Hoje em dia, ninguém se atreve a criticar directamente uma pessoa, mesmo que ela diga as maiores asneiras. Muito provavelmente, somos capazes de dizer: "Essa sua afirmação é bastante interessante", ou "O que você disse dá que pensar". Quem se atrever a dizer, ainda que com a maior delicadeza, "Nisso, estou em perfeito desacordo consigo", arrisca-se a ser considerado quezilento. Ao pronunciarem uma sentença, muitos juízes parecem desfazer-se em desculpas aos réus. Os políticos, ao falarem uns com os outros, recorrem a frases cheias de rodeios, como: "Na minha opinião, o assunto pode ser encarado de um ângulo diferente. Mas, em certos aspectos, estamos de acordo."
As pessoas parecem estar a esquecer uma coisa importantíssima: a franqueza. Cada vez mais as conversas estão cheias de subentendidos, escorregadios como cobras, que evitam que as pessoas se comprometam. Esse tirpo de retórica não acontece por acaso; resulta da indolência duma sociedade cujos membros evitam assumir as suas responsabilidades pessoais, inclusive as que a franqueza acarreta.
Johan Georg Reissmüller
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