segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Tempo de NATAL




Com imaginação e ... amor


 

Num livro que publiquei precisamente há 20 anos (1992), de seu título“Conflitos”, inseri um pequeno poema que, em plena época natalícia,aqui relembro:“A passos largos/Desenha-se o Natal da convenção,/ Reerguem-se pinheiros derrubados,/Regressam figuras dum Presépio/Em ciclo de musgo de esperança (?)/ Virá mais uma noite/Quiçá um novo dia de vénias mais corteses,/Não faltarão amizades duma hora.../Depois, depois um novo e longo ano no olvido/De sentimentos e de atos,/Portas cerradas aos convivas do Natal/De novo esquecidos amanhã.../Natal, Natal,/Festa dum dia/A recordar a tristeza  duma vida./Mas as crianças ainda brincam no musgo da esperança !.

 

Há dias passei por um estabelecimento comercial de artesanato, onde, à guisa de publicidade, se podia ler: “Ofereça com imaginação”. Na altura, tive vontade de entrar e pedir para ser acrescentado ao “slogan” a palavra amor.

Sim, porque convenção não basta e o Natal tem que ser, forçosamente, muito mais do que o simples (por vezes complicado) gesto de oferecer uma prenda. O Natal passou a ser pura e simplesmente uma sucessão de atos comerciais, e, quer queiramos quer não, a ação adultera completamente o espírito.

Natal contém em si o verdadeiro significado da palavra, reproduzido, por exemplo, no Novo Testamento, em Mateus, 1:21 : “E dará à luz um filho, e chamarás o seu nome JESUS; porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados”. Em Lucas, 2:11, podemos deparar com o verdadeiro Presépio: “Pois, na cidade de David, nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor”.

O Natal dos nossos dias transformou-se num circuito de transações em que foi negligenciada a verdadeira essência da época.

Solidariedade deveria ser o mote permanente numa quadra em que o Amor conduzisse, em todo o seu conteúdo, à felicidade pelo reconhecimento dum renascer permanente

O simples gesto de oferecer prendas pelo Natal, numa reposição ainda que diluída das ofertas que os Magos fizeram a Jesus por alturas do seu nascimento, no presépio que significa estábulo, e foi o seu berço, deveria ser eivado de carinho, de fraternidade, de sentimento muito para além do valor comercial do objeto.

A propósito de presentes, a psicóloga Marta Vago diz que “durante as festas de Natal, as pessoas tornam-se contabilistas”, acrescentando: “sentem-se obrigadas a gastar num presente o mesmo que a outra pessoa despenderá naquele que lhes vai dar”. Ronald Hulnick, no seu livro Financial Freedom in Eigth Minutes a Day, escreve “o importante é a mensagem de amor que está por trás do presente, não ele próprio”.

Em 1979 foi criada em Zurique a Sociedade de S. Nicolau, mais conhecida por Clube dos Pais Natal, que tem exercido uma ação filantrópica credora dos mais rasgados encómios. Oferece todos os anos cabazes de Natal a famílias pobres, auxilia deficientes, visita famílias carentes de bens materiais e morais, subsidia mães solteiras, comparticipa no pagamento de rendas de casa, etc.

Neste Natal, sem esquecermos a verdadeira origem do termo, vamos, pois, oferecer algo com imaginação, mas, principalmente, com amor.

 

Aníbal José de Matos
(Do livro a publicar em breve reproduzindo crónicas e editoriais por mim oportunamente publicados na imprensa regional)

Sem comentários: