domingo, 7 de fevereiro de 2016

Política à portuguesa



O preço da mentira

A montanha pariu um rato

 

Surpresa só para quem ainda acredita no Pai Natal.

O oportunismo, o golpismo e outros termos com o ismo como sufixo, podem adaptar-se, perfeitamente, à sede do poder em política.

Um aforismo popular reza que “a mentira tem a perna curta”, mas os profissionais da politiqueira nacional estão-se, como soe dizer-se, marimbando para o que os outros dizem, desde que os seus propósitos, mesmo que pouco limpos, sejam alcançados.

Tudo isto a propósito do Orçamento Geral do Estado, que acaba de ser aprovado em conselho de ministros, com a desfaçatez própria de quem, terminado o período dos beijos e abraços em campanha eleitoral, sente o grato prazer de sentar-se na cadeira do poder, mesmo que as promessas, com o colorido próprio do arco-íris, se transformem, como é o caso, no cinzento próprio dos felinos em passeio noturno.

Costuma dizer-se que o povo não é estúpido mas, sinceramente, este disfarça muito bem quando acredita em coisas que, à partida, não contêm a consistência própria dos factos realizáveis.

E aí estamos perante o esboroar de prometimentos vazios de lógica, investidos na roupagem de sonhos irrealizáveis

Como habitualmente no vocabulário dos políticos, as culpas, para que não pereçam solteiras, são sempre dos outros, dos que antes ocuparam os postos que estes tomaram de assalto.

Alegam sempre que não sabiam a real situação com que agora se deparam, embora as garantias afiançadas nas campanhas não tivessem em consideração tais dificuldades.

E aí está o aumento de impostos, com incidência muito particular e peculiar (mas não só) no preço dos combustíveis que já contêm mais de dois terços das obrigações fiscais.

As caricatas justificações não se fazem esperar.

E, assim, atribui-se despudoradamente a responsabilidade das alterações ao despropositado OGE à Comissão Europeia e, pasme-se, às pressões dos partidos da direita.

O Partido Comunista e o Bloco de Esquerda, casados com o Partido Socialista para esta escandaleira política, já colocam reticências na aprovação do documento, que não satisfaz as suas ávidas e dilatadas pretensões, mostrando claramente que só alinharam com o seu tradicional inimigo para que quem venceu as eleições não permanecesse na mais que justificada posse das rédeas da direção do Estado, numa reviravolta histórica após quatro décadas volvidas sobre a chamada revolução dos cravos.

Costuma dizer-se que as pessoas têm aquilo que merecem, já que a ingenuidade tem o seu preço e, já agora, a recente eleição do professor Marcelo Rebelo de Sousa para a presidência da República, soou como que um rebate na consciência de quem, nas legislativas, se viu traído nas suas convicções utópicas.

É caso para dizer, a concluir, que esperem pela pancada, porque esta vai ser forte e muitos vão, como já se viu, arrepender-se de atitudes inocentemente baseadas em ofertas que não passavam, como se constata, de presentes envenenados.

Aníbal José de Matos (Jornalista)
Nota: Publicado, em primeira mão, em
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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