pés do teu esplendor!

Subir à serra do teu mundo,
Beijar a encosta da alvorada,
Beber a areia do teu sangue
E viver à beira do teu Sol…


FIGUEIRA,
Deixa-me ver as vagas da esperança,
Contemplar a visão do teu luar
E amar sob a luz do teu abraço!



Aníbal José de Matos (in Figueira, a da Foz do Mondego – 1982)

O pensamento do dia

Esquecemo-nos frequentementede de que as pessoas com quem temos de viver também têm de viver connosco...
E.H.

sábado, 12 de agosto de 2006

Para a história da Figueira - XXV



A moeda, que aqui reproduzo, tem, para mim, um significado muito especial, já que foi cunhada em 1882, precisamente o ano em que a Figueira da Foz foi elevada à categoria de Cidade.
A moeda é de XX reis e tem a efígie de D. Luís I, o monarca que, em Agosto desse mesmo ano, veio à Figueira inaugurar o caminho de ferro da Beira Alta.


AJM (texto e foto)

Poesia

CRISTO

Quando eu nasci, Senhor!, já tu lá estavas,
Crucificado, lívido, esquecido.
Não respondeste, pois, ao meu gemido
Que há muito tempo já que não falavas…


Redemoinhavam, longe, as turbas bravas,
Alevantando ao ar fumo e alarido.
E a tua Benta Cruz de Deus vencido,
Quis eu erguê-la em minhas mãos escravas!


A turba veio então, seguiu-me os rastros;
E riu-se, e eu nem sequer fui açoitado,
E dos braços da Cruz fizeram mastros…


Senhor! Eis-me vencido e tolerado:
Resta-me abrir os braços a teu lado,
E apodrecer contigo à luz dos astros!

José Régio
(in Poemas de Deus e do Diabo)

O pensamento do dia

Uma boa regra para se passar bem pela vida é conservar o coração um pouquinho mais tolerante do que a cabeça.

J.G.

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

Para descontrair...

Mal da cabeça
Na farmácia: "Por favor, queria uma caixa de comprimidos de ácido acetilsalicílico".
"Diz o farmacêutico: "Não seria mais fácil pedir uma caixa de aspirinas?"
"É capaz de ter razão", diz o paciente: "O problema é que me esqueço sempre desse nome"...

Fernando de Albuquerque

Pior que o 11 de Setembro


Confusão nos aeroportos de Londres. 24 já foram presos. Estaria em preparação uma acção mais nefasta do que a de 11 de Setembro?

BRASIL

Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa ("coração do meu Brasil...")
Foto de AJM (2005)

Poesia

Emigrantes

Um tempo de maçãs, fofo de aranhas,
Acrescentado de árvores sedosas
Nasce da terra onde nasceram vidas
E porque é bom viver dessas memórias
É que germinam ânsias sobre as horas
Manchadas de doçuras pressentidas.
Aqui a Natureza é corpo inteiro
Com veias bifurcadas e secretas
Por onde os sapos descem viajeiros
À procura das sobras dos Outonos
Presos nos olhos verdes dos salgueiros.
Aqui, soma-se o sol com tangerinas,
Franja-se o tecto a maçarocas baças
E depois, com as mãos roxas de tempo,
Dizem-se as coisas que o amor tem dentro
Aos que bebem a luz à nossa beira.
Lá longe há outro céu que se respira,
Há grades soltas de muralhas verdes
Equilibradas em manhãs lascivas,
Há rios de centeio, sabiamente
Entornados em cores de navalhas,
Há outro vento vindo das olaias
E dos vincos das horas impressivas,
Enquanto se dominam as saudades
Acumulando lagos nas pupilas.
É pesada, é inútil a tarefa
Dos que procuram emendar a vida
Erguendo os braços como rudes hastes
À busca de mais sol, mais alegria,
E enquanto o vento ronda, complacente,
Construindo outras noites sobre os dias
Os homens, iludidos de esperanças,
Urnas do pólen vivo que transforma
O tamanho do mundo que recriam,
Negam aos olhos turvos e insubmissos
A fome de chorar que os aniquila.
E, honestos como os lagos e as crianças,
Acomodam-se à curva dos momentos,
Alimentados de astros e lembranças,
Enquanto o ar, a luz, a cor dos fenos
Irão pesando em tépidas balanças
As aves e os motivos de regresso
Que se acumulam em palavras brancas.

Isabel Pulquério (1.º prémio de poesia lírica, nos XV Jogos Florais do Grupo Desportivo da CUF, do Barreiro – XI Nacionais e VI Luso Brasileiros - 1972)

Fez parte do júri desta edição, o poeta figueirense, António Sousa Freitas, autor da letra da Canção “Figueira da Foz”, interpretada, pela primeira vez, por Maria Clara.

AJM

O pensamento do dia

Se passares toda a vida à espera da tempestade, nunca gozarás o Sol a brilhar.

Morris West

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Serra da Boa Viagem

Manuel Alberto Rei, o homem que tornou a Serra da Boa Viagem, no seu tempo, num local paradisíaco, derramaria, hoje, lágrimas de sangue, se constatasse o estado a que aquele local, cantado por escritores e poetas, chegou.

















Felizmente nem tudo ardeu, nem tudo foi votado ao abandono, e ainda se encontram, na Serra, espaços de floresta como o que esta imagem demonstra.

O citado Engenheiro Manuel Alberto Rei, escrevia, em 1924: "Posso, e com legítimo orgulho, afirmar que em 1911 descobri, geograficamente, a Serra da Boa Viagem, pois que, até então, nada mais era do que uma montanha árida e pedregosa onde vegetavam e a urze e o tojo, e mesmo convencido estou de que 95% da população da Figueira desconhecia a sua existência."

E terminava, assim, a sua introdução no livro que dedicou à Serra: "Enquanto merecer a estima e a confiança das entidades superiores, nas minhas iniciativas e nos meus modestos trabalhos, pode a Figueira estar certa de que eu continuarei a dispensar à arborização da Serra toda a minha boa vontade, esforço, carinho e dedicação pelo seu engrandecimento, que é o engrandecimento da Figueira da Foz e do país".

Ai se cá voltasses, Alberto Rei...

Aníbal José de Matos (texto e fotos)


O pensamento do dia

Sonhar com a pessoa que você gostaria de ser é desperdiçar a pessoa que você é.

Juliana Russo Barracho (São Paulo (Brasil)

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

BRASIL

As habilidades dos meninos da rua!

Foto de AJM (2005)


Para a história da Figueira - XXIV

Anúncio reproduzido do jornal figueirense “A Voz da Justiça”, na sua edição de 15 de Junho de 1917.

Publicidade a uma funerária com todos os matadores…A Rua da Bica ou do Correio Geral, é a actual Rua dos Bombeiros Voluntários.

Ainda hoje, quando se pretende esclarecer qualquer dúvida, há, na Figueira da Foz, quem diga: “Não confundir Traveira pai com Traveira filho, vulgo Manuel dos Caixões”…


AJM

O pensamento do dia


Se uma pessoa mais velha se queixar do descaramento da juventude, também estará a queixar-se, até certo ponto, da sua própria incapacidade de impor respeito. A boa educação está a desaparecer. Creio que não se trata apenas de um erro de educação, mas também de uma falta de respeitabilidade no Mundo em que vivemos – uma falta daqueles que sabem que a juventude não é uma desculpa, e a velhice muito menos.

Miroslav Holub (1996)

terça-feira, 8 de agosto de 2006

Guerra

A guerra continua entre Israel e o Líbano. Até quando este sofrimento humano? Foto Jerusalem Post

Para descontrair...

Professor para um aluno:
Que foi que o teu pai disse a respeito do teu desastre de automóvel?
- Devo omitir os palavrões?
- Claro.
- Não disse nada.

Quim Ryan

Para a história da Figueira - XXIII

Um acontecimento insólito no futebol nacional, teve lugar em 1953, num torneio em que participaram a Naval e o União de Coimbra.
Reproduzo a nota, publicada no jornal “A Bola”, na sua edição de 19 de Fevereiro de 1983, em vésperas dum jogo com o Sporting de Braga, para a Taça de Portugal, onde o facto é relembrado e relatado.
De salientar a parte final do comentário: “Resta dizer que o troféu tem o nome de “Associação de Futebol de Coimbra” e que figura como um autêntico “ex-libris” da valiosa sala de troféus do velho clube da Figueira da Foz… E com justificada razão…”
Pois é, digo eu, só que a meia taça que coube aos navalistas, ficou reduzida a cinzas, conjuntamente com o património cultural e desportivo, aquando do incêndio em 4 de Julho de 1997, que destruiu completamente a sede da Naval, na Rua da República!
AJM

O pensamento do dia


Quando a pessoa tem a sorte de viver dentro de uma história, de viver dentro de um mundo imaginário, as dores deste mundo desaparecem. Porque, enquanto a história dura, a realidade cessa de existir.

Paul Auster, in “As Loucuras de Brooklyn”

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Sol e toiros


Completam-se este mês, 111 anos sobre a inauguração do Coliseu Figueirense, em cuja arena decorreram, e ainda hoje acontecem, espectáculos taurinos considerados, pelos aficionados, de grande valia, recinto que durante largos anos assumiu a vice-liderança das praças portuguesas, logo a seguir ao Campo Pequeno, em Lisboa.
Com os seus 6000 lugares, a Praça de Touros da Figueira da Foz fez parte do núcleo de edificações que marcaram uma época. Cerca de onze anos antes (3 de Setembro de 1884) havia sido inaugurado o Teatro-Circo Saraiva de Carvalho, hoje Casino da Figueira. A 6 de Maio de 1894 fora aberto ao público o Museu Municipal Dr. Santos Rocha e menos de três anos após procedia-se à inauguração do edifício dos Paços do Concelho.
Antes de nos referirmos às estrelas da tauromaquia nacional e estrangeira que no Coliseu levaram ao rubro os apreciadores oriundos de todos os pontos do país e, e grande parte, da vizinha Espanha, falamos das garraiadas que ali tiveram lugar no decorrer dos anos, uma das quais ainda hoje ali encontra o palco privilegiado. Estamos, como é evidente, a chamar à liça as tradicionais garraiadas integradas na Queima das Fitas e organizadas pelos estudantes da Universidade de Coimbra.
Alguns figueirenses ficaram conhecidos pelas suas actuações em espectáculos taurinos de carácter humorístico. Sebastião Pimentel Monteiro, Júlio de Carvalho, Joaquim “Charlot”, David Viana e muitos outros, participaram em garraiadas que esgotavam as bancadas da Praça de Toiros da Figueira da Foz.
A título de curiosidade temos presente um sugestivo prospecto referente a uma garraiada promovida e organizada pela Naval 1.º de Maio, clube que noutras épocas tinha como habitual atractivo do seu programa festivo a organização deste tipo de espectáculos. O próprio panfleto só por si já despertava o humor. Vejamos: “Domingo, 22 de Setembro de 1946. Monumental, formidável e bestial garraiada e variedades taurinas....... Bandarilheiríssimos (de que faziam parte David Viana, António Neves, José de Freitas, Hildebrando Mota, Tó Pinto e outros) ..... Enforcadíssimos ....... Espadachins ....... Meios de transporte: Estão assegurados os seguintes meios de transporte: comboios especiais, camiões e camionetas de passageiros e de carga; cavalos, cavalinhos, burros e paus de vassoura, bicicletas, aviões e triciclos....... Se alguma fera apanhar alguma farpa no rabo, não protestem, tudo é toiro..... “.
Mas a arena do Coliseu Figueirense foi e ainda é ponto de passagem de destacadas figuras do toureio apeado e equestre. Nomes como Diamantino Viseu, Manuel dos Santos e Gregório Garcia, José Casimiro, Simão da Veiga e João Branco Núncio, não esquecendo a peruana, radicada em Portugal, Conchita Cintron. e forcados como Nuno Salvação Barreto e Rhodes Sérgio, foram figuras marcantes que arrastaram multidões entusiastas à segunda praça de toiros do país.
Sebastião Pimentel Monteiro no seu opúsculo “Um domingo de toiros na Figueira da Foz”, datado de 1947 e lido aos microfones do Rádio Clube Foz do Mondego em 9 de Novembro de 1987, retrata duma forma entusiástica as corridas e os seus bastidores, todo o bulício que envolvia a festa brava nesta cidade: “ redondel doirado...... A Dez de Agosto rompe com um saleroso paso-doble e ouvem-se os primeiros olés de um público que continua a entrar, a agitar-se, a apertar-se ... “.


Aníbal José de Matos

O Pensador


Fiquei assim de tanto pensar!

O pensamento do dia

Ama-me ou odeia-me, mas não me votes à indiferença.

Libbie Cobertty

domingo, 6 de agosto de 2006

Para descontrair

Um casal estava casado há 50 anos.
- Como as coisas mudaram – disse ela – Antigamente, sentavas-te ao pé de mim.
- Bem, isso tem remédio – disse ele, aproximando-se dela.
- E costumavas abraçar-me.
- Assim? – perguntou ele dando-lhe um abraço.
- Lembras-te de que costumavas encostar-te ao meu pescoço e mordiscar-me a orelha?
Ele deu um salto e foi-se embora.
- Onde é que vais?
- Volto já – disse ele. - Vou buscar a placa!

Tal D. Bonham e Jack Gulledge.

O meu gato!



O meu gato, de seu nome “Mosquito”, na hora da sesta… Encontrei-o, abandonado, e hoje é um senhor!

AJM (texto e foto)

O pensamento do dia



O caderno de encargos do jornalista é, antes de tudo, fornecer dados, fornecer informações, verificar as fontes. Fazer obra literária é todo o contrário disso: tentar apenas formular um enigma.

Brigitte Paulino Neto, in Visão

sábado, 5 de agosto de 2006

Para a história da Figueira - XXII


Cinema a metro...
1920! Um sugestivo cartaz do saudoso Teatro do Peninsular, na Figueira da Foz, anunciando um filme com 10 650 metros (!), dividido em nove jornadas (sessões).
A 2 de Maio, era exibida a nona e última jornada do "...colosso cinematographico", intitulada "O castigo de Radjah", acção desempenhada pela "intrepida e sympathica artista americana, Maria Walcamp".
É giro, não é?
AJM

Para a história da Figueira - XXI

Areias de oiro

Ó praias de Portugal
Que o sol doira num clarão,
Qual será de vós aquela
Dentre todas, a mais bela,
Sob os ardores do verão?!
Ó praias de Portugal
Que o sol doira num clarão!

………….

Rasgai-me vós o mistério
Águas do Rio Mondego!
Dizei-me vós por favor,
Qual será aquela flor
Que me traz assim tão cego?!
Rasgai-me vós o mistério
Águas do Rio Mondego!

Dizei-me vós, ó rochedos
Onde se quebram as ondas,
Qual é a mais linda praia
Onde o sol, quando desmaia,
Beija as areias redondas?!
Dizei-me vós, ó rochedos
Onde se quebram as ondas!

Serra da Boa Viagem
Quero ouvir a tua voz!
Qual é a praia mais bela,
Barquinho que vais à vela
Para a Figueira da Foz?!

- Serra da Boa Viagem,
Já escutei tua voz!...

Jerónimo de Almeida (menção honrosa)


Este é um dos poemas premiados no 1.º Torneio de Jogos Florais da Figueira da Foz, realizado em 1941, e que canta as belezas da cidade da Foz do Mondego.

O pensamento do dia

As vitórias de ontem são menos importantes do que os planos para amanhã.

Canadian Farm & Home Almanac

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

As minhas fotos


"Praia deserta" (foto de AJM)

Para a história da Figueira - XX


Velhos tempos. A Figueira da Foz ainda era uma vila. Estava-se em 1879, a cerca de três anos da elevação a cidade. Penso ser interessante rever a publicidade de então, e os preços praticados.
Note-se que mil reis (o preço mais caro neste Hotel Figueirense), correspondiam a um escudo, na moeda antiga!
Este anúncio é reproduzido do Almanaque da Praia da Figueira para 1879-1880 (Guia do Banhista).

AJM (texto e foto)

O pensamento do dia


O bem e o mal vêm, muitas vezes, juntos no mesmo pacote. Ninguém pode ser tido como totalmente honesto nem totalmente vil.
Os seres humanos não são como as teclas de um piano: ou pretas ou brancas.

Javier Tomeo

quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Igreja Católica a favor das touradas?


No jornal local “O Dever”, órgão oficial da Igreja Católica, na Figueira da Foz, de que é director o Cónego João Coutinho Veríssimo, pode ler-se, na edição de 6 de Julho, a par, da informação sobre os horários das missas: “O Coliseu Figueirense foi a praça de toiros escolhida pela Casa do Pessoal da Rádio Televisão Portuguesa (RTP) para realizar a corrida de grande prestígio, emoção e arte desta ano……”
E mais adiante: “…….cavaleiros João Moura, Joaquim Bastinhas e João Moura (filho), três nomes que só por si dispensam quaisquer referências.”
Ora vejam lá. Eu a pensar que a Igreja Católica era contra as touradas. Como eu ando enganado… E se o espectáculo fosse com touros de morte, então, de certeza, era uma página inteira... É assim mesmo, precisamos é de bons exemplos.

AJM

Ainda há muito para arder?


António Costa, ministro da Administração Interna, disse hoje, em Viseu, ser muito cedo para fazer um balanço dos fogos florestais. Acho que tem razão, mas eu pergunto: será que ainda resta muito para arder?
Aliás, nos últimos anos, quer a nível nacional, quer local, muito se tem prometido, mas quanto a resultados, eles estão à vista.

AJM

Cabo Mondego classificado

Após a CLASSIFICAÇÃO do Cabo Mondego (parte), apetece-me perguntar: E para quando a DESCLASSIFICAÇÃO da fábrica de cal ?

AJM

Por terras de Vera Cruz


Do alto do Corcovado, contemplando o Rio de Janeiro. Uma viagem inesquecível.

AJM (2005)

O pensamento do dia


As pessoas costumam perguntar-me qual a razão do meu casamento feliz. É muito simples: eu e a minha mulher combinámos jantar fora duas vezes por semana. Uma refeição relaxante à luz das velas, música romântica, uns passos de dança. Ela vai às terças e eu às quintas.

Henny Youngman

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Para a história da Figueira - XIX


"CHAPÉU", de António Henrique Almeida Durães, do Barreiro
"DUAS MÃOS FICARAM SÓS", de Luís António Cangueiro, de Prado Gatão - Miranda do Douro
Estas duas fotos foram premiadas no I Concurso Ibérico de Fotografia, organizado, em 1972, pela Comissão Municipal de Turismo da Figueira da Foz e Companhia de Seguros "O Trabalho", com o patrocínio da revista "Arte Fotografico" (Espanha).
AJM

Poesia

Sei que pareço um ladrão,
Mas há muitos que eu conheço,
Que, não parecendo o que são,
São aquilo que eu pareço

Quem prende a água que corre
É por si próprio enganado;
O ribeirinho não morre,
Vai correr por outro lado.

Uma mosca sem valor,
Pousa com a mesma alegria
Na careca de um doutor
Como em qualquer porcaria.

Quem só veste o que lhe dão
Vive sempre num inferno:
Traz sobretudo no verão
E anda em camisa no Inverno.

O homem sonha acordado,
Sonhando, a vida percorre
E deste sonho dourado
Só acorda quando morre.

António Aleixo (1899-1949)

O pensamento do dia

A primeira regra dos buracos: quando estiver num, pare de escavar.

Molly Ivins

terça-feira, 1 de agosto de 2006

Reviravolta no caso Mateus


Gil Vicente desce de divisão

A Comissão disciplinar (CD) da Liga decidiu hoje a favor do Belenenses o denominado "caso Mateus", que opõe a equipa do Restelo ao Gil Vicente.
Sendo assim, os lisboetas evitam, para já, a descida à Liga de Honra, facto que coloca a formação de Barcelos na divisão secundária.
Com uma votação totalmente favorável ao Belenenses (3-0), a CD da LPFP apreciou o processo que se prende com a alegada incorrecta inscrição do angolano Mateus pelo Gil e despromoveu o clube barcelense.
Os conselheiros Pedro Mourão, Frederico Cebola e José Fonseca, este nomeado entretanto por Adriano Afonso, presidente da Assembleia Geral da Liga, entregaram o voto aos azuis.
Em princípio, o GIl Vicente irá agora recorrer da sentença para o Conselho da Justiça da Federação Portuguesa (FPF).
Este caso diz respeito à utilização de Mateus pelo Gil na época 2005/06, quando o internacional angolano estava impedido de jogar, por ter actuado com estatuto de amador na época imediatamente anterior, ao serviço do Lixa.
Em causa está também o recurso aos tribunais civis alegadamente por parte do Gil Vicente (o clube assume que foi o jogador a procurar a Justiça), violando os regulamentos da Liga, da FPF e da FIFA, segundo a queixa do Belenenses interposta a 9 de Maio.

(Record, on-line")

Acrescento eu: Assim vai o futebol português!

No tempo das vacas gordas...

Esta é dedicada ao recém-chegado companheiro destas andanças, Rui Matos, com o seu blog CÁPRAMIM.

Estava-se no tempo das vacas gordas. Esta não foi tirada em Lausanne (Suiça), mas em Lisboa,
publicada na revista Ilustração Portuguesa, em 1909. Na imagem, o veterinário auscultando o animal! Tem piada, não tem?

AJM

Arte popular no Rio de Janeiro


Quando penso que aqui, na Figueira da Foz, como um pouco por todo o lado, um "artista plástico" nasce da noite para o dia, não pode deixar de chegar-me à ideia a arte que pessoas desconhecidas do grande público, por exemplo, no calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro, exibem, diariamente, os seus quadros, alguns duma simplicidade extrema, assinados por alguém que ninguém conhece, e que não necessita de se pôr em bicos de pés para que os seus trabalhos sejam adquiridos.
São, na realidade, pinturas duma grande simplicidade, mas que retratam os locais onde vivem e os horizontes que chegam até aos seus olhos.
Aqui, Venício, que conheci pessoalmente, e a quem adquiri o quadro que a foto reproduz, mostra, a partir da favela onde vive, o Rio de Janeiro como o seu olhar divisa.


AJM (texto e foto)

O pensamento do dia

Os políticos são como as fraldas. Devem ser trocados constantemente. E pela mesma razão.

T.B. – San Diego