
domingo, 3 de setembro de 2006
Pelo mundo

Alguma vez havia de acertar
AJM
sábado, 2 de setembro de 2006
Aviso à navegação...
BRASIL
Para descontrair...
sexta-feira, 1 de setembro de 2006
As investigações do Detective…
Na edição de ontem do jornal “Correio da Figueira”, pode ler-se o seguinte artigo, fruto das investigações do DETECTIVE, que, como toda a gente sabe, é o próprio proprietário e director, José Alberto Dias.
“……Então Senhor Presidente nem sequer o comboio apitou na marginal, enfim tivemos um cavalo e uma charrette, valha-nos isso, mas os turistas nunca fizeram fila para ir passear de charrete, ai que saudades dos anos em que não se davam dois passos sem que se encontrasse um conjunto ou um rancho folclórico ou um baile ou os gaiteiros ou os zés Pereira. Agora!? Visto-los zero. Bem o Senhor Presidente da Câmara não quer gastar dinheiro, mas com uma cidade apagada para o próximo ano não tem cá ninguém as pessoas que estão de férias querem: barulho, festa, comida, diversão, espectáculo para contrariar os aborrecimentos do dia a dia que são mais que muitos, se chegam à nossa cidade e só encontram coisas como os esgotos de Buarcos, os buracos da Ponte Galante e a tenda do Parque das Gaivotas, é naturalmente muito pouco……”
E tenho dito. Ponto final, parágrafo. Mas, já agora, todos esperamos que para o ano haja mais “barulho, festa, comida….”, que venham os “gaiteiros ou os zés Pereira”, porque, na realidade, “esgotos de Buarcos, os buracos da Ponte Galante e a tenda do Parque das Gaivotas, é naturalmente muito pouco”.
AJM
O pensamento do dia
John D. MacDonald
quinta-feira, 31 de agosto de 2006
quarta-feira, 30 de agosto de 2006
Duas seguidas
Aqui vai, ou, melhor, aqui vão.
Antigamente (não passaram assim tantos anos) se queríamos tirar um passaporte, dirigíamos à delegação local do Automóvel Clube de Portugal, ou a outro local na Figueira, entregava-se os elementos solicitados e, passados alguns dias, o documento chegava ao nosso domicílio.
Agora, como sucedeu comigo, se quisermos o dito cujo, temos que nos dirigir a Coimbra, ao Governo Civil.
Não há dúvida que só deparamos com facilidades.
É caso para voltar, neste caso específico, a dizer que andam a tramar a Figueira e os figueirenses, embora não sejam só estes as vítimas destas modernices burocráticas.
E aí vai a outra:
Ao abrigo duma determinação do Banco de Portugal, datada de 2005, recebi uma carta da Caixa Geral de Depósitos (CGD), para confirmar se havia dado autorização a uma determinada entidade, concretamente com a designação de SANT.CONSUM.FINA, para efectuar o débito directo na minha conta de depósitos à ordem.
Segundo me foi informado, a “minha” autorização datava de 24 de Agosto quando, na realidade, não dei qualquer ordem nesse sentido, nem sequer sei de que entidade se trata.
Como na dita carta era referido que, para esclarecimento de qualquer dúvida, me devia dirigir, por exemplo, a uma agência da CGD, aí fui eu de abalada até Buarcos, onde recebi como resposta que, para além da data da “autorização”, nada mais me podia ser informado, devendo, segundo a recomendação da funcionária, dirigir-me a uma loja do cidadão!!!
Mais palavras para quê?
AJM
O pensamento do dia
terça-feira, 29 de agosto de 2006
Para a história da Figueira - XXXII
"O Sporting Clube Figueirense (nascido em 1 de Dezembro de 1918, fruto de dissidências entre a Naval e o Ginásio) conta no seu historial com fases de grande valia na edificação do desporto figueirense.
Também os desportos náuticos, particularmante a natação (de saudosa memõria a sua piscina da Murraceira) mereceram, no passado, o carinho deste emblema.
O atletismo e o basquetebol constituem de momento as modalidades sobre as quais se debruça esta agremiação.
O seu historial comporta ainda o tiro, o xadrez, o futebol, a esgrima, entre outras modalidades desportivas praticadas.
O campismo mereceu sempre do Sporting um carinho considerável tendo construído, na aprazível Serra da Boa Viagem, uma casa-abrigo que na época constituiu um elemento muito importante para a prática da modalidade."
(in "TERRAS DA NOSSA TERRA", edição de 20 de Março de 1990)
O pensamento do dia
Eugène L.
segunda-feira, 28 de agosto de 2006
Recordações de Angola
Aproveitei o ensejo para tirar algumas fotos, uma das quais a seguir também reproduzo, e que acabaria por ser premiada no concurso nacional.
A mãe dando banho ao filho, numa bacia. Luanda, 1973AJM
O pensamento do dia
Arnold H. Glasow
domingo, 27 de agosto de 2006
Letreiratura...
Fotos de AJM
O pensamento do dia
sábado, 26 de agosto de 2006
Para a história da Figueira - XXXI
O cruzeiro da Figueira da Foz, que deu nome a um bairro, constitui um marco histórico na vida da Figueira da Foz e, felizmente, está a ser alvo de obras de restauração, para que se não perca um bem precioso, que recorda momentos trágicos.
A inscrição está esculpida em latim, e aqui vai a tradução, para que os figueirenses e visitantes, tenham um conhecimento mais profundo do que representa o cruzeiro da Figueira da Foz.
No ano de 1810
ocupada uma grande parte de Portugal
pelo mui poderoso terrível
exército dos franceses, e
acudindo pressurosos a esta vila
todos os povos, não só das imediações
como também de longe,
a fim de se pouparem, fugindo
às grandes calamidades da guerra,
sem que trouxessem consigo meios de vida alguns,
ou certamente poucos,
reinou uma falta terrível de comestíveis.
Derivando desse facto, porém, uma epidemia,
para cima de cinco mil pessoas morreram
nos meses de Janeiro, Fevereiroe Março do ano seguinte.
A maior parte delas, finalmente, foram sepultadas
aqui e em lugar não distante
por ordem do magistrado régio
que, com os auxílios ainda de outros,
forneceu alimentos por todo o tempo que pôde
ao maior número possível.
Tu, que isto leres, treme
perante os trágicos sucessos e a adversidade
e, mais ainda, teme
os altos juízos de Deus a respeito dos homens,
rectos, sem dúvida, mas muitas vezes terríveis
e insondáveis para os homens.
AJM
O pensamento do dia
Hellen Keller, in The Open Door
sexta-feira, 25 de agosto de 2006
Viva o futebol português!!!
Quando tudo parecia resolvido (nem tudo o que parece é), eis que a Federação Portuguesa de Futebol, num assomo de energia e de presunção, sai à liça para mostrar quem manda e quem é que sabe...
Assim, a FPF atira-se à Liga, como que a dizer-lhe que esta não está à altura de resolver os problemas do pontapé na bola.
E eis as decisões hoje tomadas:
Instauração de processo disciplinar ao Gil Vicente FC
Na sequência do recurso aos tribunais comuns no âmbito de uma questão desportiva, o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) vai instaurar um processo disciplinar ao Gil Vicente FC. As eventuais consequências do processo recairão sobre as equipas de futebol que participem em competições organizadas pela Federação Portuguesa de Futebol, nomeadamente nos campeonatos jovens.Depois de ter dado indicações à Liga Portuguesa de Futebol Profissional para actuar da mesma forma no que diz respeito à competição profissional, a FPF dá, assim, seguimento às indicações da FIFA sobre a matéria.
Gil Vicente suspenso das competições da FPF
A Direcção da Federação Portuguesa de Futebol suspendeu o Gil Vicente FC de todas as competições nacionais, ficando por esse facto impedido de efectuar jogos oficiais a partir desta dada.
Considerações sobre o chamado "Caso Mateus"
A Federação Portuguesa de Futebol e o seu Presidente têm-se mantido muito atentos ao chamado "Caso Mateus", tendo tomado decisões céleres e exortado os órgãos competentes a agir com a máxima rapidez.Lamentamos que o andamento processual se tenha arrastado no órgão disciplinar da Liga Portuguesa de Futebol Disciplinar mas garantimos que, à semelhança do que tem acontecido, vamos actuar, no decorrer da próxima semana, de forma rápida e peremptória.Caso a FPF tivesse plenos poderes sobre todo o Futebol português, incluindo o profissional, como, de resto, a FIFA tem vindo a exigir, este caso já estaria encerrado há muito tempo.
E pronto, é que é já a seguir...
AJM
O pulmão da cidade
quinta-feira, 24 de agosto de 2006
quarta-feira, 23 de agosto de 2006
O pensamento do dia
Owen Felthan
terça-feira, 22 de agosto de 2006
Gil Vicente na Liga de Honra
Chegou ao seu termo o folhetim Gil Vicente/Belenenses. O Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de futebol, num acórdão, de hoje, com mais de 70 páginas, deliberou condenar o Gil Vicente à descida à Liga de Honra e manter o Belenenses na principal Liga do futebol português.
Um final feliz para uns (os do Restelo), uma decepção para outros (os de Barcelos).
A secretaria mandou mais do que os relvados. Mas será que, a contrariar a esperteza de uns, não houve ingenuidade doutros?
Esta deliberação já não é passível de recurso.
AJM
Poesia
Deixem-me sonhar e rir
Embebedar-me em rios de desejo
E rolar entre campos azuis de miosótis.
Deixem-me voar com asas de esperança,
Pairando sobre rotas sublimes!
Deixem-me acreditar que vivo
E não percorro áleas de quimera.
Deixem-me sonhar e rir!
Que ao menos este sonho que eu sonho,
Ao despertar
Me legue a ternura dum sorriso
No oásis do nosso desencanto.
Aníbal José de Matos (do livro CONFLITOS-1992)
O pensamento do dia
Do livro “Sabedoria Ameríndia”
segunda-feira, 21 de agosto de 2006
Para a história da Figueira - XXIX


Nas imagens, dois trechos do jardim municipal da Figueira da Foz, como era em 1925, segundo fotos do artista figueirense, Pereira Monteiro.
Façam a comparação com o espaço com que, no local, hoje nos deparamos e, depois, digam se tenho ou não razão quando saliento que há gente que quer mesmo tramar a Figueira.
Não tenham dúvidas: as modernices saloias tiraram beleza a esta cidade à beira-mar plantada.
Aníbal José de Matos
O pensamento do dia
Provérbio indiano
domingo, 20 de agosto de 2006
Quem quer tramar a Figueira?
É mesmo caso para voltar a perguntar, quem quer tramar a Figueira? É que são tantas as situações em que se tem procurado afastar a Figueira da Foz do mapa, que a questão é, do meu ponto de vista, pertinente.
O Mundialito foi para Portimão, a fase europeia também saiu da Praia da Claridade. Será que ainda há mais alguma coisa que queiram tirar à Figueira? Façam favor de se servir. Não façam cerimónias. É fartar, vilanagem.
AJM (texto e foto)
Humor
Segredos da felicidade de um homem:
É importante encontrar uma mulher que cozinhe bem.
É importante encontrar uma mulher que goste de crianças.
É importante encontrar uma mulher companheira.
É importante encontrar uma mulher boa de cama.
É extremamente importante que essas mulheres nunca se conheçam!
Cortesia de Humor Tadela on-line
O pensamento do dia
Franck A. Clark
sábado, 19 de agosto de 2006
Para a história da Figueira - XXVIII
Nela se editaram imensas fotografias alusivas à Figueira da Foz, a par de informações úteis para os turistas.
Dou, hoje, início a algumas referências a mais esse elemento da história do jornalismo figueirense, de que era director António Amargo, pseudónimo de António Correia Pinto de Almeida.
AJM
Esplanada do Casino-Café Europa, na Cândido dos Reis em 1925 (Foto de Pereira Monteiro)Trovas da Figueira
Figueira, minha Figueira,
Figueira, noiva do mar,
Quem lá vai a vez primeira
Há-de por força voltar.
Palheiros…porque amesquinhas
Este nome encantador?
Foi sobre humildes palhinhas
Que nasceu Nosso Senhor.
Nunca eu fosse à romaria,
Senhora da Encarnação!
Pecava, mas não perdia,
Não perdia o coração!
Meninas do Bairro Novo,
Meu amor vende sardinha:
É rapariga do povo;
Ajudai-a, coitadinha!
Se do Mondego os salgueiros
Pudessem falar, amor,
Alguns rostinhos trigueiros
Talvez mudassem de cor…
Serra da Boa Viagem,
Quem dera que fosse minha!
Punha lá a tua imagem
Numa linda capelinha!
Protegei os nossos barcos,
Senhora da Encarnação,
Porque os pobres de Buarcos
Não têm outro ganha-pão.
Acácio de Paiva (poeta e humorista, antigo colaborador do Diário de Notícias) in quinzenário EUROPA – 1925.
O pensamento do dia
Lecuar
sexta-feira, 18 de agosto de 2006
Ainda sobre os fumadores
AJM
Fumadores e educação (ou falta dela)
O Estado, como é do conhecimento geral, actual com uma hipocrisia de tal ordem que continua a angariar dividendos (que não são poucos) desse mesmo vício e, para alijar responsabilidades, obriga a que nos maços de tabaco sejam introduzidas frases como “Fumar mata” ou “provoca o cancro”.
Mas isso é outra conversa.
O que acontece é que, sem sombra de dúvida, da parte dos fumadores continua a haver falta de educação, falta de civismo e, como corolário, desrespeito pelos outros.
Acontece, por exemplo, que nos restaurantes, enquanto eles aguardam o atendimento ou terminaram a refeição, os mesmos (muitos) não se preocupam com o facto de outros, noutras mesas, estarem a almoçar ou jantar, obrigados a suportar o fumo que não provocaram.
É, exactamente o que, nos mais diversos ângulos, falta a este país: educação.
Por agora, tenho dito.
Aníbal José de Matos
Para descontrair...
O pensamento do dia
quinta-feira, 17 de agosto de 2006
Atropelamento na passadeira
Continua a acontecer com frequência.
Há menos de uma hora (seriam 15 horas, aproximadamente), uma senhora foi atropelada numa passadeira de peões, mesmo em frente ao restaurante Figueira Bar, na Avenida do Brasil, na Figueira da Foz.
A senhora, ao que nos foi dito, estava a concluir a passagem quando um jeep, em plena passadeira, a derrubou.
Eu estava a almoçar, ouvi a travagem, e deparei com a senhora, estendida na relva.
O jeep ainda estava em cima da passadeira. Até quando situações deste tipo?
AJM
Poesia
Acho mesmo que foi ontem!
O calor do jogo
A desfazer de quando em vez
A velha bola de trapos.
A baliza era o portão,
O grande estádio era o beco
Das nossas competições.
Uma lágrima furtiva
Respondia por instinto
À dor duma canelada.
O golo era o lenitivo
Para mazelas sofridas
No ardor da finalíssima.
Soam vidros a quebrar em casa velha
E a fuga desordenada
Responde aos gritos de quem
Não suporta a garotada.
Ameaças com polícia
(mesmo à mão de semear).
Olhares reprovadores
E a um tempo tolerantes.
O perigo já passou
E o desafio recomeça
Alguns minutos depois.
Regressam gritos ao beco
E não foi o último vidro a estilhaçar-se.
Parece mesmo que foi ontem.
Aníbal José de Matos (do livro CONFLITOS)
O pensamento do dia
Antoine de Saint-Exupéry
quarta-feira, 16 de agosto de 2006
1.ª Grande Guerra

Decorria o primeiro grande conflito mundial, a guerra de 1914-1918. Muitas vidas se perderam. A imagem que aqui reproduzo, extraída da revista Ilustração Portuguesa, parece-me intensamente sugestiva. Mostra um soldado português, em 1915, a despedir-se de familiares, antes da partida para França.
AJM
O estigma!!!
Num jornal diário regional tive, hoje, a oportunidade de ler a seguinte prosa, referente à vitória da Naval sobre a União de Leiria, por 4-1, em jogo-treino ontem realizado no Estádio Municipal José Bento Pessoa, na Figueira da Foz.
O articulista, querendo salientar o facto da equipa da cidade do Lis, ter sido derrotada, pela primeira vez, na sua campanha de pré-época, escreveu:
"A formação leiriense, que trazia consigo o ESTIGMA de, nas oito partidas até então disputadas, somar igual número de vitórias, não resistiu ao poderio figueirense...."
Aproveito o ensejo para informar que, de acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, ESTIGMA significa: "sinal vergonhoso, infamante, desonroso; mancha na reputação".
Ora, se isto estava a acontecer à União de Leiria, só com triunfos, vou ali e já venho.
Esta é uma daquelas situações em que, como se dizia antigamente, se pretende empregar palavras de dez tostões sem cuidar de saber o seu significado...
Aníbal José de Matos
O Record e o Zás-Trás
terça-feira, 15 de agosto de 2006
Publicidade à Figueira da Foz
AJM
Para a história da Figueira - XXVII
Capa do livro que relata a viagem do DILLY
DILLY, o avião que Humberto da Cruz pilotou numa viagem heróica
De 25 de Outubro de 1934 a 21 de Dezembro do mesmo ano, um figueirense pelo coração, Humberto da Cruz (irmão de Emanuel Cruz e do fotógrafo Afonso Cruz, recentemente falecido), levou a cabo uma viagem memorável e pioneira na história da aviação.
Lisboa, Timor, Macau, Índia, Lisboa, foi o percurso, que totalizou 42 670 quilómetros. Acompanhado do seu mecânico, António Gonçalves Lobato, Humberto da Cruz, pilotando o avião baptizado com o nome de DILLY, escreveu uma página histórica da aviação portuguesa e o país rendeu-lhe as maiores homenagens.
A propósito, e no decorrer das inúmeras recepções, o figueirense Luís Wittnich Carriço, disse, entre outros considerandos, a propósito deste feito:
“Não foi ele, apenas, o homem de coragem que arriscou a vida numa viagem cheia de perigos; não foi só o piloto hábil, sempre senhor do seu aparelho; foi, sobretudo, o homem que estudou, que procurou reunir as máximas probabilidades de êxito, que agiu com a maior serenidade e que, acima de tudo, com uma vontade de ferro, soube vencer todas as dificuldades – e tantas foram elas! – que se opunham à realização do seu projecto.”
AJM (texto e fotos)
O pensamento do dia
Cervantes
segunda-feira, 14 de agosto de 2006
Para a história da Figueira - XXVI
O pensamento do dia
domingo, 13 de agosto de 2006
Poesia
Olhar-te,
Esventrar e descobrir os teus segredos,
Descer à raiz do teu passado
E trazer à ribalta os teus heróis!
Sonhar-te,
Aprofundar o mar dos teus encantos,
Vaguear no rio do teu nome,
Ajoelhar aos pés do teu esplendor!
Subir à serra do teu mundo,
Beijar a encosta da alvorada,
Beber a areia do teu sangue
E viver à beira do teu Sol…
FIGUEIRA,
Deixa-me ver as vagas da esperança,
Contemplar a visão do teu luar
E amar sob a luz do teu abraço!
Aníbal José de Matos (in Figueira, a da Foz do Mondego – 1982)
O pensamento do dia
sábado, 12 de agosto de 2006
Para a história da Figueira - XXV
A moeda é de XX reis e tem a efígie de D. Luís I, o monarca que, em Agosto desse mesmo ano, veio à Figueira inaugurar o caminho de ferro da Beira Alta.
AJM (texto e foto)
Poesia
Quando eu nasci, Senhor!, já tu lá estavas,
Crucificado, lívido, esquecido.
Não respondeste, pois, ao meu gemido
Que há muito tempo já que não falavas…
Redemoinhavam, longe, as turbas bravas,
Alevantando ao ar fumo e alarido.
E a tua Benta Cruz de Deus vencido,
Quis eu erguê-la em minhas mãos escravas!
A turba veio então, seguiu-me os rastros;
E riu-se, e eu nem sequer fui açoitado,
E dos braços da Cruz fizeram mastros…
Senhor! Eis-me vencido e tolerado:
Resta-me abrir os braços a teu lado,
E apodrecer contigo à luz dos astros!
José Régio (in Poemas de Deus e do Diabo)
O pensamento do dia
J.G.
sexta-feira, 11 de agosto de 2006
Para descontrair...
Fernando de Albuquerque
Poesia
Um tempo de maçãs, fofo de aranhas,
Acrescentado de árvores sedosas
Nasce da terra onde nasceram vidas
E porque é bom viver dessas memórias
É que germinam ânsias sobre as horas
Manchadas de doçuras pressentidas.
Aqui a Natureza é corpo inteiro
Com veias bifurcadas e secretas
Por onde os sapos descem viajeiros
À procura das sobras dos Outonos
Presos nos olhos verdes dos salgueiros.
Aqui, soma-se o sol com tangerinas,
Franja-se o tecto a maçarocas baças
E depois, com as mãos roxas de tempo,
Dizem-se as coisas que o amor tem dentro
Aos que bebem a luz à nossa beira.
Lá longe há outro céu que se respira,
Há grades soltas de muralhas verdes
Equilibradas em manhãs lascivas,
Há rios de centeio, sabiamente
Entornados em cores de navalhas,
Há outro vento vindo das olaias
E dos vincos das horas impressivas,
Enquanto se dominam as saudades
Acumulando lagos nas pupilas.
É pesada, é inútil a tarefa
Dos que procuram emendar a vida
Erguendo os braços como rudes hastes
À busca de mais sol, mais alegria,
E enquanto o vento ronda, complacente,
Construindo outras noites sobre os dias
Os homens, iludidos de esperanças,
Urnas do pólen vivo que transforma
O tamanho do mundo que recriam,
Negam aos olhos turvos e insubmissos
A fome de chorar que os aniquila.
E, honestos como os lagos e as crianças,
Acomodam-se à curva dos momentos,
Alimentados de astros e lembranças,
Enquanto o ar, a luz, a cor dos fenos
Irão pesando em tépidas balanças
As aves e os motivos de regresso
Que se acumulam em palavras brancas.
Isabel Pulquério (1.º prémio de poesia lírica, nos XV Jogos Florais do Grupo Desportivo da CUF, do Barreiro – XI Nacionais e VI Luso Brasileiros - 1972)
Fez parte do júri desta edição, o poeta figueirense, António Sousa Freitas, autor da letra da Canção “Figueira da Foz”, interpretada, pela primeira vez, por Maria Clara.
AJM
O pensamento do dia
Morris West
quinta-feira, 10 de agosto de 2006
Serra da Boa Viagem
Manuel Alberto Rei, o homem que tornou a Serra da Boa Viagem, no seu tempo, num local paradisíaco, derramaria, hoje, lágrimas de sangue, se constatasse o estado a que aquele local, cantado por escritores e poetas, chegou.

Felizmente nem tudo ardeu, nem tudo foi votado ao abandono, e ainda se encontram, na Serra, espaços de floresta como o que esta imagem demonstra.
O citado Engenheiro Manuel Alberto Rei, escrevia, em 1924: "Posso, e com legítimo orgulho, afirmar que em 1911 descobri, geograficamente, a Serra da Boa Viagem, pois que, até então, nada mais era do que uma montanha árida e pedregosa onde vegetavam e a urze e o tojo, e mesmo convencido estou de que 95% da população da Figueira desconhecia a sua existência."
E terminava, assim, a sua introdução no livro que dedicou à Serra: "Enquanto merecer a estima e a confiança das entidades superiores, nas minhas iniciativas e nos meus modestos trabalhos, pode a Figueira estar certa de que eu continuarei a dispensar à arborização da Serra toda a minha boa vontade, esforço, carinho e dedicação pelo seu engrandecimento, que é o engrandecimento da Figueira da Foz e do país".
Ai se cá voltasses, Alberto Rei...
Aníbal José de Matos (texto e fotos)
O pensamento do dia
Juliana Russo Barracho (São Paulo (Brasil)
quarta-feira, 9 de agosto de 2006
Para a história da Figueira - XXIV
Anúncio reproduzido do jornal figueirense “A Voz da Justiça”, na sua edição de 15 de Junho de 1917.Publicidade a uma funerária com todos os matadores…A Rua da Bica ou do Correio Geral, é a actual Rua dos Bombeiros Voluntários.
Ainda hoje, quando se pretende esclarecer qualquer dúvida, há, na Figueira da Foz, quem diga: “Não confundir Traveira pai com Traveira filho, vulgo Manuel dos Caixões”…
AJM
O pensamento do dia
Se uma pessoa mais velha se queixar do descaramento da juventude, também estará a queixar-se, até certo ponto, da sua própria incapacidade de impor respeito. A boa educação está a desaparecer. Creio que não se trata apenas de um erro de educação, mas também de uma falta de respeitabilidade no Mundo em que vivemos – uma falta daqueles que sabem que a juventude não é uma desculpa, e a velhice muito menos.
Miroslav Holub (1996)
terça-feira, 8 de agosto de 2006
Para descontrair...
Que foi que o teu pai disse a respeito do teu desastre de automóvel?
- Devo omitir os palavrões?
- Claro.
- Não disse nada.
Quim Ryan
Para a história da Figueira - XXIII
Um acontecimento insólito no futebol nacional, teve lugar em 1953, num torneio em que participaram a Naval e o União de Coimbra.O pensamento do dia
Quando a pessoa tem a sorte de viver dentro de uma história, de viver dentro de um mundo imaginário, as dores deste mundo desaparecem. Porque, enquanto a história dura, a realidade cessa de existir.
Paul Auster, in “As Loucuras de Brooklyn”
segunda-feira, 7 de agosto de 2006
Sol e toiros
Completam-se este mês, 111 anos sobre a inauguração do Coliseu Figueirense, em cuja arena decorreram, e ainda hoje acontecem, espectáculos taurinos considerados, pelos aficionados, de grande valia, recinto que durante largos anos assumiu a vice-liderança das praças portuguesas, logo a seguir ao Campo Pequeno, em Lisboa.
Com os seus 6000 lugares, a Praça de Touros da Figueira da Foz fez parte do núcleo de edificações que marcaram uma época. Cerca de onze anos antes (3 de Setembro de 1884) havia sido inaugurado o Teatro-Circo Saraiva de Carvalho, hoje Casino da Figueira. A 6 de Maio de 1894 fora aberto ao público o Museu Municipal Dr. Santos Rocha e menos de três anos após procedia-se à inauguração do edifício dos Paços do Concelho.
Antes de nos referirmos às estrelas da tauromaquia nacional e estrangeira que no Coliseu levaram ao rubro os apreciadores oriundos de todos os pontos do país e, e grande parte, da vizinha Espanha, falamos das garraiadas que ali tiveram lugar no decorrer dos anos, uma das quais ainda hoje ali encontra o palco privilegiado. Estamos, como é evidente, a chamar à liça as tradicionais garraiadas integradas na Queima das Fitas e organizadas pelos estudantes da Universidade de Coimbra.
Alguns figueirenses ficaram conhecidos pelas suas actuações em espectáculos taurinos de carácter humorístico. Sebastião Pimentel Monteiro, Júlio de Carvalho, Joaquim “Charlot”, David Viana e muitos outros, participaram em garraiadas que esgotavam as bancadas da Praça de Toiros da Figueira da Foz.
A título de curiosidade temos presente um sugestivo prospecto referente a uma garraiada promovida e organizada pela Naval 1.º de Maio, clube que noutras épocas tinha como habitual atractivo do seu programa festivo a organização deste tipo de espectáculos. O próprio panfleto só por si já despertava o humor. Vejamos: “Domingo, 22 de Setembro de 1946. Monumental, formidável e bestial garraiada e variedades taurinas....... Bandarilheiríssimos (de que faziam parte David Viana, António Neves, José de Freitas, Hildebrando Mota, Tó Pinto e outros) ..... Enforcadíssimos ....... Espadachins ....... Meios de transporte: Estão assegurados os seguintes meios de transporte: comboios especiais, camiões e camionetas de passageiros e de carga; cavalos, cavalinhos, burros e paus de vassoura, bicicletas, aviões e triciclos....... Se alguma fera apanhar alguma farpa no rabo, não protestem, tudo é toiro..... “.
Mas a arena do Coliseu Figueirense foi e ainda é ponto de passagem de destacadas figuras do toureio apeado e equestre. Nomes como Diamantino Viseu, Manuel dos Santos e Gregório Garcia, José Casimiro, Simão da Veiga e João Branco Núncio, não esquecendo a peruana, radicada em Portugal, Conchita Cintron. e forcados como Nuno Salvação Barreto e Rhodes Sérgio, foram figuras marcantes que arrastaram multidões entusiastas à segunda praça de toiros do país.
Sebastião Pimentel Monteiro no seu opúsculo “Um domingo de toiros na Figueira da Foz”, datado de 1947 e lido aos microfones do Rádio Clube Foz do Mondego em 9 de Novembro de 1987, retrata duma forma entusiástica as corridas e os seus bastidores, todo o bulício que envolvia a festa brava nesta cidade: “ redondel doirado...... A Dez de Agosto rompe com um saleroso paso-doble e ouvem-se os primeiros olés de um público que continua a entrar, a agitar-se, a apertar-se ... “.
Aníbal José de Matos
domingo, 6 de agosto de 2006
Para descontrair
- Como as coisas mudaram – disse ela – Antigamente, sentavas-te ao pé de mim.
- Bem, isso tem remédio – disse ele, aproximando-se dela.
- E costumavas abraçar-me.
- Assim? – perguntou ele dando-lhe um abraço.
- Lembras-te de que costumavas encostar-te ao meu pescoço e mordiscar-me a orelha?
Ele deu um salto e foi-se embora.
- Onde é que vais?
- Volto já – disse ele. - Vou buscar a placa!
Tal D. Bonham e Jack Gulledge.
O pensamento do dia
O caderno de encargos do jornalista é, antes de tudo, fornecer dados, fornecer informações, verificar as fontes. Fazer obra literária é todo o contrário disso: tentar apenas formular um enigma.
Brigitte Paulino Neto, in Visão
sábado, 5 de agosto de 2006
Para a história da Figueira - XXII
Para a história da Figueira - XXI
Ó praias de Portugal
Que o sol doira num clarão,
Qual será de vós aquela
Dentre todas, a mais bela,
Sob os ardores do verão?!
Ó praias de Portugal
Que o sol doira num clarão!
………….
Rasgai-me vós o mistério
Águas do Rio Mondego!
Dizei-me vós por favor,
Qual será aquela flor
Que me traz assim tão cego?!
Rasgai-me vós o mistério
Águas do Rio Mondego!
Dizei-me vós, ó rochedos
Onde se quebram as ondas,
Qual é a mais linda praia
Onde o sol, quando desmaia,
Beija as areias redondas?!
Dizei-me vós, ó rochedos
Onde se quebram as ondas!
Serra da Boa Viagem
Quero ouvir a tua voz!
Qual é a praia mais bela,
Barquinho que vais à vela
Para a Figueira da Foz?!
- Serra da Boa Viagem,
Já escutei tua voz!...
Jerónimo de Almeida (menção honrosa)
Este é um dos poemas premiados no 1.º Torneio de Jogos Florais da Figueira da Foz, realizado em 1941, e que canta as belezas da cidade da Foz do Mondego.
O pensamento do dia
Canadian Farm & Home Almanac
sexta-feira, 4 de agosto de 2006
Para a história da Figueira - XX

Note-se que mil reis (o preço mais caro neste Hotel Figueirense), correspondiam a um escudo, na moeda antiga!
Este anúncio é reproduzido do Almanaque da Praia da Figueira para 1879-1880 (Guia do Banhista).
AJM (texto e foto)
O pensamento do dia
O bem e o mal vêm, muitas vezes, juntos no mesmo pacote. Ninguém pode ser tido como totalmente honesto nem totalmente vil.
Os seres humanos não são como as teclas de um piano: ou pretas ou brancas.
Javier Tomeo
quinta-feira, 3 de agosto de 2006
Igreja Católica a favor das touradas?
No jornal local “O Dever”, órgão oficial da Igreja Católica, na Figueira da Foz, de que é director o Cónego João Coutinho Veríssimo, pode ler-se, na edição de 6 de Julho, a par, da informação sobre os horários das missas: “O Coliseu Figueirense foi a praça de toiros escolhida pela Casa do Pessoal da Rádio Televisão Portuguesa (RTP) para realizar a corrida de grande prestígio, emoção e arte desta ano……”
E mais adiante: “…….cavaleiros João Moura, Joaquim Bastinhas e João Moura (filho), três nomes que só por si dispensam quaisquer referências.”
Ora vejam lá. Eu a pensar que a Igreja Católica era contra as touradas. Como eu ando enganado… E se o espectáculo fosse com touros de morte, então, de certeza, era uma página inteira... É assim mesmo, precisamos é de bons exemplos.
AJM
Ainda há muito para arder?
António Costa, ministro da Administração Interna, disse hoje, em Viseu, ser muito cedo para fazer um balanço dos fogos florestais. Acho que tem razão, mas eu pergunto: será que ainda resta muito para arder?
AJM
Cabo Mondego classificado
AJM
O pensamento do dia
As pessoas costumam perguntar-me qual a razão do meu casamento feliz. É muito simples: eu e a minha mulher combinámos jantar fora duas vezes por semana. Uma refeição relaxante à luz das velas, música romântica, uns passos de dança. Ela vai às terças e eu às quintas.
Henny Youngman
quarta-feira, 2 de agosto de 2006
Para a história da Figueira - XIX

Poesia
Mas há muitos que eu conheço,
Que, não parecendo o que são,
São aquilo que eu pareço
Quem prende a água que corre
É por si próprio enganado;
O ribeirinho não morre,
Vai correr por outro lado.
Uma mosca sem valor,
Pousa com a mesma alegria
Na careca de um doutor
Como em qualquer porcaria.
Quem só veste o que lhe dão
Vive sempre num inferno:
Traz sobretudo no verão
E anda em camisa no Inverno.
O homem sonha acordado,
Sonhando, a vida percorre
E deste sonho dourado
Só acorda quando morre.
António Aleixo (1899-1949)
terça-feira, 1 de agosto de 2006
Reviravolta no caso Mateus
Gil Vicente desce de divisão
A Comissão disciplinar (CD) da Liga decidiu hoje a favor do Belenenses o denominado "caso Mateus", que opõe a equipa do Restelo ao Gil Vicente.
Com uma votação totalmente favorável ao Belenenses (3-0), a CD da LPFP apreciou o processo que se prende com a alegada incorrecta inscrição do angolano Mateus pelo Gil e despromoveu o clube barcelense.
Em princípio, o GIl Vicente irá agora recorrer da sentença para o Conselho da Justiça da Federação Portuguesa (FPF).
Este caso diz respeito à utilização de Mateus pelo Gil na época 2005/06, quando o internacional angolano estava impedido de jogar, por ter actuado com estatuto de amador na época imediatamente anterior, ao serviço do Lixa.
Em causa está também o recurso aos tribunais civis alegadamente por parte do Gil Vicente (o clube assume que foi o jogador a procurar a Justiça), violando os regulamentos da Liga, da FPF e da FIFA, segundo a queixa do Belenenses interposta a 9 de Maio.
(Record, on-line")
Acrescento eu: Assim vai o futebol português!
No tempo das vacas gordas...
Esta é dedicada ao recém-chegado companheiro destas andanças, Rui Matos, com o seu blog CÁPRAMIM.Estava-se no tempo das vacas gordas. Esta não foi tirada em Lausanne (Suiça), mas em Lisboa,
publicada na revista Ilustração Portuguesa, em 1909. Na imagem, o veterinário auscultando o animal! Tem piada, não tem?
AJM
Arte popular no Rio de Janeiro

São, na realidade, pinturas duma grande simplicidade, mas que retratam os locais onde vivem e os horizontes que chegam até aos seus olhos.
Aqui, Venício, que conheci pessoalmente, e a quem adquiri o quadro que a foto reproduz, mostra, a partir da favela onde vive, o Rio de Janeiro como o seu olhar divisa.
AJM (texto e foto)
O pensamento do dia
T.B. – San Diego





























