sexta-feira, 6 de março de 2015

"QUE LUZ ESTARIAS A LER"



Na passada segunda-feira, João Pedro Mésseder e Ana Biscaia, realizaram, no auditório municipal  da Figueira da Foz, duas sessões de apresentação do livro “Que luz estarias a Ler”, nas quais participaram cerca de duas centenas e meia de crianças dos estabelecimentos de ensino 1º Jardim Escola João de Deus, 1ºCEB do Viso, Rui Martins, Abadias e  Serrado e também da EB2/3 Pintor Mário Augusto ( Alhadas), do concelho da Figueira da Foz.
 
“Que luz estarias a Ler” é um livro fruto de vários fatores convergentes. Em julho e agosto de 2014, quase cinco centenas de crianças palestinas foram mortas na faixa de Gaza pelas bombas do exército israelita. Entre as fotografias trazidas a público pelas agências noticiosas, algumas chamaram a particular atenção de Ana Biscaia. No meio dos escombros, crianças recolhiam livros, com “esse espanto de que só os olhos das crianças são capazes”.
 
Convidada para participar no Festival de Banda Desenhada e Ilustração de Treviso (Itália), Ana Biscaia fez um conjunto de desenhos inspirados por essas fotografias e convidou João Pedro Mésseder para escrever uma história a partir deles. O trabalho foi publicado no catálogo da exposição, em italiano, sob o título “Books and War”. Para a edição portuguesa, feita pelos próprios autores numa nova editora por eles criada – a Xerefé –, foi introduzida a cor nos desenhos originais e feita uma nova paginação.
“Que luz estarias a ler” é uma história contada na primeira pessoa por Aysha, uma sobrevivente do ataque à sua escola, que procura entre os livros que resistiram aquele que Kalil, seu amigo, estaria a ler. Ele gostava de livros, relembra Aysha: “quando lia histórias, dizia, era como se deixasse de ouvir os estrondos, os tiros, os gritos ao longe, as sirenes. Era como se uma luz se acendesse no coração do escuro”. É essa luz que Aysha procura agora nos “buracos entre as pedras” causados pelas bombas. Sabe que vai encontrá-la e promete: “quando a guerra terminar, levarei estes livros para a nova escola”.

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