quinta-feira, 17 de maio de 2007

O estado do estádio…

Reconhecemos que este artigo integra muito mais perguntas do que respostas. Provavelmente, até, conhecendo intervenientes e responsáveis como conhecemos, nem provocará qualquer feed-back, porque, na realidade, muitos (todos?) estão-se nas tintas, para não dizer estar-se-ão borrifando para o que aqui fica escrito. Mas, creiam, o problema, esse já não é nosso.
Na Figueira da Foz fala-se muito de turismo. Com o devido respeito, por vezes assalta-nos a ideia de que se trata dum turismo balofo, com sotaque gasto e consumido.
A cidade, o concelho, nunca se definiu em termos de prioridades. É um colorido em tons de rosa, que já nem quer falar do seu passado (que o teve) e aponta para um futuro indefinido, onde as imperfeições e faltas de critério são mais que muitas.
Mas falemos do assunto que hoje trazemos à liça.
Sempre se disse que o futebol era um meio de atrair visitantes, uma forma de promoção turística, com incidências em várias áreas, passando pela gastronómica e outras vertentes de cultura.
A verdade, diga-se, é que há divórcios por demais evidentes no que toca ao desporto local.
A Figueira atingiu, o que para muitos era impensável há dezenas de anos, o maior patamar do futebol nacional, tendo, dentro de muros, uma equipa no primeiro escalão do desporto indígena, a disputar os mesmos campeonatos que os Sportings, Benficas e FC Portos.
Mas como estamos de sala de visitas do futebol figueirense? O estádio municipal, que ostenta o nome de José Bento Pessoa, um recordista mundial de ciclismo, está devidamente apetrechado para as grandes competições, no que concerne a comodidade para os espectadores, por exemplo?
Ali se têm operado “benfeitorias”, diríamos remendos, mas as condições continuam a envergonhar a cidade. O espaço pertence à Câmara Municipal, que adjudicou a sua concessão (termina no final do ano) à Naval 1.º de Maio, clube que ocupa o estádio a 100 por cento. Ali têm sido feitas obras, umas pelas própria Câmara, outras, ao que nos dizem, pela própria Naval que, sendo assim, está, como soe dizer-se, a fazer filhos em mulher alheia.
As melhorias nos balneários e outras instalações, como ginásio e sala VIP (um luxo!) iniciaram-se quando a Académica, com as obras do estádio Cidade de Coimbra a decorrerem, aqui veio disputar alguns dos seus jogos.
Uma imobiliária (a troco de quê?) invadiu o parque de estacionamento, pulverizando-o. O Ginásio vai ocupar a antiga carreira de tiro e parte do campo de treinos, com uma piscina, avançando, assim (louve-se o espírito de dinamização), com um património que causa inveja a uma Naval que nem sequer possui uma sede, e já passaram quase dez anos (4 de Julho de 1997) sobre o incêndio que destruiu as velhinhas instalações na Rua da República que hoje apresentam um aspecto simplesmente desolador, fazendo dar voltas na cova a quem tanto trabalhou para erguer o mais antigo clube figueirense.
Pedro Santana Lopes, quando presidente da edilidade local, candidatou a Figueira da Foz a sede dum grupo para o Euro 2004, sendo o primeiro a desistir do intento, alegando critérios duvidosos na escolha dos locais para a realização do evento que marcou uma era no desporto nacional.
Aventou, na altura, a mudança do estádio para o sul do concelho, mais concretamente nas matas nacionais de Lavos. Muitos se levantaram contra a ideia, defendendo que ficava muito longe da cidade, esquecendo-se que, quando o actual estádio foi construído, ali era um descampado e também, na altura, vozes se ergueram contra a localização.
Ninguém tem dúvidas de que alguém está interessado em que o Bento Pessoa mude de ares, sendo as intenções imobiliárias mais que muitas para conseguir esse objectivo. E o abandono a que está vedado, por exemplo, o campo de treinos, abona, e bem, a favor dessa intenção.
Resumindo. A Figueira da Foz tem uma equipa no primeiro patamar do futebol português e, como local de recepção, apresenta um campo remendado, mais próprio dum agrupamento a disputar os distritais.
Que alguém, com propriedade, se debruce sobre esta problemática. Se querem urbanizar o local e correr o campo dali para fora, que o digam, e actuem em conformidade.
Assim, como está, é que não.
ANÍBAL JOSÉ DE MATOS in FIGUEIRA 21

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