Abril cinzento
Canta-se Abril em Portugal
Ou chora-se um Abril atraiçoado?
A equidades prometidas
Assimetrias consolidadas.
Verdades transformaram-se em mentiras,
As distâncias são mais longas,
Mais tortuosos os caminhos.
Nem os cravos já disfarçam
O cinzento dos jardins da utopia,
Porque Portugal adormeceu
Na ilusão de um paraíso
Que descambou num caudal de angústias
E de expressões sem sentido.
Descolonizámos e colonizámo-nos a nós.
O clarão da liberdade
Esfumou-se nas diferenças.
A paz podre da solidão
Coloriu-se com a solidariedade dos famintos,
Dos que perderam a esperança
Numa primavera sem alcance
dum túnel sem saída.
As igualdades tombaram
Em mares de fantasia.
À ditadura que castrava
Sucede a abissal diferença
Entre os que podem,
de sorriso de escárneo,
Dominar os que deambulam pelas esquinas!
Aníbal José de Matos – 25 de abril de 2012
quarta-feira, 25 de abril de 2012
38 anos depois... foi há tanto tempo!!!
Por ironia, o dia amanheceu cinzento, frio, ventoso, chuvoso, triste, para se associar às comemorações do 25 de Abril, cujo ato oficial decorreu na Assembleia da República.
Leituras da realidade, algumas utopias, muita distorção, alguma procura de dourar a pílula, e discursos de retórica, foram, em síntese, os ecos que acabariam por diluir-se nos passos perdidos do Parlamento.
Ao acaso, reproduzo algumas das frases proferidas durante a cerimónia. Só para que conste...
Carlos Zorrinho (PS) - "O governo tem vindo a proceder à maior inversão do rumo da democracia."
"Este é o primeiro governo da história democrática que parece querer dispensar a Revolução de Abril".
Pedro Pinto (PSD) - "Atrasámo-nos na construção da liberdade.".
"A verdade das dificuldades tem de ser a base para a construção de sinais de esperança."
"Honrar Abril é reconquistar a liberdade."
Assunção Esteves (Presidente da Assembleia da República) - "É porque Abril existiu que aqui estamos."
"A democracia tem hoje a sua prova de fogo no bem estar geral dos indivíduos e dos grupos."
Cavaco Silva (Presidente da República) - "Os portugueses são de novo chamados a explicar Portugal ao mundo."
"Recentemente o fado foi elevado a património imaterial da humanidade."
"Existem graves problemas na nossa sociedade."
"Estou perfeitamente consciente da situação do país."
"Os portugueses têm mostrado uma capacidade notável de adaptação às dificuldades."
"Não é combatendo-nos uns aos outros que vamos ultrapassar a crise."
"Com o espírito do 25 de Abril juntos iremos vencer."
O 25 de Abril
O
que vai Portugal comemorar?
Um bom feriado para todos
terça-feira, 24 de abril de 2012
Manchetes
Pedro Passos Coelho desvaloriza estas ausências, dizendo que há sempre figuras que querem protagonismo. Pode ter as suas razões mas uma coisa é certa: se não fosse o protagonismo dalguns dos agora ausentes, no 25 de abril de 1974, Passos Coelho também não tinha o protagonismo de que hoje desfruta; não seria, de certeza, o primeiro ministro de Portugal.
O Alberto João deve estar muito preocupado. Deve ser para o lado que dorme melhor. Como de costume, é claro...
Porque seria?!!!
Esta é que é a verdade e devia ser a grande preocupação dos governantes. Para além desta dura realidade o resto é cantiga...
A frase
"Este governo atual preconizou, para combater a crise, o empobrecimento progressivo do país".
Coronel Sousa e Castro (um dos capitães de Abril) no programa Prós e Contras, que decorre. neste momento, na RTP 1
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Ainda o Dia Mundial do Livro
Como curiosidade, e neste Dia Mundial do Livro, recordo aqui uma pequena obra de meu Pai, Aníbal Correia de Matos (tipógrafo e jornalista - foi diretor e proprietário dos jornais O Figueirense e Defesa da Beira - e que está perpetuado na toponímia figueirense), e a que deu o título de AO SOALHEIRO, adaptando o conto de Pepe Arioz para a secção dramática do Oerfeão David de Sousa, a que pertenceu. Corriam os anos 30.
Em cima, a capa da obra e, em baixo, parte do manuscrito feito pelo seu punho. Posteriormente foi datilografado para distribuir pelos protagonistas da peça.
Aníbal Correia de Matos (autor da novela regionalista A FELICIDADE MORAVA NA RIBEIRA), nasceu, em Santa Comba Dão, a 6 de julho de 1915 e faleceu na Figueira da Foz, em 1 de maio de 2004.
Figueira assinala Dia Mundial do Livro
Comemorado um pouco por todo o país,
o DiaMundial do Livro
e dos Direitos de Autor também
se assinalou na Biblioteca Municipal
da Figueira da Foz com uma sessão de contos.
Alunos do Ensino pré-escolar
do 1º Jardim Escola João de Deus
da Figueira da Foz foram à Biblioteca
ouvir ler “Olá, eu sou um livro”,
de Rui Grácio,
participando de seguida
num atelier onde criaram “flores”
a partir de diversos materiais reciclados.
Associação 25 de Abril tem razão

A Associação 25 de Abril demarca-se das comemorações da data comemorativa da chamada "revolução dos cravos".
A propósito, e justificando a ausência, pela primeira vez, dos festejos oficiais do 25 de abril, Vasco Lourenço, presidente da Associação, referiu, em comunicado, entre outras declarações:
«A linha política seguida pelo atual poder político deixou
de refletir o regime democrático herdeiro do 25 de Abril configurado na
Constituição da República Portuguesa» e
"As medidas e
sacrifícios impostos aos cidadãos portugueses ultrapassaram os limites do
suportável".
E digam lá se Vasco Lourenço não tem razão!!!
domingo, 22 de abril de 2012
sábado, 21 de abril de 2012
A frase
António José Seguro, secretário-geral do Partido Socialista Português.
Digo eu: concordo totalmente, sem quaisquer reticências, mas o que me surpreende (ou não...) é o facto de, quer sejam os socialistas que estejam no governo, ou os representantes do PSD ou CDS, a verdade, incontestável, é que os seus apoiantes sofrem na pele as agruras de todos (quase...) os portugueses.
Batem-se pamas ao CDS e ao PSD, e os apoiantes estão na miséria; idem, idem, aspas, aspas, aos apaniguados do PS.
Será que os portugueses são mesmo masoquistas? A dúvida fica mesmo nom ar. Porque uma coisa é certa: são apenas os apoiantes dos partidos da oposição que se encontram em situação desesperada?
Santana Lopes na Figueira da Foz
1997. Santana Lopes preparava-se para tomar conta dos destinos da Figueira da Foz. Na imagem, publicada no jornal Diário de Coimbra, na sua edição de 7 de julho daquele ano, vê-se o futuro presidente do município acompanhado do seu mandatário Pires de Azevedo (já falecido), acompanhado de Cinha Jardim.
Aumentos...
Nem tudo são más notícias. Afinal o nosso país vai registar um aumento. Refiro-me à ampliação, com 2 mil lugares, das prisões portuguesas... Aqui está uma nota de crescimento!!!
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