Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

Ainda a Corrida Mundial da Harmonia

Na edição comemorativa
do 25º aniversário


Corrida Mundial da Harmonia escolheu a Figueira

No CAE, Cerimónia da abertura da Corrida Mundial da Harmonia

Momento da chegada da tocha ao palco

Tegla Laroupe com crianças
do 1.º Jardim-Escola João de Deus da Figueira da Foz


Um aspeto da assistência na cerimónia
de abertura da Corrida Mundial da Harmonia


Os mais pequenos
também marcaram presença num acto histórico

A Figueira recebeu hoje a cerimónia de lançamento da 25ª edição da Corrida Mundial da Harmonia (CMH), evento este que percorrerá 100 países e levará mensagens de paz às mais diversas zonas do globo. A cerimónia de abertura teve lugar no Centro de Artes e Espectáculos (CAE), após partida simbólica do Largo Maria Jarra, e contou com a presença de atletas nacionais e estrangeiros.

Dipavajan Renner, presidente europeu da CMH, trouxe a palco a tocha da paz (testemunho que passará de mão em mão por todos os países intervenientes na corrida) e quis salientar que a equipa organizadora “representa toda a gente”, sendo que “a tocha traz uma mensagem muito forte, e diz-nos que todos podem mudar o mundo”.

Dirigindo-se com especial ênfase às crianças, Renner acrescentou que “por vezes, pensamos que nada podemos fazer, que somos pessoas pequenas e não importantes” mas que “o segredo é que cada um pode fazer a diferença, ao dar um bom exemplo ao próximo”, conseguindo assim “mudar o nosso pequeno mundo, mesmo que não possamos mudar o mundo grande”.

Na cerimónia cuja apresentação esteve a cargo da jornalista Sandra Felgueiras, Dipavajan Renner aduziu ainda a ideia fundamental da corrida, a qual se prende com o facto de, “apesar de falarmos línguas diferentes, termos diferentes cores de pele, e virmos de locais diferentes do mundo”, constituirmos “uma grande família” na qual “são mais as coisas que nos unem do que a que nos separam”.

Num evento que encheu o CAE, e no qual as crianças das escolas da cidade marcaram forte presença, a atleta queniana Tegla Loroupe, (campeã maratonista e embaixadora da UNICEF e ONU para a Paz, Desporto e Desenvolvimento), salientou a importância destes “líderes de amanhã” e deu especial relevo ao facto da corrida “cruzar o mundo e levar a mensagem mesmo a zonas de conflito”.

Lembrando que correu “em Lisboa, há muitos anos”, Tegla Loroupe, recordou a importância do desporto na sua vida e do papel dos meios de comunicação social na disseminação de “mensagens de paz ao mundo”.

O público presente no CAE ouviu ainda o testemunho do atleta invisual Jorge Pina que considerou a tocha da paz como sua “gémea”, ao reflectir o mesmo desejo de que o mundo possa experimentar “paz, amor e harmonia”.

Referindo-se à sua experiência de vida, e mais especificamente à perda de visão que sofreu, Jorge Pina afirmou que “todos podemos mudar o mundo, se quisermos. É difícil mas não é impossível, e o primeiro passo é encontrarmos a paz interior, e sabermos ajudar os outros”.

O atleta, que cegou após um descolamento de retina que o acometeu no auge da carreira de pugilista, reforçou ainda: “Eu estou a olhar para vocês, porque sei que estão aí, mas não vejo. Mas aprendi que vejo tudo, pois aprendi a ver-me, a conhecer-me e sei que hoje vejo como nunca vi antes…vejo a paz, o amor e tornei-me uma pessoa diferente, e cada dia sou mais feliz porque amo o mundo”.

Jorge Pina, que representará Portugal em Londres nos Jogos Paraolímpicos deste Verão, afirmou que não vai “à procura da medalha, mas sim do amor, da esperança e da paz para todos”.

Para João Ataíde, presidente da Câmara Municipal, a cerimónia revestiu-se de especial importância, pois, segundo o edil, tal permitiu à cidade “afirmar-se como porto de partida para a paz e harmonia”.

Neste evento que assinalou os 25 anos do movimento criado em 1987 pelo escritor, atleta e músico indiano Sri Chimnoy com o intuito de promover a amizade internacional e o entendimento, participaram várias escolas da cidade, com diversas actuações, como foi o caso das crianças do Agrupamento de Escolas da Zona Urbana da Figueira da Foz e do grupo de trombones do Conservatório David de Sousa.

A palco subiu ainda um grupo de ballet composto por alunos do Primeiro Jardim-Escola João de Deus da cidade, escola esta particularmente participativa no evento que hoje se assinalou, ao ter aberto as portas e cedido os seus préstimos para a confecção das diversas refeições dos atletas que se deslocaram à cidade.

A corrida, que seguiu até à Praça da Europa e contou com a participação de centenas de crianças de diversas escolas, prosseguirá agora por Montemor-o-Velho, Coimbra, Santa Comba Dão, Viseu, Guarda, Pinhel, Almeida e Vilar Formoso, última localidade portuguesa que visitará antes de partir para Espanha.

Texto e fotos Vera de Sousa e Matos

0 comentários:

 

Contador Grátis