O estranho caso do regresso de
"O FIGUEIRENSE"
Fez capa na edição de 28 de dezembro de 2012.
"O FIGUEIRENSE" chegava ao fim na vigência do seu 94,º ano de existência!!!
Surpreendentemente, volvido um ciclo de cinco anos na tumba, o jornal mais antigo do concelho da Figueira da Foz, na mira de atingir o centenário da fundação, regressa à vida, mantendo o número de série (!?), disposto a iniciar uma nova etapa,
De salientar a correção do nome do fundador, Joaquim Gomes d'Almeida, que uns "experts" haviam removido da ficha técnica,
Reproduz-se aqui o artigo que, a convite do seu diretor, António Jorge Lé, assinei numa das recentes edições deste órgão sobrevivente da comunicação social figueirense:
Como fénix
Renascer das cinzas?
Não existe futuro sem
passado e “O Figueirense” tem uma longa história para contar.
Os mais relevantes assuntos
da vida da cidade que o viu nascer há quase um século, que se completa no ano
decorrente, foram indelevelmente retratados nas suas colunas, com a assinatura
de valores proeminentes do jornalismo local, alguns dos quais se viriam a
notabilizar na imprensa nacional como, entre muitos outros, Mário Reis e
Augusto Pinto, este o inspirado autor do cognome de “Praia da Claridade”
atribuído à Figueira da Foz.
“O Figueirense”, o
terceiro jornal a ostentar este título, iniciou a sua publicação a 19 de junho
de 1919, escassos meses após o termo do primeiro grande conflito mundial. Era o
dealbar de uma nova era do jornalismo figueirense.
A família do autor
destas linhas esteve intimamente ligada, desde a criação do jornal e durante o
longo período da sua vigência, a este órgão da comunicação social, (Joaquim
Gomes d’Almeira – fundação e propriedade e Aníbal Correia de Matos – propriedade
e direção). Pela minha parte, tive a honra de assumir as funções de chefe de
redação, com colaboração intensa.
Será este o renascer
das cinzas, tal como fénix, depois de, em 28 de dezembro de 2012, “O
Figueirense”, então em vésperas do 94.º aniversário, ter anunciado o seu fim?
Seguiu-se um lustro de doloroso
interregno e, quando se aproxima a data que assinala um século sobre o
nascimento deste paladino da imprensa regional, eis que o bom senso imperou e
com as recentes edições, desponta a esperança de que “O Figueirense” volte a preencher
o espaço que um dia abandonou, por razões de foro administrativo.
O carinho por este
título do universo da comunicação local, (curiosamente o mesmo do primeiro
jornal publicado na Figueira da Foz, então ainda vila, em 1863), leva este, o
mais antigo jornalista local, a formular entusiásticos votos de que ”O Figueirense”
possa continuar a ser… “O Figueirense”.
Aníbal José de Matos