sábado, 8 de junho de 2013

Política à portuguesa...

Alternâncias e … alternativas
 
É por demais vulgar ouvir dizer-se que o povo português não é estúpido.
Convenhamos, no entanto, que, na sua esmagadora maioria, se o não é disfarça muito bem.
Senão, vejamos:
O país tem atravessado uma situação humilhante, ultrajante mesmo, com muita gente a viver nas raias da miséria, vendo-se o desemprego a atingir números que ultrapassam previsões nunca antes imaginadas, etc, etc.
Navega-se num mar de greves, de manifestações de contestação constantes perante sucessivos governos a fazerem gato-sapato da população, manipulando-a a seu bel-prazer.
A crise, há muito instalada, deixou de ser conjuntural para se apresentar, na sua verdadeira dimensão, como radicalmente estrutural.
Os governantes vão, descaradamente, ao bolso dos portugueses e, depois, desfazem-se em elogios ao seu sacrifício, à sua colaboração, quando ninguém, por seu livre arbítrio, contribuiu, com um cêntimo, para o lavar a cara de quem provocou este lamentável estado de coisas, antes tem sido sistematicamente compelido a despojar-se do que tem e do que não tem.
Tudo isto a propósito de alternâncias e alternativas.
Então, se o povo não é estúpido, como se compreende que se sucedam, constantemente, as alternâncias de poder, com este mesmo povo, repito, na sua esmagadora maioria, a deslocar-se às urnas, em sufrágio, para depositar o seu voto sempre nos mesmos, escolhendo a governação ora no PSD ora no PS, com o CDS a aproveitar oportunidades para servir de serviçal muleta?
Num momento, o povo vai à rua pedir a demissão do governo liderado pelo Partido Socialista; a seguir, repete a dose a solicitar o contrário, exigindo a demissão do governo capitaneado pelo Partido Social Democrata... e assim sucessivamente, como o tem sido ao longo dos tempos nesta exemplar e original democracia à portuguesa.
Ou seja, perante governações ditas sádicas, a população comporta-se, no fundo, como fiel seguidora da linha masoquista.
Insisto. Se o povo não é estúpido, disfarça muito bem.

1 comentário:

António Querido disse...

Pode ser que aqueles que até agora têm disfarçado muito bem, na próxima oportunidade saibam colocar o boletim de voto em branco, para lhes mostrar que nenhum dos que lá têm passado servem o país, mas sim a si próprios e familiares!
A bem da Figueira da Foz e de Portugal.