sexta-feira, 27 de abril de 2012

Uma pequena história


Aconteceu!
Antes (muito antes) do 25 de abril de 1974, um jornalista foi procurado por uma senhora, de seu nome Elisa, para lhe pedir auxílio numa situação por que estava a passar.
O caso era o seguinte: a paciente, de terras da Beira Alta, residente numa cidade do litoral, tinha-se dirigido ao centro de saúde (na altura conhecido por Caixa), queixando-se dum "tumor" que lhe havia surgido repentinamente e lhe cobria totalmente um dos olhos.
Vista por um médico do Centro, foi-lhe passada, por esse mesmo clínico, uma credencial, com a recomendação de URGENTÍSSIMO, para que se dirigisse a um oftalmologista,
Na secretaria daquele estabelecimento, ao preencherem a credencial, foi indicado à dita senhora que se apresentasse no tal oftalmologista 15 (!) dias depois.
O jornalista, que escrevia para dois diários (um nacional e outro regional) colocou dois títulos semelhantes naqueles órgãos de comunicação, destacando: "Quando urgentíssimo consiste em 15 dias!!!".
O caso meteu o próprio ministro da saúde que mandou abrir um inquérito sobre o assunto. A senhora foi procurada por elementos do centro de saúde, que lhe tentaram retirar a credencial (provavelmente para eliminarem provas), ao que ela respondeu que já tinha dado uma cópia ao jornalista em causa, razão pela qual os tais elementos se retiraram sem levaram a credencial, pois já não havia possibilidade de ... emendas.
A concluir, a senhora em causa foi enviada, no próprio dia (!) ao oftalmologista e, de imediato, dada a urgência da situação, iniciou-se o tratamento que a situação exigia.
Resta acrescentar que o jornalista era eu, e o médico responsável pelo Centro, volvidos uns tempos, dirigiu-se a meu pai, dizendo-lhe, mais ou menos, isto: "O seu filho (eu) teve muita sorte em eu ser seu amigo, porque senão, ele já tinha sido detido pela PIDE e, a esta hora, estava detido, acrescentando: mas ele que tenha cuidado...".
E, quanto a este assunto, que vem a lume na sequência das comemorações do 25 de abril, por agora é tudo, aproveitando para salientar que, por razões óbvias, alguns nomes foram omitidos.
AJdeMatos

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